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Período moderno

LOS ANGELES 1984

Para os Jogos de 1984, a Fifa e o COI decidiram mudar a regra que permitia apenas a participação de atletas oficialmente amadores no futebol. Era uma forma de valorizar e dar um tom mais realista ao torneio, dominado por países da Europa Oriental desde 1952. Foi até um momento oportuno, pois o boicote liderado pela União Soviética tirou praticamente todos os países comunistas da disputa. A partir das Olimpíadas de Los Angeles, poderiam disputar os Jogos atletas profissionais que nunca tivessem participado de Copas do Mundo.

Era a brecha que o Brasil precisava para sonhar pela primeira vez com o ouro olímpico. O fato de muitos clubes não haverem cedido seus jogadores não tirou as possibilidades daquela seleção, composta basicamente por atletas do Internacional e dirigido por Jair Picerni, técnico do Corinthians na época.

A primeira fase deu motivos para otimismo, com 100{a12cf170529acbd7b36c6d9566dcea6b97d0f72dc979800f5851fcdd34e7d94a} de aproveitamento que tinha a Alemanha Ocidental (com os futuros campeões mundiais Brehme e Buchwald), Marrocos (time que viria a se tornar a revelação da Copa de 86) e Arábia Saudita. Os alemães-ocidentais ficaram com o segundo lugar no grupo.

Nas outras chaves também não houve grandes surpresas. França e Chile superaram Noruega e Catar, Iugoslávia (único país do Leste Europeu a disputar o futebol olímpico em 84) e Canadá passaram por Camarões (de Roger Milla) e Iraque e Itália e Egito deixaram pelo caminho Estados Unidos e Costa Rica.

Nas quartas-de-final, o Brasil teve problemas. Após um empate em 1×1 com o Canadá (o gol brasileiro foi de Gilmar Popoca), a vaga nas semifinais foi decidida nos pênaltis. O Brasil venceu por 5×3 e continuou sua busca pelo ouro. O favoritismo também prevaleceu nas outras partidas, com vitórias de Itália, França e Iugoslávia sobre Chile, Egito e Alemanha Ocidental.

O Brasil decidiu com a Itália uma vaga na final e a garantia da conquista de uma medalha olímpica. A azzurra também estava com um time forte, com Tancredi, Vierchowod, Ferri, Filippo Galli, Franco Baresi, Bagni, Serena, Fanna e Massaro. O jogo terminou em 1×1, mas, na prorrogação, um gol do lateral-direito Ronaldo deu a vitória ao Brasil. Na outra semifinal, a França fez 2×0 no primeiro tempo, mas permitiu o empate iugoslavo. No prolongamento, os franceses fizeram mais dois gols e também chegaram à sua primeira final olímpica na modalidade.

Para azar do Brasil, 1984 parecia ser o ano da França. A seleção principal conquistara, em casa, a Eurocopa dois meses antes. Em Los Angeles, foi a vez da equipe olímpica garantir um título ao futebol gaulês. A vitória por 2×0 sobre o Brasil veio com dois gols no segundo tempo. Ainda assim, a prata foi o melhor resultado dos brasileiros na história do futebol olímpico.

FICHA TÉCNICA
França 2×0 Brasil

Local: estádio Rose Bowl (Los Angeles-EUA)
Público: 101.970
Árbitro: Jan Keizer (Holanda)
França: Rust; Jeannol, Bibard, Zanon e Ayache; Lacombe, Bijotat e Rohr; Lemoult, Brisson (Garande) e Xuereb (Cubaynes)
Brasil: Gilmar; Ronaldo, Pinga, Mauro Galvão e André Luís; Dunga, Ademir e Tonho (Milton Cruz); Silvinho, Gilmar Popoca e Kita (Chicão)
Gols: Brisson (10/2º) e Xuereb (17/2º)

Classificação final: 1º França 2º Brasil, 3º Iugoslávia, 4º Itália, 5º Alemanha Ocidental, 6º Canadá, 7º Chile, 8º Egito, 9º Estados Unidos, 10º Noruega, 11º Camarões, 12º Marrocos, 13º Costa Rica, 14º Iraque, 15º Catar, 16º Arábia Saudita

SEUL 1988

Após duas edições com mega-boicotes, os Jogos de Seul voltariam a ter Estados Unidos, União Soviética e alguns de seus mais importantes coadjuvantes. Só Cuba ficou de fora, mas isso tem pouca relevância no futebol. E aquele foi o mais interessante torneio de futebol da história olímpica.

