Sem categoria

Polster: “Falhamos demais!”

Apesar de ser o maior goleador de todos os tempos pela Áustria, ele não gosta muito de falar do passado na seleção, mas nota-se que se empolga ao relembrar os muitos gols que marcou durante os quase 20 anos de carreira por Áustria, Itália, Espanha e Alemanha. Anton Polster, hoje um cantor de 45 anos, bateu um papo conosco sobre sua carreira. Conhecido por brigar pela artilharia mesmo atuando por equipes de meio da tabela em campeonatos de grande relevo como o espanhol e o alemão, o objetivo e atencioso “Toni” nos concedeu uma entrevista “con mucho gusto”, como ele mesmo diz, conservando um ótimo espanhol. 

Depois da geração que tinha você e o meia Andreas Herzog, o futebol austríaco nunca mais teve um jogador que empolgasse o público e a seleção coleciona fiascos. Como analisa os últimos dez anos?
Nossa geração falhou demais, não somos insubstituíveis. Isso é tudo.

Você trabalhou durante muitos anos na seleção com dois dos principais técnicos austríacos, Josef Hickersberger e Herbert Prohaska. Como analisa a contribuição deles para o futebol da Áustria?
São diferentes, porém, muito bons. Prohaska teve sorte porque todos os jogadores que atuavam fora do país eram figuras importantes em seus clubes, atualmente poucos austríacos jogam fora e olha que na minha época só era permitido dois ou três estrangeiros por clube.

A Áustria só teve placares apertados e jogos muito parelhos nas Copas de 1990 e 98. Você diria que o elenco era limitado ou os detalhes lhes tiraram uma classificação para as oitavas-de-final?
No Mundial de 1990 não éramos tão fortes quanto em 1998. A má sorte na Copa do Mundo da França, em 98, foi que o adversário mais fraco
veio logo no primeiro jogo e não no último, onde tivemos que ganhar da Itália e não de Camarões.

Sendo um atacante forte no choque, talhado para o calcio, porquê saiu do Torino depois de ficar somente uma temporada?
Eu não estava gostando de jogar na Itália. O time sempre se defendendo com dez homens atrás da linha da bola e apenas eu na frente. Não era a minha filosofia de futebol.

Quais as recordações que você tem do Júnior, lateral da seleção brasileira na Copa de 82 e que é um dos grandes ídolos da história do Torino?
Eu só treinei com ele, Júnior estava de saída para o Pescara. Uma excelente pessoa e como jogador nem se fala. Um exemplo para todos.

Maradona foi o artilheiro na temporada que você esteve no calcio.
Sim, nós eliminamos o Napoli na Copa da Itália ganhando por 3 a 2 onde eu marquei o gol da vitória. Ele era um fenômeno, o maior jogador do mundo, porém, já falhando como pessoa…

Porquê na Espanha tudo foi tão bem para Polster?
Porque se joga para ganhar e não para não perder.

No Sevilla você foi treinado pelo argentino Roque Olsen, que faleceu anos depois (junho de 1992). Ele é um dos 22 maiores goleadores da história do Real Madrid.
Era uma grande pessoa, o que necessitávamos naquele momento. Ele nos deixava jogar facilmente e com isso ganhávamos muitas partidas.

A disputa pela artilharia na Espanha na virada dos anos 80 para os 90 ficava entre você, o Hugo Sanchez, o Butragueño e até o brasileiro Baltasar.
Sim, eu pressionei e empurrei Hugo até a marca dos 38 gols e eu em segundo com 33 (1989/90). Se ele disputasse a liga 100 anos, venceria o prêmio ‘Pichichi’ 99 vezes! Era um goleador tremendo!

Parece que na Alemanha a disputa na tabela de goleadores era mais acirrada na sua época com Kirsten, Chapuisat, Paulo Sérgio, Élber…
(interrompendo) E Yeboah, do Eintracht Frankfurt! O problema é que eu jogava numa equipe mais fraca que os meus rivais (Colônia FC), então, só deu pra levar duas vice-artilharias.

A Bundesliga tem um futebol mais duro que na Espanha, não? Teve dificuldades?
Não, na Alemanha se corre mais, já na Espanha se joga mais. Cada um com as suas características. Os alemães trabalham muito duro para triunfar!

Que tipo de treinador é Morten Olsen, uma figura notável no futebol dinamarquês e que foi seu técnico por muitos anos no Colônia FC?
Um professor, sempre extremamente didático. Assim como Jose Camacho e David Vidal, ele foi um dos melhores técnicos que eu tive.

Você jogou muitos dérbis: Rapid x Áustria Viena, Torino x Juventus, Sevilla x Bétis. Apesar das diferentes regiões e culturas, a essência é a mesma, não?
Sim, as cidades se partem em duas e os perdedores tem de conviver com brincadeiras ao longo da semana, enquanto os ganhadores desmoralizam sem pena.

Sempre gostou do futebol brasileiro?
Sim, me encantava o Bebeto. Atualmente gosto do Kaká, do Milan, e do Diego, do Werder Bremem. A lista é longa. O Brasil tem a maior reserva de grandes jogadores no mundo.

Temos grandes platéias para shows de rock no Brasil. Quando veremos você e sua banda por aqui?
Opa! Estou pronto, é só chamar! (risos).

 

Mostrar mais

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo