“Quero ser reconhecido no Brasil”

Único estrangeiro tricampeão japonês, maior artilheiro da história do Kashima Antlers e quinto estrangeiro na história a ultrapassar a marca de 100 gols no campeonato local. Esse é Marquinhos “Cambalhota”, ídolo do clube nipônico e praticamente desconhecido em seu país. A alcunha foi recebida nos tempos de Coritiba, em homenagem as suas comemorações, que até hoje estão afiadas, como nos conta na entrevista. Marquinhos fala também sobre sua carreira no futebol asiático, a boa convivência com o treinador Oswaldo de Oliveira e o desejo de voltar ao Brasil.
Quando você se tornou o maior artilheiro da história do clube, qual foi a sensação?
Foi a sensação mais maravilhosa que tive em minha carreira. A partir desse momento eu fiquei marcado para sempre na história do clube. Aprendi a amar o Kashima Antlers nesses três anos em que estou aqui e a quebra desse recorde me dá a condição de ser lembrado para sempre pelos torcedores.
Como está a expectativa do time para a partida contra o Pohang Steelers, atual campeão asiático, pela Champions League?
A Copa da Ásia é umas das competições mais difíceis que temos por aqui. Não é fácil conquistar esse título. Este é o terceiro ano consecutivo que estamos disputando a competição e essa experiência pode nos ajudar mais para frente, nas fases decisivas. Temos confiança de que podemos chegar ao título esse ano.
Você já está há vários anos no Japão. Já pensou em se naturalizar japonês?
A Federação de Futebol do Japão já me procurou diversas vezes propondo a naturalização, inclusive para disputar a Copa do Mundo. Mas até agora não defini nada. O coração brasileiro bate mais forte nesse momento. Mesmo sabendo que minhas chances de jogar pelo Brasil são remotas, sou um patriota e o amor pelo Brasil tem falado mais alto que o sonho de disputar uma Copa. Não é uma coisa fácil de decidir.
Como é trabalhar com Oswaldo de Oliveira?
Foi uma das melhores coisas que poderia ter acontecido na minha carreira. O Oswaldo sempre acreditou no meu trabalho, me passou força. É um prazer poder trabalhar com um profissional vitorioso como ele sempre foi.
Como é andar nas ruas depois desse feito já que é tratado como ídolo no clube?
O reconhecimento dos torcedores japoneses é enorme. É complicado andar na rua aqui. O assédio é muito grande. Acho isso muito bom. É sinal de que tenho feito um bom trabalho.
Qual a diferença que você sentiu nos clubes japoneses por onde passou?
A grande diferença entre todos os clubes e o Kashima Antlers é que aqui a chance de conquistar títulos é bem maior. Mesmo assim, consegui vencer o Campeonato Japonês em 2003 pelo Yokohama Marinos. Aqui já foram três títulos japoneses em três anos. Nos outros clubes brigava mais para não cair de divisão ou por metas mais curtas, como os títulos das copas.
Acredita que o Japão tenha condições de fazer uma boa campanha na Copa do Mundo?
Acho que o Japão conta com bons jogadores e tem condições de fazer uma boa campanha. O problema é que o time não tem um atacante matador, que coloque a bola para dentro nos momentos decisivos. Isso faz a diferença na hora de disputar uma Copa do Mundo. Se você tiver um time competitivo, com um atacante matador, suas chances aumentam muito.
As cambalhotas estão afiadas como nos tempos do Couto Pereira?
Sempre serei especialista em cambalhotas. Isso aí você pode ter certeza (risos). Só que as deixei um pouco de lado aqui no Japão. Faço mais o que vem na cabeça no momento do gol.
Tem intenção de voltar ao Brasil ou já está adaptado ao Japão?
Já me sinto um autêntico japonês por todo esse tempo que estou aqui. Mas meu contrato com o Kashima Antlers acabará no final do ano e estou começando a amadurecer a ideia de voltar ao Brasil. Quero ser reconhecido em meu país como sou aqui. Acho que ainda dá tempo para isso acontecer.
Você está desde 2001 no Japão, 2008 foi o melhor ano para você já que foi eleito o melhor jogador e artilheiro do campeonato?
Sem dúvidas. Conquistamos o título e eu consegui todos os prêmios individuais. Foi uma temporada perfeita, que espero que se repita esse ano. Quero vencer a Liga dos Campeões da Ásia. É o único título que ainda falta no meu currículo no Japão.
Outras matérias deste colaborador no blog: guilhermepannain.wordpress.com


