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“Quero fazer o Spartak campeão”

Muitos jogadores brasileiros sofrem para se adaptar ao futebol russo. Estranham a cultura diferente, enfrentam problemas com o idioma e acabam voltando antes do término do contrato. Alex, no entanto, é um caso oposto.

Há menos de dois anos no Spartak Moscou, o ex-meia do Internacional rapidamente adaptou-se à Rússia e ao novo clube – com quem tem contrato até o final de 2013. Tanto que nesta temporada foi escolhido pelo técnico Valery Karpin como novo capitão. Claro que referendado pelo ótimo futebol demonstrado em campo.

Com a chegada de Mano Menezes ao comando da Seleção Brasileira, a esperança de Alex em retornar para o time foi renovada. E quando o assunto se tornou o futebol brasileiro, a torcida pelo Internacional entrou na pauta. Confira a entrevista exclusiva que o meia concedeu à Trivela.

Você tem sido um dos destaques do Spartak Moscou nesta temporada. Com o Mano Menezes, a esperança de ser convocado aumenta?
Tenho que manter, de qualquer maneira, o meu bom trabalho aqui. A possibilidade só vai existir por causa disso, independente do treinador que estiver à frente da Seleção. Claro que ele pode ter suas preferências, gostar de um ou outro jogador, mas espero que surja essa oportunidade para eu voltar e também conhecer pessoalmente o Mano.

Acha que sua idade (28) pode atrapalhar suas pretensões para 2014?
Ainda tenho muita lenha para queimar. Em 2014 estarei com 32 anos, e nos casos de jogadores que se cuidam, como eu, é uma idade boa. Estarei em plenas condições. O Petkovic, por exemplo, aos 37 anos, fez um grande Brasileiro. Claro que isso depende também do pensamento do Mano. Sei que vai haver uma renovação, mas com uma mescla com jogadores mais experientes.

Muitos brasileiros demoram a se adaptar ao futebol russo. Já você não precisou desse tempo. Por quê?
Eu me preparei para sair. Muitos jogadores saem muito novos, e isso dificulta bastante. Porque é muito difícil essa mudança. Se você sai do Brasil achando que tudo vai ser igual na Rússia, volta mesmo. Aconteceu com o Rafael Carioca, por exemplo [o volante não se adaptou e pediu para voltar ao Brasil. Hoje está emprestado ao Vasco]. Mas eu estou bem aqui, vivo como vivia em Porto Alegre. O Inter me ajudou muito nessa preparação, me deu uma grande bagagem. O meu futebol não sumiu aqui, sigo jogando no mesmo nível.

Você chegou a conversar com o Rafael Carioca na época que ele deixou o Spartak?
O Rafael ficava bastante em casa. Conversamos muito, mas para os mais novos é complicado mesmo. Para ele foi bom voltar, até para ter uma resposta pessoal, e agora está vivendo um grande momento no Vasco. E cada um pensa de uma forma também, não somos robôs.

O Spartak é um dos maiores clubes da Rússia, mas não consegue ir bem no campeonato há muito tempo. A pressão tem sido grande?
Não sinto essa pressão pela falta de títulos, sinto que todos têm sentido a falta de uma grande conquista. Mas a estrutura aqui precisa mudar muito. Quando cheguei, o técnico Valery Karpin conversou comigo e me disse que não encontraria tudo tão bem estruturado como era no Inter. Precisa de três ou quatro anos para organizar tudo, como foi com o Internacional. Mas no ano passado, surpreendentemente, fomos vice-campeões. Só que faltam jogadores vitoriosos no nosso elenco, principalmente russos. O próprio presidente ainda não ganhou uma Copa sequer. Mas o Karpin tem uma mentalidade diferente, jogou 11 anos na Espanha e está mudando muita coisa.

Mas apesar de ídolo no clube, Karpin tem sido bastante contestado. Acha que existe alguma chance de demissão?
Pela imprensa falam isso, mas dentro do clube nunca. Ele mesmo falou para nós que está garantido até o final do ano. Não dá para mudar tudo tão rápido, e ele me disse que esperava que esse ano fosse mais difícil mesmo, porque muitos jogadores achavam que as vitórias viriam como no ano passado e não precisariam se dedicar tanto. Mas ele tem tomado algumas decisões que tem melhorado o time, já afastou alguns jogadores indisciplinados também.

