Quem irá para a(s) Primeira(s)?

Sim, as primeiras divisões são uma das principais coqueluches no fim da temporada europeia. Muitos acompanham a Inter à beira do tetracampeonato, na Itália. Ou, na Espanha, o Barcelona também com o título encaminhado. Ou ainda o Manchester United começar a sofrer ameaças mais concretas do Liverpool, na Inglaterra. Ou até a emocionante briga pela ponta na Alemanha. E por aí vai.
No entanto, também estão próximas das conclusões as segundas divisões dos principais campeonatos do Velho Continente. E elas mostram cenários alternativos. Se, na Bundesliga 2, o Greuther Fürth tem boas chances de chegar à Bundesliga principal, 13 anos após sua fundação, na Ligue 2 francesa, os três primeiros colocados são exatamente os três rebaixados da temporada passada: Lens, Metz e Strasbourg, respectivamente.
E se, na Inglaterra, o Birmingham City está próximo da volta imediata à Premier League, na Espanha, o Xerez também luta em boas condições por um acesso inédito à Primeira División. A vaga direta para a divisão de elite parece a caminho da definição na Holanda, onde o primeiro colocado da Eerste Divisie está seis pontos à frente do vice-líder.
Vejamos o que acontece nos principais campeonatos europeus da Segunda Divisão, então.
Inglaterra
A Football League Championship segue, há dezessete temporadas, o mesmo formato: com 24 clubes, os dois primeiros colocados sobem direto para a Premier League, enquanto, do terceiro ao sexto lugar, há um play-off, o League Championship Playoff, para definir o terceiro classificado à Premier. O emparceiramento coloca frente a frente 3º contra 6º e 4º contra 5º, em uma “semifinal” com jogos de ida e volta. Os vencedores decidem, em jogo único, quem será o dono da terceira vaga na Liga Inglesa – e também o vencedor do League Championship Playoff Trophy.
Nas duas vagas diretas, por enquanto, Wolverhampton Wanderers e Birmingham City estão com uma ligeira vantagem em relação a quem vem atrás. Empurrados pelos gols de Sylvan Ebanks-Blake, artilheiro do Championship (24 gols), e pela boa fase do outro atacante, Chris Iwelumo, os Wolves, treinados pelo irlandês Mick McCarthy, aparecem na ponta, com 77 pontos, cinco pontos à frente do Birmingham City. Os Blues de Alex McLeish, por sua vez, mesmo após a queda em 2007/08, têm uma equipe mais experiente, com jogadores como o goleiro Maik Taylor e o meia James McFadden – além de reforços já experimentados na Premier League, como Lee Bowyer e Scott Sinclair. Com 72 pontos, estão seguros na vice-liderança e as chances de um retorno imediato são boas.
O equilíbrio é maior, mesmo, na briga pelo mata-mata que define a terceira vaga. Do Reading, 3º colocado, ao Cardiff City, 6º, a diferença está em apenas cinco pontos. No meio, figuram Sheffield United (4º) e Burnley (5º). O Preston North End, em 7º, com 61 pontos, também aspira à vaga. Na parte de baixo da tabela, o Charlton Athletic parece cada vez mais condenado à queda para a League One (equivalente à Terceira Divisão inglesa), com 29 pontos, 14 atrás do primeiro time livre da degola, o Plymouth Argyle. Acompanhando os Addicks, mas ainda com esperanças de ficarem, estão o Southampton (23º, 40 pontos) e o Nottingham Forest (22º, 41 pontos).
Itália
Com 22 times, a Serie B transalpina já sofrera uma defecção antes mesmo de começar. Sem dinheiro e sem investidores para solucionar as dívidas, o Messina foi rebaixado e começou a temporada na Serie D. O substituto dos giallorossi foi o Avellino. No regulamento, três clubes sobem e quatro são rebaixados. Os dois primeiros colocados garantem vaga na próxima Serie A do Calcio, enquanto os três últimos caem para a Lega Pro Prima Divisione. Para definir o terceiro classificado e o quarto rebaixado, há a possibilidade de deixar os play-offs de lado. Caso o 3º lugar termine a Serie B dez pontos à frente do quarto, ele também ganha vaga direta. Caso contrário, o mesmo sistema usado na Inglaterra é aplicado: 3º contra 6º e 4º contra 5º, com os dois vencedores definindo o acesso em duas partidas. No rebaixamento, se o 19º colocado estiver a cinco ou mais pontos do 18º, também cai direto. Não sendo o caso, ambos jogam duas partidas. Quem terminar com a vitória no placar agregado, termina também com a permanência na Serie B.