As quatro seleções mais vitoriosas do esporte – Brasil, Alemanha Ocidental, Itália e Argentina – estavam na Coréia do Sul com equipes competitivas. Outra força era a União Soviética, que não contava mais com a vantagem do amadorismo de fachada, mas ainda era uma seleção de respeito.

O Brasil estava mais forte que em Los Angeles, levando alguns dos nomes que conquistaram o bicampeonato mundial Junior em 1985 e outros ogadores de destaque no futebol doméstico. Para se ter uma idéia, na seleção de Carlos Alberto Silva estavam atletas como Romário, Taffarel, André Cruz, Jorginho, Neto, Bebeto, Valdo, Ricardo Gomes e Mazinho.

Na primeira fase, o Brasil foi supremo, vencendo a forte Iugoslávia (de Stojkovic, Suker e Katanec, com base no time campeão mundial Junior em 1987), a Austrália e a ainda inofensiva Nigéria. Em um resultado surpreendente, os australianos venceram os iugoslavos e ficaram com o segundo lugar no grupo.

Mas nenhuma surpresa foi tão grande quanto a vista no grupo B. Tudo começou como esperado, com goleada da Itália sobre a Guatemala (5×2) e empate entre Zâmbia e Iraque (2×2). No entanto, na segunda rodada, os africanos venceram os italianos por humilhantes 4×0, dois gols do jovem Kalusha Bwalya. Na rodada final, os zambianos fizeram outro 4×0 (agora na Guatemala) e garantiram o primeiro lugar no grupo. A Itália teve de vencer o Iraque para poder passar de fase.

Nos outros grupos, resultados relativamente normais. Suécia e Alemanha Ocidental ficaram à frente de Tunísia e China e União Soviética e Argentina passaram por Coréia do Sul e Estados Unidos. Curiosamente, a classificação soviética foi assegurada com uma vitória por 4×2 sobre os norte-americanos.

Após os resultados da primeira fase, Zâmbia começou a ser vista com grande respeito. Por isso, a forma como os africanos caíram diante da Alemanha Ocidental foi surpreendente, uma goleada por 4×0. também fácil foi a vitória da União Soviética sobre a Austrália (3×0). A Itália de Tacconi, Virdis, De Agostini, Rizzitelli e Carnevale, agora vista com desconfiança, venceu a boa Suécia de Limpar, Dahlin e Thern por 2×1 na prorrogação.

Para o Brasil, a vaga nas semifinais viria após uma dramática vitória em um clássico contra a Argentina. Claramente superiores, os brasileiros não conseguiam passar pela defesa platina. Até que, aos 31 do segundo tempo, Geovani pegou a bola em um rebote e ameaçou lançar. O goleiro Islãs tentou adivinhar o lance e se deslocou para a esquerda. Vendo o gol aberto, Geovani mudou a jogada e chutou direto ao gol, pegando o goleiro argentino no contra-pé.

Na primeira semifinal, a União Soviética empatou em 1×1 com a Itália. Na prorrogação, fizeram dois gols e garantiram a vaga. Os italianos até diminuíram no último minuto, mas não adiantou.

Houve emoção nessa partida, mas o melhor jogo do torneio foi protagonizado por brasileiros e alemães-ocidentais. Comandados por Hässler e Klinsmann, os germânicos saíram na frente aos 6 minutos do segundo tempo. Após muita pressão, Romário empatou para o Brasil. Na prorrogação, a Alemanha Ocidental teve um pênalti a seu favor, mas Taffarel defendeu a cobrança de Klinsmann. A decisão foi para os pênaltis e, mais uma vez, o goleiro brasileiro desequilibrou, defendendo mais uma cobrança.

