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Raphael Martinho: “Nosso principal objetivo é a ‘salvezza’”

 

Do Mato Grosso para o sul da Itália. Raphael Martinho, meia de 23 anos do Catania, saiu de Campo Grande para jogar no Atlético Paranaense, antes de ir para o futebol paulista e se destacar por Votoraty e Paulista. Foi no clube de Jundiaí que Raphael chamou a atenção dos italianos, que vieram ver Diego Souza e o viram jogar.

Raphael Martinho joga em um clube que tem nada menos do que 15 argentinos, inclusive o técnico. Se você imaginou que esse pudesse ser um problema, muito pelo contrário: o brasileiro garante que todos o ajudaram a se adaptar. Com contrato longo, o meia espera conseguir salvar o time do rebaixamento e se destacar.

Confira como foi a entrevista exclusiva da Trivela com Raphael Martinho.

Você se destacou profissionalmente no Votoraty, time que nem existe mais. Como era a estrutura lá? Como foi jogar no time?
Minha carreira começou na base do Atlético Paranaense e fiquei por lá até 2007, quando depois me transferi para o Paulista de Jundiaí. Em 2009, fui emprestado ao Votoraty, onde havia um projeto junto com a empresa Leão de Ribeirão Preto para colocar a equipe na A2 [segunda divisão] do Campeonato Paulista. Havia uma estrutura muito boa, tínhamos todo o necessário para um atleta, não faltou nada, foi um investimento pesado e no final fomos campeões.

Como surgiu a proposta da Itália para você? Foi fácil decidir ir?
No ano de 2010 joguei o Paulistão pelo Paulista, conseguimos fazer grandes partidas e assim despertou interesse de vários clubes. A proposta do Catania surgiu meio que por acaso. O diretor geral do Catania veio para o Brasil para ver o Diego Souza, que na época estava no Palmeiras, e foi justamente a última partida do campeonato, quando nós enfrentamos o Palmeiras e vencemos 3 a 1. Eu fui muito bem no jogo e assim despertou o interesse do Catania. Não foi fácil decidir porque havia algumas propostas, mais optei por jogar na Itália por ser um dos mais fortes campeonatos do mundo.

Você já está adaptado à vida na Itália? O que foi mais difícil para você?
Sim, como já estou habituado a estar sozinho longe de casa, isso não foi um problema. O problema maior foi com a língua no começo, porque como não havia nenhum jogador brasileiro no clube, era difícil para me comunicar, mas por conta disso acabei aprendendo o italiano muito rápido e hoje já me comunico muito bem.

Sentiu diferença no tipo de jogo disputado na Itália em relação ao que se joga no Brasil? No que é diferente?
O jogo no Campeonato Italiano é de muito mais contato e muito mais rápido. Às vezes lembra um jogo de futsal em um campo grande, porque a bola não para.

Os treinamentos dados na Itália são diferentes dos que são dados no Brasil? No que?
Sim, muito diferente. Quando cheguei nosso treinador era italiano e treinávamos muito, muito mesmo. Como geralmente jogamos só aos finais de semana, temos sempre a semana cheia pra trabalhar, e os treinadores na Itália trabalham muito a parte tática, marcação e posicionamento. É um treino muito repetitivo que eles gostam de fazer, se treina muito a parte defensiva. Mais o principal é a parte tática.

No Catania, como é conviver com tantos argentinos? É fácil a comunicação com eles?
Pra quem está de fora, parece até estranho 15 argentinos em um time italiano, mas aqui para nos é tudo muito tranquilo. Todos são pessoas fantásticas, trabalham sempre forte, e comigo sempre procuram me ajudar em tudo. A convivência é muito boa.

O que mudou no time com a chegada de Diego Simeone? É mais fácil ou mais difícil trabalhar com ele?
Com a chegada do Simeone, nós ganhamos um estilo mais sul-americano de jogar, aquele que joga mais solto, com mais liberdade, mas ele cobra muito aquela pegada, que é comum em equipes na Argentina. Nós jogadores temos que sempre nos habituar à filosofia do treinador. Eu não tenho muita dificuldade com a troca de treinadores.

Com quem você tem mais amizade no time?
Eu tenho amizade com todos, mas costumo sair com mais freqüência com o pessoal mais novo, Takayuki Morimoto, Fabio Sciacca, o pessoal da minha idade.

Qual sua expectativa até o final da temporada? Seu contrato vai até quando?
Nosso principal objetivo é a “salvezza” como se fala aqui, que é se manter na Serie A. A minha em particular é continuar a fazer grandes partidas, melhorar como jogador, ter um evolução no meu futebol, penso que isso é muito importante. Meu contrato com o Catania vai até junho de 2015.

Você pensa em ficar na Itália ou pretende voltar ao país?
Eu penso sempre em fazer meu melhor no clube onde estou, porque naturalmente vem uma proposta de um clube grande, independente de ser Brasil ou Itália.

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Equipe Trivela

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