Mas a temporada atual, por ora, parece exigir a necessidade dos mata-matas. O Livorno, 3º colocado, com 54 pontos, supera o Brescia, 4º, por apenas três pontos. Enquanto os Amaranti tem o artilheiro do torneio em Francesco Tavano (18 gols), os Biancoazzurri conseguem manter a chance do acesso, mesmo com a demissão do técnico Serse Cosmi, ainda no início da temporada. Entre os outros dois que atuariam na decisão da terceira vaga, uma surpresa: jogando pela primeira vez a Serie B, após o título da Lega Pro Prima Divisione passada, o Sassuolo continua mantendo-se em alta. Em sexto lugar, com 50 pontos, superando o Empoli no saldo de gols, a equipe permanece sonhando com o que seria um acesso histórico. Em 5º lugar, também impressionando bem, o Albinoleffe, empatado em pontos (51) com o Brescia.
Enquanto isso, nas duas primeiras colocações, Bari e Parma voam em velocidade de cruzeiro. Os Galletti, com 63 pontos, e os Gialloblù, com 59, abriram boa vantagem em relação aos outros e parecem bem encaminhados para abiscoitarem as duas vagas diretas. No rebaixamento, Avellino e Treviso ocupam, respectivamente, penúltimo e último lugar, sofrendo com perda de pontos (os Lobos perderam dois, ficando com 28, e o Treviso, quatro, restando 27). Contudo, a diferença para o Modena, primeiro dos rebaixados diretos, com 32 pontos, ainda é superável. No “play-off da Morte”, por enquanto, estão Mantova (18º, com 38 pontos) e Salernitana (19º, com 36).
Alemanha
O regulamento da Bundesliga.2 ficou mais compreensível com o advento, nesta temporada, da 3.Liga, que substituiu a Regionalliga como a Terceira Divisão alemã. Com 18 equipes, dois sobem direto, enquanto o terceiro colocado disputa um mata-mata com o antepenúltimo colocado da Primeira Divisão. Na definição do descenso, último e penúltimo lugares caem para a 3.Liga, ao passo que o 16º colocado também disputa duas partidas para definir a permanência (ou o rebaixamento) contra o 3º lugar da Terceira Divisão.
O equilíbrio observado na Bundesliga.1 também dá o tom na Segunda Divisão germânica. O líder é o Freiburg, com 48 pontos. Mas, apenas três pontos atrás, vem o SpVgg Greuther Furth, fundado em 1996, que busca a primeira participação de sua história na Bundesliga. Além disso, tem o artilheiro da competição, o tunisiano Sami Allagui, com 14 gols. Entretanto, o clube do trevo de quatro folhas também sofre com o assédio do Mainz, na terceira posição, apenas um ponto atrás. Kaiserslautern, Duisburg (este com o outro artilheiro da Bundesliga.2, o congolês Makiadi). Do lado do rebaixamento, a queda do futebol da antiga Alemanha Oriental é comprovada com a dura campanha do Hansa Rostock, penúltimo colocado, só melhor do que o Wehen. Por enquanto, quem disputaria os play-offs com o terceiro colocado da 3.Liga seria o Ingolstadt.
Espanha
Com 22 clubes, a Segunda División não conta com play-offs para definir acesso ou descenso, com três clubes ganhando vaga direta em La Liga e quatro sendo rebaixados à Segunda División B.
O cenário espanhol parece prometer mais novidades. Ao mesmo tempo, também se pauta pelo equilíbrio. Sem competir na principal divisão desde a temporada 2001/02, o Tenerife detém a ponta atualmente, com 55 pontos. No entanto, apenas um ponto o mantém a frente do surpreendente Xerez. Sem nunca ter competido na elite, os Xerecistas, confiando no americano Josmer “Jozy” Altidore e nos atacantes Antoñito e Momo Figueroa, permanece na segunda posição, sonhando com o acesso.
Mas o equilíbrio prossegue nas três posições seguintes, com Hercules, Rayo Vallecano e Zaragoza separados também por apenas um ponto. O último também conta com o goleador maior da temporada, o brasileiro Ewerthon, que marcou 20 gols. Na zona de rebaixamento, embora clubes como o Celta de Vigo sofram com a ameaça, quem ocupa os lugares são ocupados por Sevilla B, Alicante, Eibar e Alavés (sim, o vice-campeão da Copa Uefa 2000/01).