O Brasil chegou como favorito à final e o gol de Romário – que assegurou a artilharia do torneio ao atacante vascaíno – só confirmava essa tendência. No entanto, os soviéticos equilibraram a partida no segundo tempo e conseguiram um empate de pênalti. Na prorrogação, o Brasil tomou a iniciativa e, em uma falha de André Cruz, Savichev aproveitou um contra-ataque e deu o ouro aos soviéticos.

FICHA TÉCNICA
União Soviética 2×1 Brasil

Local: estádio Olímpico (Seul-CSU)
Público: 73 mil
Árbitro: Gerard Biguet (França)
União Soviética: Kharine; Ketashvili, Yarovenko, Gorlukovich e Losev; Kuznetsov, Dobrovolski, Mikhailichenko e Tatarchuk; Liuty (Skliyarov) e Narbekovas (Savichev)
Brasil: Taffarel; Luís Carlos Winck, André Cruz, Aloísio e Jorginho; Andrade, Milton e Neto (Edmar); Careca, Bebeto (João Paulo) e Romário
Gols: Romário (30/1º), Dobrovolski (17/2º, de pênalti) e Savichev (14/1º da prorrogação)
Cartões vermelhos: Tatarchuk (5/2º da prorrogação) e Edmar (13/2º da prorrogação)

Classificação final: 1º União Soviética, 2º Brasil, 3º Alemanha Ocidental, 4º Itália, 5º Zâmbia, 6º Suécia, 7º Austrália, 8º Argentina, 9º Iraque, 10º Iugoslávia, 11º Coréia do Sul, 12º Estados Unidos, 13º Tunísia, 14º China, 15º Nigéria, 16º Guatemala

BARCELONA 1992

Após duas tentativas frustradas de conseguir o ouro, o Brasil começou a tratar o futebol olímpico com uma importância maior que o normal. Por isso, preparou uma equipe forte para o Pré-Olímpico, que já refletia as novas orientações da Fifa. Agora, seriam permitidos apenas jogadores com menos de 24 anos nos Jogos Olímpicos, com exceção de 3 atletas.

No torneio classificatório, disputado no Paraguai, a seleção começou bem e até bateu a equipe da casa – que contava com Arce e Gamarra – na primeira fase. No entanto, as falhas da defesa foram fatais diante da Colômbia de Asprilla e a decisão da vaga ficou para a última rodada. Bastava uma vitória simples diante da fraca Venezuela, mas o Brasil conseguiu ficar em um empate em 1×1. Na outra chave do pré-Olímpico, a Argentina também se complicou e ficou atrás de Uruguai e Chile. Assim, paraguaios, chilenos, uruguaios e colombianos disputaram as duas vagas para as Olimpíadas de Barcelona. Melhor para os guaranis e os cafeteros.

Sem Brasil e Argentina, o favoritismo ficou para Espanha e Itália. Os donos da casa confirmaram as expectativas e ficaram em primeiro lugar em seu grupo, à frente de Catar, Egito e da decepcionante Colômbia (última da chave). A Itália passou, mas não conseguiu desenvolver seu jogo. Venceu os Estados Unidos com dificuldade (2×1), foi goleada pela Polônia (0x3) e bateu o frágil Kuait por 1×0. No grupo mais equilibrado do torneio, Gana e Austrália desclassificaram México e Dinamarca. Na chave restante, Suécia e Paraguai passaram por Coréia do Sul e Marrocos.

O primeiro jogo das quartas-de-final colocou as duas equipes favoritas antes das Olimpíadas começarem. Em um jogo equilibrado e pouco empolgante, a Espanha mereceu vencer a Itália por 1×0. Também passaram as duas equipes que despontavam como surpresas e possíveis campeãs: Gana (4×2 sobre o Paraguai na prorrogação) e Polônia (2×0 no Catar). A zebra da fase foi a Austrália, que venceu por 2×1 a Suécia.

A Polônia confirmou que tinha chances sólidas de ficar com o ouro ao massacrar a Austrália por 6×1 na primeira semifinal. Enquanto isso, a Espanha vencia Gana por 2×0. Na final em um Camp Nou lotado, os poloneses saíram na frente. Os espanhóis viraram, mas tomaram o empate em seguida. Nos descontos, após uma cofusão na área eslava, Kiko Narváez fez o gol do título espanhol.

