Quando se fala em times grandes, há discussões acaloradas como os critérios que fazem um time ser maior do que outro. No éxico, o que não há discussão é que dois times são indubitavelmente grandes: Chivas de Guadalajara e América. Os dois possuem tradição (são clubes fundadores da liga profissional, só para ficar no básico), mas dois outros fatores também importantes: títulos e torcida.

O Chivas de Guadalajara é o maior campeão da era profissional no México (a partir de 1943), com 11 títulos conquistados. O América é o segundo maior campeão, com dez títulos. O Toluca, com sete, é o terceiro maior campeão mexicano, seguido por Cruz Azul (8), Pumas (6), Pachuca e León (5). Em termos de torcida, uma pesquisa de 2008 da Televisa (um dos maiores grupos televisivos do mundo) mostrou que o time mais popular do México é o Chivas de Guadalajara, com 23% da preferência dos torcedores do país. O rival histórico, América, está um ponto percentual atrás, com 22%. O terceiro colocado é o Cruz Azul, com 14%, seguido por Pumas, com 10% e Atlas, com 3%.

O país tem o seu maior clássico justamente entre América e Chivas de Guadalajara, “El Clásico ”. O jogo entre América e Cruz Azul é chamado de “El Clásico Joven”. Sua importância é nacional pela importância dos clubes atualmente no cenário de futebol mexicano, mas a disputa é regional. Os dois times são da capital, Cidade do México.

Há outros jogos considerados como clássicos e temperados pela disputa regional. O Clásico Tapatío é disputado entre Chivas de Guadalajara e Atlas, os dois times mais importantes da cidade de Guadalajara. O Atlas, embora não seja tão vencedor quanto o Guadalajara, é parte dos clubes fundadores. Um dos mais importantes nesse quesito é Monterrey e Tigres, chamado de Clásico Regiomontano, disputando o título, simbó, de melhor time da cidade.

Um clássico de importância recente é entre América e Pumas, chamado de Clásico Capitalino. A rivalidade surgiu pelas disputas nas finais do campeonato de 84-85. Os dois primeiros jogos terminaram empatados por 0 a 0 e 1 a 1, pela ordem. No terceiro jogo, o América venceu por 3 a 1, com uma arbitragem muito controversa de Joaquím Urrea, com decisões que favoreceram aos Águias. O episódio, conhecido como “La Noche Negra de Querétaro”, em referência a cidade onde foi realizada a partida.

Campeonato

O é dividido em duas partes, cada uma disputada em um semestre: Apertura e Clausura. A fórmula de disputa da primeira divisão coloca os 18 times divididos em três grupos de seis. Todos jogam contra todos uma vez no Apertura e o mesmo no Clausura, com os mandos de campo invertidos. Classificam-se os dois primeiros de cada grupo e mais os dois times melhores posicionados na classificação . Se ao final dos jogos, dois times estiverem empatados em pontos na classificação geral, os critérios de desempate são:

– saldo de gols;
– gols marcados;
– confronto direto;
– gols como visitante;
– sorteio.

Nas quartas de finais e nas semifinais, caso haja empate em pontos e saldo, o critério de desempate é a classificação geral da primeira fase. Na final, não há esse critério. Em caso de empate, é disputada prorrogação e se o empate persistir, pênaltis.

Rebaixamento e acesso

Um time é rebaixado anualmente para a Liga de Ascenso, a segunda divisão. O time rebaixado é aquele que tiver a pior porcentagem de pontos divididos por partidas na primeira divisão nos últimos três anos (seis torneios). Na segunda divisão, também são disputados Apertura e Clausura, sendo que os campeões de cada um dos torneios se enfrentam, em jogo de ida e volta, para garantir o acesso à primeira divisão.

Regra “20/11”

Exige que as equipes coloquem em campo jogadores com menos de 20 anos e 11 meses por uma cota mínima de 1000 minutos nas 17 rodadas da competição. O clube que não cumprir a determinação será punido com a perda de três pontos ao final da fase de classificação. A medida visa a renovação constante e aumento do nível do futebol mexicano.

Surpresas

A atual fórmula de disputa é usada desde 2002, quando o Campeonato passou a ser chamado de Apertura (segundo semestre) e Clausura (primeiro semestre seguinte). No Apertura de 2002, o primeiro com esse nome, o vencedor foi o Toluca, depois de vencer uma surpresa na final, o Morelia. No Clausura de 2003 foi a vez do Monterrey, de Daniel Passarella, bater novamente o Morelia.

