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“Podemos surpreender”

Único brasileiro alinhando no Bnei Sakhnin, solitário clube de raiz árabe que disputará a Liga Israelense 2007/8, o centroavante Leandro Simioni (foto ao lado) falou à Trivela sobre a expectativa da modesta equipe do norte de Israel, que retorna a elite do futebol na Terra Santa.

Bastante direto nas respostas, o avançado paulista falou da preparação para a estréia frente o poderoso Maccabi Haifa, no Kiryat Eliezer Stadium, casa do adversário, e principalmente da atmosfera dentro do seu clube, onde o atacante, de quase 33 anos, garante ser a mais amistosa possível.

Experiente, o ex-jogador da Portuguesa afirma não temer o conhecido fanatismo das torcidas israelitas e muito menos a já tradicional perseguição da imprensa local aos futebolistas estrangeiros. Ele também garante:“Pelo pouco que tenho acompanhado das equipes aqui, acho que podemos surpreender”.

Vocês irão estrear fora de casa contra uma das potenciais do país, que é o Maccabi Haifa. O que o técnico Elisha Levy tem dito para vocês sobre este adversário? Já existe uma estratégia para surpreendê-los?
O que o Elisha tem nos alertado é justamente a velocidade dos contra-ataques do Maccabi Haifa. Eles são realmente um dos grandes times de Israel, então temos que ter consciência disso e jogar com cautela, e claro, explorando os contra-ataques por estarmos fora de casa. Mas vamos jogar de igual pra igual com eles, com respeito ao grande time que é o Maccabi Haifa, mas sem medo de enfrentá-los de frente. Temos jogadores de qualidade também, e dentro de campo são 11 contra 11.

Das três vezes que o Bnei Sakhnin disputou a Liga Israelense, nunca passou do 10º lugar. Para esta temporada existe a expectativa de ir mais longe?
Eu nunca acompanhei o futebol de Israel, nem sabia quem era o Bnei Sakhnin, então não posso falar do que o time veio apresentando nestes anos que passaram. Eu vejo a nossa equipe como um time de potencial, jogadores aguerridos e com qualidade também, e pelo pouco que tenho acompanhado dos outros times aqui, acho que podemos surpreender…

O objetivo é só a permanência na 1ª divisão? o que a diretoria tem pedido para os jogadores e comissão técnica?
Desde que cheguei aqui nunca ouvi falar em simplesmente permanecer na 1ª divisão. Eu vim para cá sabendo que o Sakhnin não é uma grande equipe, mas que tem pensamento sempre de vitórias, de jogar para ganhar. Não podemos começar assim, pensando que se permanecermos na 1ª divisão já está bom….não, temos que pensar grande e jogar como grande…

O bilionário dono do Beitar Jerusalém, Arcadi Gaydamak, talvez numa tentativa de se auto-promover politicamente com um ato generoso, doou muita grana para o Bnei Sakhnin formar um bom time e voltar à divisão de elite do futebol de Israel. A figura do Gaydamak é bem falada ai no clube?
Me desculpe, mas na verdade a maior pessoa que eu conheço no Sakhnin é o presidente do clube, o senhor Mazen Genaim. E a respeito de dinheiro, doação, promoção política, não sei nada sobre isso… mas se algo foi feito para promover a paz entre judeus e árabes, tem todo meu apoio…

Depois que caiu para segundona, o Sakhnin perdeu muito público. Neste retorno a 1ª divisão você tem notado que os torcedores na cidade estão animados e irão acompanhar com força total novamente ou não há empolgação?
Ainda não jogamos em casa, então não posso dizer, mas ouvi falar que é uma torcida fanática que ama o Sakhnin e a cidade. Acho isso muito bom e motivante, espero que eles lotem o nosso estádio nos jogos…

Vocês jogarão no Doha Stadium, que é um estádio pequeno onde só cabem 5 mil pessoas. Se os torcedores lotarem, isso será benéfico para a equipe ou a pressão pode atrapalhar já que se trata de um time que ainda busca uma afirmação no cenário nacional?
Não vejo o grupo como um time jovem, tirando algumas exceções, então a ansiedade não será problema. Temos jogadores experientes e rodados. Particularmente prefiro sempre casa cheia! Dentro ou fora de casa.