FICHA TÉCNICA
Espanha 3×2 Polônia

Local: estádio Camp Nou
Público: 95 mil
Árbitro: José Torres Cadena (Colômbia)
Espanha: Toni; López, Solozábal, Abelardo e Lasa (Amavisca); Ferrer, Guardiola, Luis Enrique e Berges; Alfonso Pérez e Kiko
Polônia: Klak; Lapinski, Waldoch, Kozminski e Jalocha (Swierczewski); Staniek, Brzeczek, Kobylanski e Gesior; Kowalczyk e Juskowiak
Gols: Kowalczyk (44/1º), Abelardo (20/2º), Kiko (27/2º), Staniel (31/2º) e Kiko (46/2º)

Classificação final: 1º Espanha, 2º Polônia, 3º Gana, 4º Austrália, 5º Itália, 6º Catar, 7º Suécia, 8º Paraguai, 9º Estados Unidos, 10º México, 11º Coréia do Sul, 12º Egito, 13º Dinamarca, 14º Colômbia, 15º Marrocos, 16º Kuait

ATLANTA 1996

Após a frustração dos Jogos de Barcelona, o Brasil montou a melhor equipe de futebol para a disputa de umas Olimpíadas. Com uma geração prolífica em talentos, Zagallo pôde juntar jovens como Ronaldo, Roberto Carlos, Dida, Juninho Paulista, Flávio Conceição, Zé Elias e Sávio a “veteranos” foram Bebeto, Aldair e Rivaldo.

O favoritismo brasileiro era evidente. Durante a preparação, um vice-campeonato da Copa Ouro (perdendo do México na final), o título do Pré-Olímpico – disputado na Argentina – e uma vitória sobre uma seleção mundial em um amistoso realizado nos Estados Unidos uma semana antes dos Jogos de Atlanta. Apenas a Argentina parecia ter forças para encarar a seleção brasileira. Os platinos estavam com alguns jogadores que formam parte da base atual, com Cavallero, Crespo, Ortega, Zanetti, Almeyda, Chamot, Simeone, Ayala e Gallardo.

Mas toda expectativa sobre a seleção brasileira ruiu na estréia. Com uma falta de desenvoltura absurda, o time não conseguiu levar perigo ao gol do Japão e, em um contra-ataque, Aldari e Dida trombaram e deixaram a bola livre para Ito dar a vitória aos orientais. Na segunda partida, nova trombada entre Aldair e Dida e o Brasil saiu perdendo da Hungria, de volta ao futebol olímpico depois da prata de 1972. Mas Ronaldo, Juninho Paulista e Bebeto garantiram a virada. A classificação veio com uma vitória magra e sofrida diante da Nigéria, 1×0, gol de Ronaldo. Com isso, Nigéria, Brasil e Japão empataram na liderança, com 6 pontos cada seleção. Sul-americanos e africanos passaram pelo saldo de gols.

A Argentina também passou com certo aperto. Após vencer os Estados Unidos e empatar com Portugal, a seleção platina garantiu a classificação com novo empate, contra a Tunísia. Ao lado dos platinos ficaram os portugueses. Estados Unidos ficaram logo atrás, mas estavam fora.

Dos grandes, o único que não superou as zebras foi a Itália. Mesmo com talentos como Pagliuca, Cannavaro, Nesta, Delvacchio e Tommasi, a azzurra ficou em último lugar no Grupo C, com uma vitória sobre a Coréia do Sul e derrotas para México e Gana. Os aztecas surpreenderam e ficaram em primeiro, seguido dos africanos. Só não houve resultados inesperados no Grupo B, em que França e Espanha foram muito superiores a Austrália e Arábia Saudita.

Nas quartas-de-final, o Brasil jogou sua única partida realmente convincente, ao bater Gana de virada (4×2). A Nigéria passou pelo México por 2×0, Portugal precisou da prorrogação para eliminar a França de Pires, Makelele e Wiltord (2×1) e a Argentina arrasou a Espanha de Raúl (4×0), tomando o favoritismo do instável Brasil.

