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Raul, do Baulmes-SUI: “Do último ao primeiro, os times não têm tanta diferença técnica”

Muitos acham que vida de jogador de futebol é sempre fácil. No entanto, a maioria dos atletas passa por muitas dificuldades. Até mesmo aqueles que atuam em grandes clubes na base.

Raul, volante brasileiro 24 anos, formado na base de Internacional e Flamengo, é um desses casos. Atualmente ele defende o pequeno Baulmes, da terceira divisão suíça, após ter ficado um bom tempo parado. Confira a entrevista.

Como surgiu o convite para atuar na Suíça?
Estava jogando no Sport de Juiz de Fora no ano passado, e o presidente do Yverdon viu um jogo meu, gostou e pediu que eu viesse para 15 dias de teste. No início do ano, em 7 de janeiro, cheguei à Suíça, mas ao chegar aqui tive uma surpresa: eles queriam que eu jogasse de atacante. Falei que não teria condições, não era minha posição, jogo de volante ou zagueiro, então treinei durante uma semana, o treinador gostou de mim, mas o presidente me mandou embora, exatamente por não atuar como atacante. Tudo isso sem me dar satisfação alguma. Eu ia voltar ao Brasil, mas conheci o presidente do Baulmes, que acabou me convidando para ficar em sua equipe. Resolvi ficar e agora estou jogando na terceira divisão pelo Baulmes, que é rival do Yverdon.

Como está sendo a adaptação? Tem encontrado alguma dificuldade?
Está sendo muito boa, não tive muitas dificuldades aqui. O futebol é muito corrido e também muito forte, está sendo bem tranquilo, apesar de em um mesmo país jogarmos contra equipes com estilos diferentes. Jogamos contra times quem tem como base a escola alemã, muita força e pouca técnica, e também equipes de escola francesa, onde o jogo é mais corrido, e um pouco mais de técnica.

O futebol aí é competitivo?
Sim, bem competitivo, pois as equipes são bem parecidas. Do último colocado ao primeiro, os times não têm tanta diferença técnica.

Há muitos estrangeiros no campeonato?
Um pouco. Inclusive, no nosso time temos poucos jogadores suíços. Há outro brasileiro, um de Montenegro, um da Eslováquia e nas outras equipes encontra-se muitos africanos que moram na Suíça.

Como é a estrutura do clube?
Bom, a estrutura não é muito boa, principalmente pelo fato de o clube estar na justiça, pois está com problemas em seu estádio. O problema é que a comunidade alega que o estádio foi construído de formar irregular, sem autorização na época, pois é um estádio novo e o presidente do clube alega que o prefeito da cidade na época que construiu o estádio autorizou tudo. Então não podemos usar o local, nem para treinar nem para jogar, estamos jogando em um campo emprestado na cidade de Chamblon, que fica à 9 km de Baulmes. Outro problema que o clube teve é que esteve na primeira divisão do campeonato suiço, mas sofreu duas quedas seguidas.

Quando você chegou qual era a situação do clube?
Cheguei e peguei o clube próximo de outra queda na terceira, para a quarta divisão, mas felizmente estamos conseguindo grandes resultados seguidos. Quando começamos o segundo turno, estávamos a dez pontos para sair da zona de rebaixamento, agora faltam cinco rodadas e estamos a um ponto.

Como foi sua carreira no Brasil?
Tive um começo promissor na base do Atlético Mineiro, mas infelizmente não consegui dar seqüência, por falta de cabeça e também por não ter empresário. Depois tive passagem boa pelo América-MG, mas acabei indo para o Internacional, onde um diretor me sacaneou devido a problemas pessoais com a pessoa que me indicou. Saí e tive uma passagem no Flamengo, por sete meses nos juniores. No final, passei no teste, mas já era meu último ano de júnior, com a mudança de idade da Taça SP de Juniores. Eu já não tinha tanto valor para eles, acabei não ficando. Depois conheci um empresário de Campinas que montou um time pra fazer amistosos pelo interior de São Paulo e vender jogadores. Acabei indo, fiz boas partidas, despertei interesse de alguns clubes do interior só que o empresário não aceitou o que eles queriam e acabei voltando para casa sem nada. Nesse momento, resolvi parar e focar nos estudos. Fiquei um ano sem jogar. No início do ano passado, o técnico Nando Osório que assumiu o Sport me ligou querendo que eu fosse para lá com ele, que ele estava montando um projeto para a segunda divisão do Mineiro. Então resolvi voltar a jogar, tive uma boa passagem pelo Sport, e agora estou aqui na Suíça dando sequência ao meu trabalho, buscando a cada dia um lugar melhor.

Você passou por times grandes na base, por que não deu certo?
Como falei antes, teve um pouco de cada coisa, não tive cabeça suficiente, e acabei errando algumas vezes. Tive dificuldades por não ter um empresário, sofri com intervenções de diretores, por causa de problema particular com quem tinha me indicado, ou me colocado no clube, algumas coisas desse tipo que acontecem muito no futebol brasileiro.

Você tem contrato até quando? Quais são suas expectativas para o futuro?
Com o Baulmes acertei só ate o final da temporada, que acaba dia 21 de maio deste ano. Aí depois estou livre para procurar outras coisas. Estou jogando aqui e sendo observado por algumas pessoas, espero que em breve tenha novidades sobre minha situação, meu objetivo é estar sempre crescendo, sair do Baulmes para uma equipe maior, onde eu possa ter mais visibilidade.

Tem vontade de voltar ao Brasil?
Com certeza, acho que tenho muito a realizar no futebol brasileiro ainda. Sei do meu potencial, sei que tenho qualidade para jogar em grandes clubes do Brasil, e com certeza um dia irei realizar esse sonho.

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Equipe Trivela

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