Robben Island

Sem mais delongas, vamos ao que o jornalista Edwin Schoon escreveu, em seu blog que acompanha a Eurocopa, no site oficial da seleção holandesa. Mostra perfeitamente o que o país espera do atacante do Bayern, já apelidado “Arjen Floppen” – tal trocadilho foi até capa do “Bild”, maior diário alemão, neste domingo.
“A grande pergunta, um dia após a final da Liga dos Campeões, para os torcedores da seleção da Holanda, mesmo para quem não esteve em Munique, é sobre Arjen Robben, obviamente. Geralmente, as conversas sobre ele falavam a respeito de uma parte de seu corpo. Após a Copa do Mundo, por muito tempo falou-se de sua coxa. Mas, às vésperas do amistoso da próxima terça, em Munique, há um novo assunto.
Quase sempre, fala-se de Robben como um 'canela de vidro'. Um ótimo jogador, mas cujo corpo parece não resistir a impactos. Durante a Copa do Mundo, na África do Sul, Robben não achava graça quando um jornalista, próximo a ele, ia cumprimentá-lo, com um aperto de mão, e dizia 'Posso pegar sua mão? Não vai quebrá-la?' Mas, agora, o assunto é outra parte do ponta-direita do Bayern: a cabeça de Robben. Como vai ela, depois da decepção de sábado? Após fracassar no 'grand finale', com consequências desastrosas e irreversíveis. Essa é a grande pergunta, agora.
Uma pequena visão dos neurônios de Robben (sobretudo, do hemisfério esquerdo, diria Cruyff) foi dada pela conversa fascinante dele com Toine van Peperstraten, da NOS, após a final perdida. O comentarista deveria ter paciência. Naturalmente. Mas Robben mostrou-se, deixou seus sentimentos à mostra. O que se seguiu foi uma conversa maravilhosa. Porque Robben não podia revelar mais nada, mas revelou. Méritos de Van Peperstraten.
As palavras que ele disse, as que ele não disse, o seu olhar, tudo já mostrava o que ele diria ao final da conversa, quando o jogo entre Bayern e Holanda virou assunto: “Mandem-me, por uma semana, para uma ilha desabitada.” Provavelmente, não há ninguém – a não ser por um Dick van Toorn da vida – que dê a Robben a ilha desabitada. Mas seria altamente importante, também para a Oranje, que ele fosse diretamente para essa ilha.
Arjen, acima de tudo, vá para uma ilha aonde o vento sopre tão forte que tire seus pensamentos ruins lentamente da cabeça. Onde você olhe, por dias, para o mar sem fim, enquanto fuma um cigarro enorme de maconha e se manda lentamente para outro mundo. Um mundo cheio de demônios, diabinhos risonhos e pênaltis perdidos. Para expiar seus pecados, complete isso com castigos físicos. Vá para este sonho feroz. Viva seu pesadelo. Na sua ilha. Fique bêbado, esvazie duas garrafas de uísque. Deixe-se levar por dezenas de sereias para o fundo do oceano, criaturas que lhe embriaguem, lhe mostrem a tranquilidade e o prazer, criaturas que você nunca conhecera nem nos melhores sonhos.
Mas Arjen, após esta profunda purificação, que o técnico lhe dará até sexta, volte à terra firme. Com a cabeça vazia. De alma lavada. Como um lutador corajoso. E ligue para Bert e seus companheiros. E, aí, alcance o feito esportivo que você merece, na Polônia e Ucrânia. E nunca deixe que alguém lhe diga o que você foi, o que você viu, o que você fez lá. Mesmo depois daquele pênalti decisivo em Kiev.”