Nas semifinais, o Brasil voltou a enfrentar a Nigéria. Havia um otimismo em torno da seleção verde-amerela após a vitória sobre a própria Nigéria e a boa seleção ganesa. E isso ficou mais acentuado após o gol de fdlávio Conceição no primeiro minuto de jogo. A Nigéria empatou em um gol contra de Roberto Carlos, mas, ainda no primeiro tempo, o Brasil fez 3×1 com Flávio Conceição e Bebeto.

A vaga na final chegava com certa tranqüilidade até que, aos 33 do segundo tempo, Ikpeba diminui a diferença. Os nigerianos começaram a pressionar em busca do empate e, já nos descontos, conseguiram levar a partida para a prorrogação com um gol de Kanu após confusão na área e falha de Dida. Na morte súbita, Kanu marcou novamente e o Brasil estava fora da final.

A outra vaga ficou com a Argentina, que bateu Portugal por 2×0. Com isso, brasileiros e lusitanos disptuaram a medalha de bronze. Em um jogo em que os portugueses pareceram extremamente desconcentrados, o Brasil fez 5×0 sem muita dificuldade. Decepcionada com o terceiro lugar, a seleção nem esperou a final, no dia seguinte, para compor o pódio e receber as medalhas. Recebeu após aquela partida e voltou ao Brasil.

Na decisão, os argentinos estiveram duas vezes em vantagem (1×0 e 2×1), mas cederam o empate para os nigerianos nas duas vezes. Vale dizer que o primeiro gol dos africanos foi duramente contestado pelos platinos por suposto impedimento de Babayaro. Quando o jogo aprecia destinado à prorrogação, Amunike virou para os nigerianos, que conquistaram o ouro.

FICHA TÉCNICA
Nigéria 3×2 Argentina

Local: estádio Sanford (Athens-EUA)
Público: 86.100
Árbitro: Pierluigi Collina (Itália)
Nigéria: Dosu; Obaraku (Oruma), West, Okechukwu e Babayaro; Oliseh, Ikpeba (Amunike), Okocha (Lawal) e Amokachi; Babangida e Kanu
Argentina: Cavallero; Zanetti, Ayala, Sensini e Chamot; Bassedas, Almeyda, Ortega e Morales (Simeone); Claudio López e Crespo
Gols: Cláudio López (3/1º), Babayaro (28/1º), Crespo (5/2º), Amokachi (29/2º) e Amunike (47/2º)

Classificação final: 1º Nigéria, 2º Argentina, 3º Brasil, 4º Portugal, 5º Fraca, 6º Espanha, 7º México, 8º Gana, 9º Japão, 10º Estados Unidos, 11º Coréia do Sul, 12º Itália, 13º Austrália, 14º Tunísia, 15º Arábia Saudita, 16º Hungria

SYDNEY 2000

O Brasil passou sem grandes dificuldades pelo Pré-Olímpico, organizado em Londrina. Isso criou um grande clima de otimismo para a conquista do inédito ouro nos Jogos. E foi quando começaram os problemas.

A idéia inicial era chamar três jogadores acima de 23 anos, como Romário, que dava declarações se “oferecendo” para o técnico Vanderlei Luxemburgo na convocação olímpica. No entanto, o grupo do Pré-Olímpico começou a rejeitar a idéia, considerando que seria suficiente manter os jovens para a disputa dos Jogos de Sydney. Luxemburgo decidiu aceitar a sugestão dos garotos para evitar problemas no ambiente.

Mas o próprio treinador tinha problemas. Investigado pela CPI do Futebol, era acusado de ser “gato” (teria mentido a idade quando jovem para jogar em um time de futebol) e de ter negócio ilícitos. Desmoralizado, internamente, teve pouco comando do grupo, que não era bom como o de Atlanta, mas tinha jogadores de nível internacional como Ronaldinho Gaúcho, Alex e Lúcio.

Na primeira fase, o Brasil estreou bem, com uma vitória sobre a Eslováquia de virada (3×1). Em seguida, a seleção perdeu por 3×1 da África do Sul após uma atuação ridícula. A vaga na segunda fase teve de ser decidida contra o Japão, líder e uma das surpresas do torneio. Com um gol de Alex aos 5 minutos do primeiro tempo, o time de Luxemburgo ficou em primeiro lugar, já que a Eslováquia venceu a África do Sul.

