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Podem torcer o nariz por diversos motivos, mas Pelé é o melhor nome para acender a Pira

Pelé foi notícia nesta quinta, véspera da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de 2016. O Atleta do Século* tem sido cogitado como figura responsável por acender a pira da Rio-2016, mas tenta desconversar, alegando possíveis conflitos comerciais e limitações físicas. Sua eventual escolha será polêmica, mas será acertada.

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As pessoas mais ligadas ao universo olímpico provavelmente apontarão uma série de outros personagens mais adequados. Atletas que realmente disputaram Olimpíadas, atletas que provoquem menos polêmica por atitudes na vida pessoal/comercial, atletas que simbolizem causas (sobretudo se for a causa de apoio ao esporte olímpico).

Todos os argumentos são válidos. Dentro deles, nomes como Gustavo Kuerten, Robert Scheidt, Torben Grael, Oscar e uma série de jogadores de vôlei seriam levantados. Outros poderiam surgir por representarem alguma mensagem, como Aida dos Santos (mulher, negra), Vanderlei Cordeiro de Lima (o injustiçado da maratona de 2004) ou Daniel Dias (supercampeão paraolímpico).

De fato, qualquer uma dessas figuras mereceria essa honra. Mas existe uma questão que nenhum deles resolve: cerimônia de abertura e de encerramento dos Jogos Olímpicos servem para criar imagens que ficarão na cabeça das pessoas por décadas e décadas. É como o diretor de um filme épico que sabe que precisa caprichar na fotografia na sequência de batalha.

Pelé traz esse apelo. No Brasil, ficamos acostumados a criticar, zoar ou nos decepcionar com Pelé, provavelmente por termos um contato muito mais próximo e constante com ele. Mas o pentacampeão mundial (três com a Seleção, duas com o Santos) ainda tem muita força no planeta.

A maior prova disso é de outra notícia desta quinta: a declaração de Jürgen Klopp que, quando conheceu Pelé, “só conseguia ficar tremendo”. É esse o efeito que o Rei ainda desperta. Ele ainda é uma entidade, uma figura tida como inatingível pelo mundo.

Mas a escolha de Pelé não é justificável apenas do ponto de vista cinematográfico. Seu título de atleta do século 20 é discutível, mas certamente ele está entre os cinco maiores de todos os tempos de todos os esportes. Não disputou os Jogos Olímpicos por culpa do regulamento olímpico, que proibiu atletas profissionais até a década de 1980. Como se profissionalizou aos 16 anos, Pelé não pôde defender o Brasil em 1960, quando teria quase 20.

De qualquer modo, o COI reconhece a importância do brasileiro como ícone do esporte. Em 1999, ele foi eleito atleta do século pela entidade. Há menos de dois meses, recebeu a Ordem Olímpica, maior condecoração dada pelo comitê. Apenas outros dois brasileiros tiveram a mesma honra, Maria Lenk e Adhemar Ferreira da Silva.

Ainda que o futebol seja um estranho no meio do programa olímpico e Pelé nunca tenha disputado os Jogos, ele é a maior figura esportiva do Brasil. E o mundo olímpico reconhece isso. Colocá-lo para acender a pira não tem nada de absurdo. Pelo contrário.

*Não vou discutir se é justo ou não, o fato é que ele ganhou esse título do jornal francês L’Équipe em 1981, da agência de notícias britânica Reuters em 1999 e do Comitê Olímpico Internacional também em 1999.

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Ubiratan Leal

Ubiratan Leal formou-se em jornalismo na PUC-SP. Está na Trivela desde 2005, passando por reportagem e edição em site e revista, pelas colunas de América Latina, Espanha, Brasil e Inglaterra. Atualmente, comenta futebol e beisebol na ESPN e é comandante-em-chefe do site Balipodo.com.br. Cria teorias complexas para tudo (até como ajeitar a feijoada no prato) é mais que lazer, é quase obsessão. Azar dos outros, que precisam aguentar e, agora, dos leitores da Trivela, que terão de lê-las.

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