França
Seguindo esquema parecido com o espanhol – 20 clubes, subindo três e descendo três -, a Ligue 2 francesa traz o campeonato menos empolgante. Os três clubes que lideram o campeonato são exatamente os mesmos rebaixados da Ligue 1 na temporada passada: Lens, Strasbourg e Metz. Os Sang et Or, com 53 pontos, lideram, ao passo que o Racing e os Grenás empatam em pontos (52), mas com aqueles ganhando no saldo de gols (+14 contra +13). Porém, o destaque do campeonato não pertence a nenhum dos três ponteiros, e sim ao quarto colocado. Quatro pontos atrás do Metz, o Montpellier vem se valendo da ótima temporada do colombiano Victor Montaño, artilheiro da competição, com 13 gols, e considerado melhor jogador da Ligue 2 nos meses de outubro e dezembro.
O rebaixamento é o fator de certa surpresa na Ligue 2. Dos que ascenderam nesta temporada, somente o Olympique Nimes é freqüentador assíduo da zona do descenso (penúltimo colocado, com 27 pontos, um à frente do lanterna Stade Reims). Já Vannes e Tours, os outros classificados da temporada passada, vão emplacando boas campanhas, figurando na primeira metade da tabela, respectivamente em sétimo e oitavo lugares. O terceiro integrante da degola, por sua vez, é o Châteauroux.
Holanda
Explicar o regulamento da Eerste Divisie, a segunda divisão holandesa, é um desafio à parte. Com 20 times, somente o campeão tem acesso direto à Eredivisie. A liga é dividida em seis períodos, cada um contendo seis partidas. Caso um dos vencedores de período seja também o campeão, ou mesmo se já venceu um período anterior, entra o clube imediatamente melhor colocado abaixo dele. Cada vencedor de período tem lugar garantido nos play-offs da Nacompetitie, competição disputada após a temporada regular que incluirá, ainda, 16º e 17º colocados da Eredivisie. E o vencedor da Nacompetitie, aí sim, estará classificado à Primeira Divisão.
No descenso, somente o último colocado cai rumo à Hoofdklasse, equivalente à terceira divisão. Na atual temporada, houve a mudança no sistema de acesso da Hoofdklasse, que permite a subida de seu campeão. Entretanto, pelo caráter amador de vários dos times, subir implica o aumento de vários custos. Ou seja: caso o campeão geral não suba, qualquer um dos campeões dos seis grupos que a formam podem pleitear a vaga. E, se um clube da Eerste Divisie não obtiver a licença para a temporada seguinte, será rebaixado no lugar do lanterna. Deu para entender?
Sanadas as dúvidas, vamos ao detalhamento de como anda a temporada. O campeão da Jupiler League (não confundir com o Campeonato Belga – a Jupiler, cervejaria belga, patrocina os dois torneios) parece praticamente definido. A quatro rodadas do fim, o VVV-Venlo, rebaixado da Eredivisie anterior, desponta tranquilo na liderança, distante seis pontos do vice-líder RKC Waalwijk. O principal destaque dos Venlöers reside na dupla de ataque: juntos, o holandês Sandro Calabro e o japonês Keisuke Honda marcaram 33 dos 71 gols do VVV na Eerste Divisie. Como vencedores dos períodos, Excelsior Rotterdam, Telstar, Zwolle e Top Oss estão garantidos na Nacompetitie. Competindo pela última vaga, estão RKC, Cambuur Leeuwarden (cujo treinador, Stanley Menzo, levou o Volendam à conquista da Eerste Divisie passada) e MVV.
Portugal
Na Liga de Honra lusa, quem dá as cartas é o Olhanense. A equipe de Olhão, cidade localizada no Algarve, mantém a liderança do torneio, com 42 pontos. O destaque é o brasileiro Djalmir, o artilheiro, com 18 gols em 20 jogos, formando admirável média de 0,9 gols por jogo. O fato de ter a maior sequência de vitórias consecutivas no campeonato, quatro, e de conseguir melhores resultados em casa ajuda os “Leões de Olhão” a manter a ponta, mesmo com a constante perseguição do Santa Clara, na segunda posição, com um ponto atrás. Ambos estão ocupando, assim, as duas vagas que dão acesso à próxima Superliga, no torneio de 16 equipes. Nas duas vagas que seriam rebaixadas para a Segunda Divisão, estão Oliveirense e Gondomar.


