Renato Augusto: “Vi que tinha sido convocado na televisão”

Um dos destaques da excelente temporada do Bayer Leverkusen, o meia Renato Augusto foi convocado pela primeira vez para a Seleção Brasileira para o amistoso disputado com a França e perdido por 1 a 0. Com larga experiência na base da equipe da CBF, ele foi titular no time do técnico Mano Menezes. E, obviamente, esperar ser chamado mais vezes.
O jogador sabe, no entanto, que o trabalho no Bayer é fundamental para isso. Por isso ainda acredita no título da Bundesliga, mesmo com a ampla vantagem do Borussia Dortmund na liderança. Nesta entrevista à Trivela, falou também sobre o relacionamento com os outros jogadores do elenco e Michael Ballack.
Confira abaixo a entrevista exclusiva:
Você foi convocado recentemente pelo técnico Mano Menezes para a Seleção, sua primeira convocação. O Bayer Leverkusen faz grande temporada e você é um dos destaques do time. É seu melhor momento na carreira?
É difícil fazer uma análise e dizer se é o melhor momento da minha carreira. Acho que amadureci nesse tempo em que estou no Bayer. A minha convocação me mostra que estou no caminho certo. Até porque vou entrar na lista do treinador da Seleção se fizer uma boa campanha pelo meu clube. Mas ainda tenho muita estrada pela frente.
Na Bundesliga, o Borussia Dortmund abriu boa vantagem sobre vocês. Acha que ainda dá para lutar pelo título?
Vamos fazer o nosso trabalho com o foco voltado para o título até o fim. Realmente a diferença de mais de dez pontos que o Borussia Dortmund conquistou é uma vantagem difícil de ser tirada, mas não é impossível.
Quem mais você destacaria no time do Bayer Leverkusen nesta temporada?
Se eu apontasse alguns jogadores apenas, estaria sendo injusto. O grupo do Bayer é unido e isso tem sido fundamental. No clube, o pensamento de todos é que não há astros. A equipe conta com jovens, experientes, jogadores da seleção alemã e que serviram outras seleções. É um grupo bem equilibrado e que se dedica muito.
Já o Bayern Munique está em recuperação na competição e muito próximo de vocês na tabela. Acha que eles brigarão com o Bayer ao menos pelo vice-campeonato?
Não há como fazer previsões nesse momento. Na verdade, o mais importante é pensar apenas no Bayer Leverkusen e batalhar para vencer o máximo de jogos. O Bayern de Munique é um clube de força, tradição e que também vai lutar até o fim pelo título e por uma vaga nas competições europeias.
Muito se comenta sobre o impacto negativo de Michael Ballack na seleção alemã. Na última Copa, por exemplo, vários comentaristas disseram que a ausência dele deixou o time mais unido. Você concorda com essas críticas? Como é ele no dia a dia?
Não posso opinar ou comentar sobre a seleção alemã porque não estive lá. Mas o que posso dizer é que Ballack é um cara gente boa e eu me dou muito bem com ele. Sempre conversamos no clube, ele fala com todo mundo e é bem tranquilo.
E como é o trabalho do técnico Jupp Heynckes, consagrado internacionalmente?
O técnico Jupp Heynckes é tranquilo. Ao assumir o cargo, em 2009, me manteve atuando pela ponta direita, como uma das opções ofensivas do time. No ano passado, passei a jogar como meia atacante um pouco mais centralizado e com liberdade para atacar. É um treinador bastante exigente e pede que todos os jogadores se dediquem integralmente nos treinos.
Sobre a Seleção, você tem grande experiência nas categorias de base, tendo disputado um Mundial sub-20 e outro sub-17, e o Mano tem ressaltado a importância disso para os atletas. Acha que é fundamental para o atleta ter essa experiência? O quanto isso te ajudou na carreira?
Acho que é importante, sim. Fui convocado para as seleções sub-15, sub-17 e sub-20 e acredito que o jogador, que ainda não se tornou profissional, terá a chance de ganhar um pouco de experiência internacional. Além disso, esse é sempre um bom desafio para a carreira.
Pensando no presente, agora: já esperava ser convocado pelo Mano? Como recebeu a notícia da convocação?
Recebi a notícia pela televisão. Estava acompanhando a final da Copa São Paulo de Juniores e festejando a vitória do Flamengo, quando entrou na programação da televisão a convocação ao vivo e vi que tinha sido convocado. Já sonhava com isso desde que o início da carreira e acho que qualquer jogador pensa em ser convocado um dia.
O que achou da sua estreia com a Seleção, na derrota por 1 a 0 para a França?
O resultado não foi o que todos esperavam. É claro que eu preferia fazer uma estreia com uma vitória, mas futebol é assim e agora tenho que continuar trabalhando forte no Bayer Leverkusen para que possa voltar a ser convocado.
Sobre o futuro: até quando vai seu contrato com o Bayer? Quais são suas expectativas em termos de transferência para os próximos anos?
Ainda tenho mais três anos de contrato e sou bem tranquilo em relação ao futuro. Prefiro sempre pensar no presente e nos objetivos que tenho a alcançar. Nesse momento, quero ajudar o Bayer a continuar na briga pelo título, fazer uma boa campanha na Liga Europa e voltar a ser convocado para a Seleção.


