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Samba no Vietnã (Parte I)

Dezenas de brasileiros aterrissaram no Vietnã para reforçarem os clubes locais nos últimos anos. O sucesso dos futebolistas tupiniquins no país é incontestável. Abrindo a série de entrevistas com alguns dos que mais vem se destacando, falamos com o atacante Jesuel Trindade, do Cang Saigon, artilheiro da V-League – a liga nacional de futebol. Conhecido como ‘Santana’ por ter crescido na minúscula Santana da Ponte Pensa, interior paulista, foi apelidado de ‘Superman’ pela imprensa vietnamita.

Qual a razão de você estar marcando tantos gols pelo Cang Saigon nesta temporada? O esquema tático do técnico Lu Dinh Tuan está mais ofensivo?
Sim, estou fazendo muitos gols porque me dedico muito aos treinamentos, aproveito ao máximo as chances de gols e tenho jogado sozinho no ataque! Sou o único atacante no esquema (risos).

O que é necessário para um atacante brilhar na V-League?
Velocidade e técnica, os dois são necessários, graças a Deus tenho esses dons!

O fato do seu clube ser o único de Saigon, cidade mais populosa do país, faz a pressão ser muito grande? Como é a relação com os torcedores e imprensa?
Sim, pode crer! É muita pressão! Se o time esta bem é tudo mil maravilhas, mas se esta mal, complica! Os torcedores sempre tem apoiado, quanto a mim, não tive problemas porque estou bem, sou o artilheiro, graças a Deus!

Henrique Calisto, técnico do Vietnã, já conversou com você sobre a possibilidade de te naturalizar?
O Calisto não comentou nada comigo! Creio que não passa isso na cabeça dele, não!

Como é a comunicação com os outros jogadores? Depois de quase quatro anos no Vietnã, já dá pra conversar bem com os companheiros?
Eu entendo um pouquinho a língua deles e também não me interesso muito em aprender, pratico mais o inglês mesmo!

Impressionante ver equipes como o Hai Phong e o The Cong, de Hanói, que subiram esse ano, estarem entre os primeiros no campeonato. Eles são tão bons assim?
Eles são fortes e competitivos! Diferentes da maioria dos times daqui. A boa campanha deles não é por acaso.

Muitos acham que o Vietnã tem condições de se tornar uma grande força na Ásia por ser um país muito populoso e cheio de favelas onde os jovens são apaixonados por futebol e jogam constantemente. Você acredita nisso?
Sim! Basta um toque inicial!

A fragilidade física dos jogadores é apontada como um dos motivos para o futebol daí do sudeste da Ásia não ser competitivo internacionalmente. Você acha que seria difícil convencer os jogadores a mudarem os hábitos alimentares e ganharem massa muscular?
Aqui a maioria dos jogadores são fisicamente fracos mesmo, mas acredito que não é difícil mudar a cabeça deles. Eles precisam melhorar muito em termos de profissionalismo, mas são esforçados, estão melhorando…

O futebol vietnamita tem casos de jogadores viciados em drogas. Ano passado, Xuan Thanh, capitão da seleção Sub-20, foi flagrado com heroína.
Olha, quase não ouço sobre esse tipo de problema. Muitos são humildes sim, mas esses casos creio que são raros aqui…

O zagueiro Rocha, que defendeu o Dong Tam, nos contou que ficou horrorizado com os escândalos que acontecem nos bastidores da V-League. O que você já viu e ouviu a respeito de suborno ou rumores de armação de resultados na V-League?
É verdade, já ouvi muito disso aqui, teve até prisão por conta disso, às vezes tem jogos estranhos aqui! Isso me deixa nervoso, os juizes ganham dinheiro para fraudarem os jogos! As providencias estão sendo tomadas e espero que acabe.

Qual é o comportamento dos cartolas no seu clube?
São normais, se você esta bem te dão tudo, se esta mal não te dão nada…

Curioso que os jogadores chegam pra treinar e jogar de moto e são os próprios que cuidam do material, lavam e passam. No Cang Saigon é assim também?
Sim, aqui não é diferente, te dão umas quatro mudas de uniformes, e depois dos treinos você se vira pra lavar, sem problema algum (risos).

Conte algum caso engraçado que aconteceu com você nos treinos ou jogos.
Em 2006, quando joguei aqui por um time que havia acabado de subir, tive problemas com os jogadores. Estava jogando forçado porque tinha rompido os ligamentos e nem eu sabia o que tinha. Eles não acreditavam em mim, achavam que estava fazendo corpo mole, que queria voltar para o Brasil e por ganhar mais que eles, vieram pra cima de mim no treino pra me bater (risos).

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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