“Precisamos de um ‘9’ puro”

Ele foi um dos grandes centroavantes argentinos nos anos 90 e jogou três Copas do Mundo; 1990, 94 e 98. Abel Balbo bateu um papo conosco por telefone para contar o que pensa do próximo clássico entre Brasil e Argentina pelas eliminatórias para o Mundial da África do Sul, em 2010. O ex-atacante de Udinese e Roma foi sombra de Gabriel Batistuta na seleção argentina e na perseguição pela artilharia de várias edições do campeonato italiano durante a década passada. Lapidado na base do Newell’s Old Boys pelo conceituado descobridor de talentos Jorge Griffa, nos ‘leprosos’ foi contemporâneo de Gamboa, Sensini e após ser vendido foi substituído por…Batistuta!
Balbo, que também atuou pelos rivais River Plate e Boca Juniors (assim como Batistuta…) mostrou-se preocupado com a carência de um finalizador típico de área em seu país, além de falar do seu fantástico grau de adaptação ao calcio e a Itália, onde vive até hoje.
Para um jogador como você que atuou em três Copas do Mundo, como analisa o momento delicado que a Argentina vive para enfrentar o Brasil pelas eliminatórias?
O Brasil está melhor, tranqüilo e com confiança pela conquista da Copa das Confederações na África do Sul, mas um clássico mundial é sempre muito equilibrado. Maradona vem fazendo um bom trabalho, a derrota para a Bolívia por 6 a 1 foi extra-futebolístico, jogar na altitude é complicado mesmo. Acredito que contra o Brasil será muito parelho.
Nas últimas décadas a Argentina se caracterizou por ter excelentes centroavantes, altos e típicos predadores de área como você, Valdano, Batistuta e Crespo, além de outros menos expressivos como Cruz e Palermo. Hoje os baixinhos e móveis Messi, Tévez e Aguero são os mais regulares no ataque.
É verdade, não temos atualmente um ‘9’ puro como em outras épocas, o único que se aproxima disso é o Diego Milito, que agora trocou o Genoa pela Internazionale, mas no geral são raros, ainda esperamos por um…
O técnico Marcello Lippi disse que os argentinos se adaptam com mais facilidade ao futebol italiano em relação aos outros sul-americanos. Como analisa esse tema?
Nós argentinos nos adaptamos ao futebol italiano com certa facilidade porque são países onde a vida é parecida; cultura e clima principalmente. Mas acredito que vai muito da personalidade de cada jogador. Muitos brasileiros estão indo muito bem em lugares considerados difíceis como Rússia e Ucrânia, por exemplo.
Você jogou treze anos na Itália e quando voltou a Argentina atuou alguns meses no Boca Juniors antes de parar de jogar em 2002. O que mudou no futebol argentino quando você voltou?
Na Argentina se corre muito e joga-se pouco. Não é um futebol bonito como antes.
E o clássico Boca Juniors e River Plate? Você já esteve pelos dois lados..
É lindo de jogar pela rivalidade, pelo que representa para o povo e pelo espetáculo. É o tipo de jogo que você se sente mais forte.
Qual foi o defensor mais duro que encontrou na carreira?
Pietro Vierchowod. Minha nossa, como eu sofria! Enfrentei os melhores do mundo, mas teve um que tive a sorte de ter ao meu lado. Aldair. Ele foi um dos melhores do mundo..
(n.d.r. Vierchowod, ex-Roma, Sampdoria e Juventus, jogou até os 41 anos e fez 45 jogos pela seleção da Itália. Era italiano, mas filho de um soldado ucraniano)
Quais os treinadores mais marcantes que teve?
Todos tiveram uma importância, mas eu citaria o Carlo Mazzone e o Zdenek Zeman, trabalhei com os dois na Roma. Ambos distintos. Carletto Mazzone era como um pai, mais emocional, sempre muito próximo dos jogadores. Zeman era esquemático e a fantasia (criatividade e capacidade de improviso) não contava nada.