Houve resultados inesperados em todos os grupos. No A, as favoritas Itália e Nigéria se classificaram, mas tiveram muitas dificuldades para passaram da perigosa seleção de Honduras. A Austrália decepcionou e, em casa, não fez um ponto sequer. No Grupo B, o Chile mostrou o melhor futebol da primeira fase. Liderada pelo atacante Zamorano, la roja venceu Marrocos e Espanha com facilidade. Em um jogo que praticamente não valia nada, perdeu para a Coréia do Sul. Os espanhóis ficaram com a segunda vaga da chave. No Grupo C, A República Tcheca ficou em último, atrás de Kuait, Camarões e Estados Unidos. Os norte-americanos estavam com uma seleção forte e garantiram o primeiro lugar. Os camaroneses também passaram, azar do Brasil.

Na segunda fase, os africanos se encontraram com a seleção brasileira. Em outra atuação muito fraca, o Brasil não conseguiu conter os avanços de Camarões e saiu perdendo. Com um jogador a mais, os verde-amarelos tentaram prssionar em busca do empate, mas não conseguiam armar uma jogada com perigo real. Até que, nos descontos, o time africano cometeu uma falta na entrada da área. Ronaldinho Gaúcho empatou na cobrança e levou o jogo para a prorrogação. Melhor, na falta cometida, Camarões teve mais um expulso. Mas, mesmo com dois homens a mais no gramado, o Brasil não conseguiu entrar na defesa camaronesa e, pior, tomou um gol no cotnra-ataque. Novamente o ouro tinha de esperar.

No confronto de surpresas, Estados Unidos e Japão empataram em 2×2. A classificação norte-americana veio nos pênaltis. A Itália, que não entusiasmou em momento algum no torneio, também ficou de fora, perdendo para a Espanha por 1×0 com um gol de gabri aos 41 do segundo tempo. Por fim, o Chile seguia em sua caminhada impressionante ao fazer 4×1 na favorita Nigéria.

Na primeira semifinal, os espanhóis souberam usar sua superioridade e controlaram os Estados Unidos: 3×1. Na outra partida da fase, o Chile dominou Camarões e saiu na frente aos 33 do segundo tempo com um gol contra de Abanda. Poderiam ter feito mais, mas os árbitros marcaram vários impedimentos inexistentes contra os sul-americanos. No desespero, os camaroneses partiram para o ataque e empataram aos 39, com Mboma (um dos “veteranos” e líder do time). Aos 44, os camaroneses conseguiram um pênalti e viraram de forma inesperada e injusta. Ao Chile restou o consolo da medalha de bronze com uma vitória por 2×0 sobre os Estados Unidos.

Camarões chegou à final como favorita, mas as falhas da defesa no primeiro tempo permitiram que a Espanha fizesse 2×0. Na segunda parte, os africanos conseguiram empatar em 15 minutos. Estranhamente, não conseguiram a vitória,a gol provável, já que os ibéricos ficaram com dois jogadores a menos. Na decisão por pênaltis (a primeira de uma final olímpica), Camarões conseguiu o segundo ouro consecutivo para o futebol africano.

FICHA TÉCNICA
Camarões 2×2 Espanha (5×3 nos pênaltis)

Local: estádio Australia (Sydney-AUS)
Público: não divulgado
Árbitro: Felipe Ramos Rizo (México)
Camarões: Kameni; Wome, Abanda, Nguimbat (Kome) e Branco (Epalle); Lauren, Geremi, Alnoudji (Meyong Ze) e Mimpo; Mboma e Eto'o
Espanha: Aranzubia; Puyol, Lacruz, Marchena e Amaya; Albelda, Xavi, Velamazan (Gabri) e Angulo (Capdevila); José Mari e Tamudo (Ferron)
Gols: Xavi (2/1º), Gabri (45/1º), Amaya – contra (8/2º) e Eto’o (13/2º)
Cartões vermelhos: Gabri (25/2º) e José Mari (45/2º)

