República Tcheca, cerveja e futebol

Cresci com minha mãe falando sobre Slavonice. Nossa família é de origem tcheca, e minha bisavó nasceu nesse pequeno povoado, localizado ao sul da Tchecoslováquia, perto da fronteira com a Áustria. Hoje tem cerca de 2,7 mil habitantes apenas e não há futebol por lá. Ainda não a visitei, mas tenho certeza que no dia que fizer, encontrarei um simpático bar para apreciar uma Pilsner Urquell.
Da República Tcheca conheço a capital, Praga (cidade onde se bebe a cerveja mais barata da Europa), e Pilsen, terra da maravilha líquida citada acima. E na temporada que se encerrou neste final de semana, essas duas cidades, assim como Slavonice, não tiveram motivos para celebrar no esporte bretão, pelo contrário, assistiram a festa de uma equipe do norte do país, pela terceira vez em sua história.
Graças a uma espécie de “final” com o então campeão, Viktoria Plzen, e o 0 a 0 conquistado em campo, a torcida do Slovan Liberec fez a festa nas arquibancadas do pequeno estádio Nisy, completamente lotado (capacidade para 9.900). A equipe foi a 66 pontos e manteve três de vantagem sobre o Viktoria, que acabou perdendo o vice-campeonato para o Sparta Praga.
Como o momento do futebol tcheco não é dos melhores, o Slovan vai apenas para a segunda fase preliminar da Liga dos Campeões, enquanto Sparta e Viktoria seguem para a segunda preliminar da Liga Europa. O novo campeão buscará o improvável, alcançado pelo Viktoria nesta temporada, que é a vaga na fase de grupos.
Neste domingo, certamente boa parte dos 105 mil habitantes de Liberec, bem ao norte do país, acordou de ressaca. O clube surgiu da fusão de outras equipes em 1958 e sempre foi pequeno. Depois da Revolução de 1989, passou por uma grave crise financeira e quase fechou as portas. Se reestruturou nos anos 2000, conseguiu o apoio da Preciosa, uma das maiores indústrias de cristais da República Tcheca, e passou a lutar por títulos. Conquistou seu terceiro campeonato nacional neste final de semana (2001/2002, 2005/2006 e 2011/2012).
A equipe do técnico Jaroslav Silhavy, que foi assistente da seleção tcheca entre 2001 e 2009, teve como destaques o meia eslovaco Michal Breznaník, de 26 anos, e o veteraníssimo atacante Jirí Stajner, de 35 anos, ex-Hannover, artilheiro do time com 15 gols.
Abaixo, imagens da comemoração no estádio Nosy, e lá no topo, uma galeria de fotos da decisão. Viva o Slovan Liberec, viva a Pilsner Urquell!
Adendo: matéria que fiz sobre o Viktoria Plzen, no ano passado – De Plzen para o mundo.