Como foi a pré-temporada? Deu pra colocar todo mundo em forma e acertar o time?
Em forma sim, com certeza. Foram dois meses de preparação física e técnica. É lógico que entrosamento e conjunto vai se adquirindo no decorrer das partidas, mesmo porque ainda existe vaga para mais um estrangeiro no time, e outros jogadores que vão chegar…

Por esse tempo de preparação você tem notado que o nível é mais alto que a 2ª divisão alemã?
Acho que não, pelo contrario, a 2ª divisão da Alemanha é um futebol de forca, também veloz, e muito técnico, e acho que se supera pela quantidade de times do mesmo nível, e torna o campeonato mais competitivo.

Qual o idioma usado durante os treinos da equipe? Quais os jogadores que você tem mais contato?
É sempre o Hebreu, mas o Elisha esta sempre traduzindo em inglês. A maioria dos jogadores fala e entende bem o inglês, assim não temos problemas de comunicação. Tenho mais contato com Leo Krupnik (norte-americano), zagueiro, porque estamos morando juntos até a chegada da minha família, em setembro.

O maior artilheiro do Sakhnin em uma temporada foi Oren Muharer, que fez 16 gols em 2000/1. Você acha que pode superá-lo este ano?
É sempre difícil falar de gols, fazer previsões, acho que o importante é fazer boas partidas, e uma boa assistência é muito importante também. É lógico que, como atacante, tenho sempre que buscar o gol, mas nunca ser egoísta, e observar a melhor opção.

Muitos dizem que os estrangeiros são perseguidos pela imprensa de Israel. Considera-se que é um dos países mais difíceis para um estrangeiro se firmar. Você tem sentido que a pressão é maior do que nos outros países que você jogou?
Não sei dizer porque ainda não começou o campeonato, mas eu fui muito bem recebido aqui. Acho que quando a gente faz um bom trabalho, se dedica a equipe, e é profissional no que faz, só atrai coisas boas. A cobrança é natural e a adaptação depende de pessoa para pessoa.

O Gustavo Boccoli, do Maccabi Haifa, e o Schwenck, que acabou de deixar o Beitar Jerusalém, nos contaram que o futebol israelense é veloz, de muita força, e bem jogado. Quais as impressões que você teve do futebol israelense desde que chegou?
A minha visão é exatamente a mesma, um futebol que vem crescendo cada dia mais…

Como é a relação entre os jogadores árabes, judeus e estrangeiros dentro do grupo do Sakhnin?
É incrível o que agente ouve falar da relação entre árabes e judeus. No nosso clube eu nem sei dizer quem é quem, a não ser pelo biótipo. Todos se comunicam, brincam e se dão muito bem. Acho que o futebol é o esporte que une os povos, as diferenças sociais, políticas e religiosas.

Existe algo curioso e diferente que você notou no comportamento dos jogadores, comissão técnica, ou torcida?
Curioso eu creio que a cultura deles, isto é, tudo é um pouco diferente, o carinho e a relação entre o mais velho e o mais novo, a comida, os momentos de oração dos árabes, enfim..
Mas tem uma coisa engraçada, quando um jogador mais novo corta o cabelo, cada um, mais velho, que passa, dá um ‘puta tapa’ na nuca do cara….engraçado é que tudo se aceita na boa. (gargalhadas).

*Nossos agradecimentos a Shimon Zlot, que possibilitou o contato.

FICHA

Nome: Leandro Vilas Boas Simioni
Local de Nascimento: São Paulo-SP
Data de Nascimento: 29/09/1974
Carreira:
1994: Portuguesa
1995: Portuguesa
1996: XV de Piracicaba-SP
1996/7: Cercle Brugge-BEL
1998: Sai Kung Friends-Hong Kong
1999: Sai Kung Friends-Hong Kong
2000: Sai Kung Friends-Hong Kong
2000/1: Yee Hope-Hong Kong
2001: Yokohama Marinos-JAP
2002: Santa Cruz-PE
2003: Santa Cruz-PE
2003/4: Rot-Weiss Oberhausen-ALE
2004/5: Rot-Weiss Oberhausen-ALE
2005/6: Rot-Weiss Oberhausen-ALE
2007: Bandeirante-SP
2007/8: Bnei Sakhnin-ISR

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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