Classificação final: 1º Camarões, 2º Espanha, 3º Chile, 4º Estados Unidos, 5º Itália, 6º Japão, 7º Brasil, 8º Nigéria, 9º Coréia do Sul, 10º Honduras, 11º África do Sul 12º Kuait, 13º Eslováquia, 14º República Tcheca, 15º Austrália, 16º Marrocos

ATENAS 2004

Apesar de ter uma geração talentosa, com Robinho, Kaká, Diego e Nilmar, o Braisl não passou do Pré-Olímpico. Problemas na formação da equipe – incluindo a não-convocação de Kaká por falta de liberação do Milan – enfraqueceram a Seleção, que caiu diante de Argentina e, no jogo decisivo, Paraguai. Se serve de consolo, os sul-americanos aproveitaram bem a vaga nos Jogos de Atenas.

Na primeira fase, o grande personagem foi o Iraque. O país ainda estava em guerra e esperava-se que apenas faria figuração nos gramados gregos. Mas a estréia já mostrou que as coisas seriam diferentes. Diante de uma seleção portuguesa que contava com Cristiano Ronaldo, Bosingwa, Fernando Meira e Hugo Almeida, os iraquianos surpreenderam. Saíram atrás, mas viraram a partida e venceram por 4 a 2. Na rodada seguinte, venceram a Costa Rica e asseguraram a classificação por antecipação. A derrota para Marrocos na última partida da primeira fase não evitou que o time asiático ficasse em primeiro lugar na chave, seguido pela Costa Rica. Portugal foi a decepção, com apenas três pontos e a lanterna da chave.

A empolgação com os surpreendentes iraquianos acabou ofuscando a Argentina, que já mostrou que era a favorita destacada ao ouro. Na primeira fase, foram três vitórias em três jogos, nove gols feitos e nenhum sofrido. O destaque foi a estréia com 6 a 0 sobre Sérvia-Montenegro. A segunda posição do grupo ficou com a Austrália, que superou a Tunísia no saldo de gols.

Os outros dois grupos da primeira fase foram mais equilibrados. No Grupo A, Máli e Coréia do Sul se classificaram com 5 pontos, um a mais que o México. A anfitriã Grécia foi eliminada com 1 ponto. No Grupo B, Paraguai e Itália se classificaram. Gana esteve muito perto de passar de fase, mas perdeu para o Japão na última rodada.

Nas quartas-de-final, prevaleceu a tradição. O Paraguai passou aperto, mas venceu a Coréia do Sul por 3 a 2 (chegou a fazer 3 a 0). A Argentina seguiu sua campanha irretocável com um 4 a 0 sobre a Costa Rica e a Itália fez 1 a 0 em Máli. No jogo de surpresas, o Iraque ficou muito próximo da medalha ao bater a Austrália por 1 a 0.

O sonho iraquiano do ouro acabou contra o Paraguai. Com um futebol mais equilibrado, tendo Gamarra orientando a defesa e Cardozo decidindo no ataque, os paraguaios fizeram 3 a 1 nos asiáticos. Na outra semifinal, a Itália de Gilardino, Pirlo e De Rossi sucumbiu diante do futebol mais rápido, incisivo e coletivo dos argentinos. Tevez, Lucho González e Mariano González fizeram os gols nos 3 a 0.

A decepção italiana não foi maior porque, na disputa do bronze, Gilardino deu a vitória por 1 a 0 da Azzurra sobre o Iraque. Na final, a Argentina fez o suficiente para vencer. Tevez (artilheiro da competição com 8 gols) marcou aos 18 minutos e, depois disso, a Albiceleste apenas administrou a vantagem. O Paraguai estava desfalcado de Cardoz, tirando boa parte das opções ofensivas. Para piorar, teve dois jogadores expulsos no segundo tempo.

Seria a primeira medalha de ouro da Argentina em Olimpíadas desde 1952. No entanto, horas antes, a seleção de basquete masculino havia quebrado os 52 anos de jejum olímpico ao vencer a Itália na final. A prata do futebol foi a primeira medalha do Paraguai na história dos Jogos Olímpicos.

FICHA TÉCNICA
Argentina 1×0 Paraguai

Local: estádio Olímpico (Atenas-GRE)
Público: 41.116 pagantes
Árbitro: Kyros Vassaras (Grécia)
Argentina: Lux; Coloccini, