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Ricardo Jesus: “O Zico não foi respeitado na Rússia”

 

Atual artilheiro da Série B do Campeonato Brasileiro com cinco gols, Ricardo Jesus, atacante da Ponte Preta, é quase um desconhecido no Brasil. O mesmo, porém, não pode ser dito na Rússia. Revelado no interior paulista, com uma apagada passagem pelo Internacional, o jogador ganhou notoriedade atuando no futebol russo pelo Spartak Nalchik. Após se destacar na pequena equipe, foi contratado pelo CSKA Moscou. Já na capital do país, teve um bom início, mas depois perdeu espaço na equipe.

De volta ao futebol brasileiro, Ricardo Jesus terá todo 2011 para provar seu valor. O início da temporada tem sido promissor. Após uma boa campanha no Campeonato Paulista, a Ponte lidera a segunda divisão nacional e é tida como uma das favoritas ao acesso.

Confira a entrevista com Ricardo Jesus:

Qual é a sua atual situação contratual com o CSKA Moscou?
Tenho contrato até o final de 2012 com o CSKA. Meu empréstimo para a Ponte vai até o final desse ano.

Pensa em retornar ao clube?
Quando fui para a Rússia, para o Spartak Nalchik, fui para jogar em times grandes, tinha esse pensamento. Consegui chegar no CSKA, e se eles me chamarem novamente ficarei feliz.

Antes de fechar com a Ponte Preta, recebeu propostas de outros clubes?
Tive uma proposta do Caxias e não tive uma proposta concreta do Criciúma, mas eles me procuraram também. Escolhi a Ponte porque é um time de mais camisa, e meus pais são de Cosmópolis, saí cedo para o Internacional, e é bom ficar perto deles. Além disso, sou casado, tenho uma filhinha, a família fica próxima.

Seu ex-técnico, Yuri Kraznohan, foi demitido do Lokomotiv Moscou na semana passada, acusado de facilitar uma vitória do Anzhi. Ficou sabendo da história?
Não fiquei sabendo.

Acha que isso seja possível, até pela sua vivência no futebol russo?
Vou te dizer que no tempo que passei lá não ficava sabendo muito das coisas fora de campo. Aprendi o russo rápido, mas demorei a entender alguns aspectos da cultura deles. Sinceramente acho difícil ter acontecido isso com o Krazhohan, e o Anzhi investiu muito, se tornou um dos times grandes da Rússia.

E como é o Kraznohan no dia a dia?
É uma pessoa muito legal, cobrava bem durante os treinamentos. Ele brincava bastante com a gente, tentava falar um português conosco, sempre falava com os brasileiros, chamava para conversar.

No Spartak Nalchik você viveu sua melhor fase no futebol russo. Por que depois não conseguiu uma boa sequência no CSKA Moscou?
Em 2008 fui contratado a pedido do técnico, o Valery Gazzaev. Quando ele saiu, no final do ano, a diretoria contratou outro atacante, o Tomás Necid, tcheco. Quando chegou o Zico, conversei com ele e pedi para ser avaliado, ver se eu serviria para o time. Caso contrário, ia cuidar do meu futuro. O Zico me aprovou, disse que ia me utilizar. Mas como a diretoria já havia trazido o Necid, acabei como terceira opção, aí é muito complicado. Mas não acredito que tenha sido falta de oportunidade, foi uma decisão deles mesmo.

Como foi trabalhar com o Zico no CSKA? Por que você acha que ele não conseguiu permanecer no comando do clube?
O Zico não foi respeitado na Rússia, não teve o respeito que merece. Ele tinha muito a acrescentar ao futebol russo, como fez no futebol turco. Trataram ele apenas como mais um técnico que passou pelo clube.

