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Ricardo Jesus: “Aceitaria defender a Rússia”

Desde que chegou à primeira divisão, pela primeira vez em sua história, em 2006, o Spartak Nalchik tem feito campanhas medianas. Nesta temporada, porém, faltando cinco rodadas para o fim da Premier Liga, a equipe é a quinta colocada e sonha com a classificação para a Liga Europa. E um velho ídolo retornou ao clube em 2010 para facilitar o objetivo.

Ricardo Jesus, 25 anos, atacante revelado pelo Internacional, é pouquíssimo conhecido do público brasileiro. Até porque saiu jovem, em 2007, justamente para o Spartak Nalchik. Destacou-se e foi contratado pelo CSKA Moscou por € 2 milhões. Na capital russa, porém, as coisas não correram como previsto.

Neste entrevista concedida ao jornal Soviet-Sport e cedida à Trivela pela publicação, o atacante brasileiro fala sobre a total adaptação no país e a possibilidade de defender a seleção russa.

Por Julia Yakovleva, do Soviet-Sport

Você retornou ao Spartak Nalchik nesta temporada. O clube mudou muito desde sua primeira passagem?
Sim, mudou bastante. Quando cheguei na primeira vez, praticamente não conhecia os jogadores. Agora é diferente, e todos me receberam muito bem, assim como os torcedores.

Qual é o segredo do sucesso do Spartak Nalchik?
Acima de tudo o desejo de vencer todos os jogos e o empenho dos jogadores. Muitas pessoas acham que a chave do sucesso do Spartak é o técnico Yuriy Krasnozhan… Ele é uma pessoa inteligente e sabe convencer o time a jogar no seu estilo.

O Spartak Nalchik tem uma grande oportunidade de terminar a temporada na zona de classificação para as competições europeias. Acha que o time está pronto para participar delas?
Sim, com certeza. Fizemos uma longa trajetória até aqui e merecemos isso.

Por que você não conseguiu jogar no CSKA Moscou?
Você deveria fazer essa perguntas à diretoria do CSKA, porque eu segui todas as regras, estava treinando bem e sempre fiz tudo que me foi pedido. O resto depende do treinador. Não é minha culpa que eu não tenha jogado, foi uma decisão do técnico. Quando era o Valery Gazzaev, alguns jogadores jogavam todas as partidas e outros estavam sempre no banco.

Talvez o CSKA, simplesmente, não seja o seu time?
Quando eu chegueio na Rússia eu queria jogar em um grande clube, e sempre tive o desejo de jogar pelo CSKA. Agora tudo depende da diretoria, do treinador e de vários outros fatores.

Você gostaria de voltar ao Brasil e jogar um tempo por lá, como fez Vagner Love?
Não, acho que você precisa aproveitar a oportunidade de jogar em outro país. É importante para mim jogar em diferentes ligas, tanto que já estive na Grécia também.

Quando o seu empréstimo terminar, você retornará ao CSKA ou prefere ficar em Nalchik?
Tenho um contrato com o CSKA, então eles decidirão se vão achar outro clube pra mim ou me manter no elenco.Eu gostaria de ficar na Rússia, porque eu estou adaptado à vida aqui. Mas se houver a oportunidade de jogar por um clube estrangeiro, não há problemas. Pensarei no assunto.

Onde é melhor jogar, em Moscou ou Nalchik? Porque os estádios em Moscou estão normalmente com metade da capacidade ocupada, e em Nalchik, ao contrário, sempre estão lotados.
Os estádios em Moscou são maiores, por isso parecem estar vazios. Mas no geral, acho que a média de público é igual nas duas cidades.

Quem é o melhor jogador brasileiro que já atuou ou atua na Rússia?
Vagner Love, definitivamente, foi o melhor brasileiro no Campeonato Russo nos últimos anos.

Por que o Daniel Carvalho não conseguiu seguir carreira na Europa? Qual é a sua opinião sobre isso?
Ele fez uma grande história no CSKA, mas alguma coisa deu errado, talvez por causa do estilo de jogo diferente do futebol russo.

Ramón, quando contratado pelo CSKA, foi chamado de “segundo Kaká”, mas depois voltou ao Brasil. Podemos dizer que ele e Daniel Carvalho seguem uma tendência de jogadores que começaram bem a carreira, mas não conseguiram ir bem na Rússia?
Não, não podemos comparar os dois. Como eu disso, Daniel Carvalho teve uma grande história no CSKA. Já o Ramón talvez não tenha entendido o que o time precisava dele. Não conheço qualquer brasileiro no Campeonato Russo que jogue extremamente mal, todos têm certas habilidades. Por outro lado, nem todos conseguem mostrar o máximo dessas habilidades.

Podemos comparar, então, Daniel Carvalho com Alex, do Spartak Moscou?
Não, não podemos compará-los. São jogadores diferentes. O Daniel Carvalho já trilhou seu caminho na Rússia e o Alex está apenas começando sua carreira aqui.

Se você fosse um treinador e tivesse a oportunidade de contratar apenas um atacantes, quem você escolheria: Vagner Love ou Welliton?
Não sei… São dois atacantes diferentes. Não posso dizer que um é melhor do que o outro, os dois são ótimos. Bem, eu escolheria o Vagner, porque joguei com ele.

No Brasil, a maioria das pessoas conhece o Vagner Love, mas não sabem muito sobre o Welliton. Por quê?
A questão é que o Welliton saiu muito cedo do Brasikl, e o Vagner Love fez seu nome no Palmeiras e depois jogou na Seleção Brasileira. Quando você joga pela Seleção, todo o país te conhece. Ainda acho que o Welliton terá uma chance de defender o Brasil.

Se você fosse convidado a mudar de nacionalidade, aceitaria defender a Rússia?
Nunca pensei nisso, mas você sabe que é muito difícil ser chamado para a Seleção Brasileira, então, se eu tivesse uma oferta para defender a seleção russa, aceitaria.

O ex-jogador do Lokomotiv Moscou, Peter Odemwingie, disse que na Rússia existe o problema do racismo. Você enfrentou isso?
Pessoalmente, nunca tive problemas com racismo na Rússia. Mas eu vi algumas situações. Eu acho que esse problema existe em qualquer país, e no Brasil não é menor do que na Rússia.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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