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Pimenta nos olhos dos outros…

Um caso de “corpo-mole” visando benefício de dois times na Copa de 1982 causou uma bronca danada da parte de muita gente: Alemanha Ocidental e Áustria, em partida da fase de grupos do Mundial, contentaram-se com o placar de 1 a 0 para os alemães, o que era satisfatório para as duas equipes. E péssimo para a Argélia, que tinha conquistado feito histórico para a nação africana em Copas: obteve sua primeira vitória em sua estreia em Mundial, batendo a bicampeã mundial Alemanha Ocidental por 2 a 1 em Gijón, no Estádio El Molinón.

O “jogo da vergonha” (leia mais sobre a partida aqui) manchou a história das Copas e criou uma onda de protestos incessantes por parte dos argelinos, tamanha a “injustiça” das duas equipes. Falta de espírito esportivo, desrespeito, vergonha. Estas foram as difamações mais leves proferidas pela boca dos fanáticos da nação africana que fez história no torneio.

E quem iria esperar que esta mesma Argélia, vítima de atitude “vil” dos países europeus, poderia um dia virar vilã?

Na atual edição da Copa Africana de Nações, a seleção da Argélia, com uma vitória e uma derrota, precisava de apenas um empate contra Angola para avançar às quartas de final, mesmo com a vitória do Mali sobre o Malaui, em jogo que era disputado ao mesmo tempo. O interesse pelo placar equilibrado era do país anfitrião e das Raposas do Deserto…

Pois como já ouvimos algumas vezes por aí, “o resultado só poderia ser o que aconteceu exatamente”: as duas nações contentaram-se com um 0 a 0, em partida sonolenta e de um futebol bastante pobre.

O Mali protestou ante a Confederação Africana de Futebol (CAF) nesta terça-feira contra a falta de fair play dos países e, pra apimentar ainda mais o mal-estar, o técnico da Argélia fez questão de se pronunciar: “Respeitei as regras, mas restavam apenas 20 minutos, e o Mali vencia por 3 a 1”, disse com naturalidade Rabah Saadane.

“Conhecemos as regras e sabíamos que se o Mali vencesse, avançaríamos. Então, disse aos jogadores: ‘Agora parem. Ou façam um gol ou deixem o empate — absolutamente o mínimo”.

Parece que o amargo acontecimento de 1982 não mais perturba os argelinos. Se existia algum país que não poderia jamais se dar o direito de dar de ombros à ética e tomar uma posição dessas, era a Argélia. Mas não foi bem o que o elenco de Saadane mostrou em campo nesta CAN.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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