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Samba no Vietnã (Parte final)

Fechando nossa série de entrevistas com futebolistas brasileiros no Vietnã, falamos com Zé Emídio, atacante do Da Nang. ‘Almeida’, como preferem os vietnamitas, foi artilheiro e eleito o melhor estrangeiro da última temporada. Faltando uma rodada para o fim do atual certame onde o Binh Duong garantiu o bicampeonato, o carioca falou das dificuldades do seu Da Nang.

Por que o Da Nang não realizou uma campanha tão boa quanto no ano passado?
Começamos mal porque não fizemos uma boa pré-temporada e a equipe estava carente em algumas posições. Agora estamos bem melhor, ocupamos a 4ª posição, e agora no finalzinho chegaram mais três jogadores, dois brasileiros e um argentino.

Para um cara que saiu de Belford Roxo, no Rio de Janeiro, foi duro se adaptar ao Vietnã?
Sim, principalmente a comida, no estilo de jogo também tive que melhorar muito o meu cabeceio, antes não era tão bom. Os treinos são mais puxados também. A falta da família é outro fator, porque aqui eles pensam que um cara que trás a esposa não vai jogar bem.

O seu treinador (Le Huynh Duc) é bastante jovem, como é trabalhar com ele?
Esta sendo bom, ele conversa bastante, às vezes pega no pé, mas com ele o time melhorou muito.

Fala-se maravilhas do atacante Le Cong Vinh, do Song Lam Nghe An, que ganhou pela terceira vez a bola de ouro como melhor jogador do Vietnã. Ele joga essa bola toda?
Conheço ele, já me deu até uma camisa da seleção, é muito bom jogador e para o Vietnã é diferenciado porque é um dos poucos que sabem fazer gol, talvez o único.

Depois de ser artilheiro e ganhar o prêmio de melhor estrangeiro no país em 2007, surgiram propostas?
O Vietnã é perto do Japão, China, Coréia, mas ninguém vê e nem sabe nada daqui, a federação não divulga a liga, é muito difícil, por isso só recebi propostas de equipes locais.

A fragilidade física dos jogadores daí do sudeste asiático é apontado como um dos principais problemas no progresso da região. Como você vê essa questão?
Sim, é um grande problema, mas isso não é só biótipo, porque no Brasil um jogador jovem que é magro os clubes fazem trabalhos especiais para que ele ganhe massa muscular e cuidam dele. Aqui não tem nenhuma estrutura, além disso, fazem treinamentos errados e excessivos. Falta profissionalismo porque a maioria dos jogadores bebem de ficar bêbado mesmo (risos), e fumam também, às vezes horas antes de uma partida. É falta de um bom professor na base.

São muito conhecidos os casos de corrupção e suspeitas de manipulação de resultados na V-League. Você já ouviu e viu muita coisa suspeita por parte de cartolas, arbitragens ou na atitude de algumas equipes?
Nunca vi nada claramente, mas aqui sempre se fala muito sobre isso, inclusive três jogadores da minha equipe estavam suspensos há dois anos e meio por corrupção em um jogo pela seleção.
 

Toparia se naturalizar e jogar pela seleção do Vietnã?
Sim, porque acho que seria quase impossível jogar na seleção brasileira, então fazendo isso eu não teria nada a perder.

O que tem de legal pra visitar em Da Nang?
Museus e praias.

E a comida aí no Vietnã, tem alguma coisa apetecível?
Sobre a comida, a única coisa boa é que dá pra matar a fome, mas eu não gosto porque cheira mal, às vezes com açúcar, outras pimenta pura, é complicado (risos).

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Equipe Trivela

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