No Apertura de 2007, o Atlante venceu a final contra o Pumas e sagrou-se campeão. O time surpreenderia novamente, desta vez no torneio continental, a Liga dos Campeões da Concacaf, ao vencer a primeira edição nesse formato em 2009. O time chegou ao Mundial de Clubes, onde acabou derrotado pelo Barcelona, campeão europeu.

O Santos Laguna surpreendeu no Clausura de 2008, quando venceu a final contra o Cruz Azul e tornou-se campeão. Em 2009, o Monterrey foi a surpresa ao ser campeão, eliminando América nas quartas de final, Toluca na semifinal e batendo o Cruz Azul na final.

Finanças

Os clubes mexicanos não têm dependência de transferências para sobreviver. As principais receitas dos clubes são os patrocínios e de bilheteria. Somente as fornecedoras de material esportivo representam cerca de 30% das receitas dos clubes. Os contratos de patrocínio dos clubes variam entre € 1,2 milhão e € 1,7 milhão. Esse valor, porém, é alcançado com muitos patrocinadores diferentes, podendo chegar até 12 em alguns clubes. Cada espaço no tem um preço diferente, mas os valores não variam muito entre os clubes de primeira divisão.

O principal fator de saúde financeira dos clubes mexicanos são os contratos de televisão. Os clubes podem negociar de maneira independente os direitos dos jogos com as redes de TV, o que os clubes podem fazer com mais de uma rede. Alguns clubes vendem seus direitos com exclusividade para uma determinada rede de TV, que exibe seus jogos.

Redes como Televisa e TV Azteca, no México, Telemundo e Univision, nos EUA, mostram os jogos dos times mexicanos para os dois países da América do Norte. São dois grandes mercados para o futebol, especialmente para o público latino que vive nos EUA. Além dessas duas redes, a Sky Latin America e a Fox Sports LA têm direitos exclusivos sobre algumas partidas.

A Federação Mexicana de Futebol usa uma fórmula de disputa que beneficia maiores premiações no sistema playoff, apreciado pelos americanos, potencial mercado externo do Campeonato Mexicano. Com o sistema, a Federação Mexicana de Futebol buscou impedir que alguns clubes caíssem na falência.

Com um grande montante de dinheiro vindo das diversas redes de TV preenchendo boa fração da receita, mais a receita de bilheteria, patrocínio e fornecimento de material esportivo e premiações mais viáveis, os clubes mexicanos se fortaleceram e conseguiram trazer jogadores de melhor nível de alguns dos principais países da América do Sul, especialmente Argentina e Brasil. Essa fórmula mais estável de receitas permite gastos com salários que clubes do Brasil e da Argentina não conseguem competir – especialmente o segundo, que vive crise econômica acentuada há algum tempo.

Mudança de cidade

O Atlante jogava suas partidas no Estádio Azteca, na Cidade do México, até o primeiro semestre de 2007. A cidade tem diversos times, sendo dois deles dos mais populares do país: América e Cruz Azul. O resultado disso foi um estádio com capacidade para 105 mil pessoas, a média de público do time era baixa, dando sempre a sensação de estádio vazio. A diretoria do clube então resolveu fazer uma mudança drástica: sair da Cidade do México.

O Atlante mudou-se para Cancun, e jogar no Estádio Olímpico Andrés Quintana Roo, com capacidade de 20 mil espectadores. A mudança teve motivos também financeiros. Além de tentar atrair mais público, toda a melhora na estrutura do estádio, assim como transporte para a nova sede, foi bancada pelo governo do Estado de Quintana Roo.

A mudança, porém, não agradou aos torcedores do time, que fizeram diversos protestos na capital, em frente à sede do clube. Torcedores organizados deram declarações dizendo que muitos não iam ao estádio por serem contra a gestão do presidente da época, José Antonio García. Foram feitos protestos também em frente à casa de Alejandro Burillo, dono da equipe. Apesar dos protestos, a mudança foi efetivada e na primeira temporada jogando em Cancun, o clube foi campeão do Apertura 2007 – o último título nacional foi na temporada 92/93. O Atlante foi além: venceu também a Liga dos Campeões da Concacaf na temporada 08/09, conquistando o a participar do Mundial de Clubes. O público não vai muito além dos 13 mil espectadores, mas o clube conseguiu sucessos importantes na sua história – e se tornou uma das atrações turísticas da cidade do Caribe.