O fato de ele falar espanhol te ajuda bastante?
Facilita muito o entendimento, e ele me compreende também, porque jogou por muitos anos com o Mazinho no Celta de Vigo. E ele confia muito em mim, tanto que me escolheu como capitão.

E essa decisão gerou algum problema com o grupo? Afinal, a cobrança sobre os estrangeiros é sempre muito grande na Rússia, até mesmo pelos próprios companheiros.
Eu era o segundo capitão e havia sido escolhido pelo próprio grupo. Eles me viram como uma liderança positiva no elenco. Como o capitão foi dispensado, o Karpin me indicou. Nunca percebi nada demais, sinto, sim, o respeito dos meus companheiros. Minha conduta me levou a ser o capitão do time.

Já aprendeu a falar russo?
Não estou estudando, mas o basicão eu já peguei. O russo é pouco usado fora da Rússia, então eles aprendem outras línguas, usam muito o inglês. Mas aqui até o nosso roupeiro fala português. O segurança também.

Acha que algum clube terá condições de evitar o título do Zenit nesta temporada?
Eles começaram muito bem, não param de contratar, pegam os melhores russos. Aqui há a necessidade de escalar sempre cinco russos, e por isso é preciso suplência para eles. E não nascem tantos russos talentosos como os brasileiros e espanhóis, por exemplo. A linha do Zenit é essa, de investir, não controlam muito o dinheiro. Já o Spartak investe mais em jovens, gasta menos. Para esse ano vai ser muito difícil tirar o título deles, mas o CSKA, com a chegada do Vagner Love, voltou a ficar muito forte. Tem o Rubin Kazan também, que apesar de ter perdido três jogadores importantes – Domínguez, que foi para o Valencia, e o Semak e o Bukharov para o próprio Zenit – tem um time muito organizado, com um treinador competente.

Tem conseguido acompanhar a trajetória do Internacional na Libertadores? Vai ver a final?
Hoje vou acordar às cinco da manhã para ver a final! Na semifinal também levantei de madrugada, estive no Beira-Rio no jogo contra o Estudiantes…

Virou torcedor do Inter?
De repente me vejo acompanhando o time, procurando os resultados, então virei torcedor do Inter. Posso jogar em qualquer clube, mas não hipocrisia minha, até porque não preciso disso, não preciso fazer média. Sinto um sentimento pelo Inter como sinto pelo Guarani também.

Como foi o começo em Campinas?
Cheguei em 1999 no Guarani, vindo do Primavera, de Indaiatuba. Disputei a Taça São Paulo de 2000 e em 2001 o clube fez uma parceria com o Pirassununguense. Daí, nessa época, a Federação Paulista criou a Série B-3, sexta divisão estadual. Amadorzão mesmo! E o Guarani enviou alguns jogadores e fui nessa leva. Havia muito jogador no Brinco de Ouro mesmo, o Guarani sempre foi muito forte na base. E lá eu mostrei ao Guarani o que eles ainda não tinham visto e voltei para o time principal. No final de 2002 já estava com os profissionais e em 2003, no primeiro jogo do Campeonato Paulista, já joguei. No ano seguinte surgiu o interesse do Internacional e me transferi.

O que pensa para o futuro: voltar logo para o futebol brasileiro ou tentar uma transferência para outro centro europeu?
Não sei quando voltar, mas penso em retornar em alto nível. Disputar outra Libertadores, conquistar o Campeonato Brasileiro, que ainda não tenho, mas agora o meu pensamento é fazer uma boa Liga dos Campeões. Com isso tenho certeza que haverá uma grande repercussão. Quero fazer o Spartak campeão, vencer, conquistar um título na Rússia, isso seria muito legal para a minha carreira. Mas é claro que penso, também, em jogar por algum grande clube europeu também.

E a expectativa para a Liga dos Campeões?
Sinceramente é duro criar alguma expectativa, ainda mais com a maneira como estamos jogando agora. Nosso elenco é muito jovem, mas o futebol reservas algumas coisas inesperadas. Com a mudança de pensamento imposta pelo Karpin, ele deu uma sacudida no grupo. Precisamos, também, esperar o sorteio para ver nosso grupo, mas a expectativa é fazer algo decente na Liga dos Campeões.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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