E o relacionamento com o Evgeni Giner, presidente do CSKA? É complicado?
Ele aparece muito pouco nos treinos. Eu mesmo vi ele quando assinei o contrato, na apresentação para a torcida e mais duas ou três vezes em três anos. Pelo que sei, o CSKA tem três ou quatro investidores, então ele nunca decide sozinho. Muita gente fala “ah, o Giner fez isso, fez aquilo”, mas não é bem assim. Mas é mais ou menos isso mesmo, ele tem dinheiro, às vezes trata os outros assim, “quero e pronto”, pode arcar com os custos de uma rescisão, por exemplo.

E como é a estrutura do clube em Nalchik?
O Nalchik tenta se manter na primeira divisão para vender jogadores, buscar lucro com essas negociações. Tem um apoio menor do Governo da região [Kabardino-Balkária]. Na temporada passada, por exemplo, brigávamos por uma vaga na Liga Europa e os clubes com mais força financeira passaram por cima. Já o CSKA tem uma estrutura bem maior, um patrocinador forte. Briga sempre pelo título e por vaga na Liga dos Campeões. São dois clubes com objetivos muito diferente.

Como foi sua passagem pelo futebol grego, onde defendeu o Larissa, no ano passado?
Gostei muito de jogar lá. Larissa é uma cidade pequena, muito aconchegante, dá para sentir o calor das pessoas nas ruas, como aqui no Brasil. O povo russo é bem mais frio. Se um dia eu tiver a oportunidade de voltar à Grécia eu gostaria. No Larissa me machuquei, mas gostei muito. O clube é parecido com o Nalchik, está na primeira divisão para vender jogadores.

Tem acompanhado o futebol russo no Brasil, pelas transmissões da ESPN?
Acompanho um pouco sim, na terça vi o jogo do CSKA com o Anzhi, time do Roberto Carlos [3×0]. No final de semana acompanhei também Dynamo e Zenit [1×1].

Mantém contato com antigos companheiros?
Joguei no CSKA com seis brasileiros [Vagner Love, Jô, Dudu Cearense, Ramón e Daniel Carvalho]! Conversei recentemente com o Ramón, que está no Bahia. Quando estive na Grécia falava com o Dudu Cearense, que tinha ido pra lá também. Até hoje mantenho mais contato com ele. O Vagner Love quando está no Brasil sempre conversamos pela Internet também. Converso com o Leandro, que ainda está no Spartak Nalchik, pelo Orkut. Mas é difícil, porque cada um tem a sua rotina, tem o fuso horário também.

Você nasceu em Campinas, mas começou a jogar pelo Internacional. Como foi seu início de carreira?
Na verdade rodei bastante pelo interior de São Paulo antes. Meu pai tem uma escolinha de futebol, faz um trabalho comunitário. Ele sempre leva os jogadores para testes nos clubes, participa de muitos torneios, e foi assim comigo e com meu irmão. Quando disputei um campeonato em Limeira o Independente me chamou para jogar o Paulista juvenil. Depois fui para a Inter de Limeira e fiquei lá em 2001 e 2002. O Sandro becker me viu e levou para o Internacional. Lá assinei meu primeiro contrato profissional.

Você fazia parte do grupo campeão da Libertadores de 2006?
Na verdade eu estava na pré-lista. Tanto da Libertadores como do Mundial. Talvez por interesse político ou do próprio Abel Braga, eu fiquei de fora das duas competições.

A Ponte sempre faz boas campanhas na Série B, mas nos últimos anos tem falhado nos momentos decisivos da competição. Por que o torcedor pontepretano deve imaginar que nessa temporada isso não acontecerá mais uma vez?
Já entramos na competição sabendo disso. Acompanhei a Série B no ano passado, quando a Ponte se recuperou, mas no final acabou em 14º. Estamos cientes que esse ano é muito importante para a Ponte. O clube precisa subir de qualquer maneira. Temos um elenco muito forte, montado pelo Gilson [Kleina, técnico] e pela diretoria, e nos últimos anos as equipes que subiram sempre tiveram elencos fortes. Tenho certeza que nesse ano vai ser diferente.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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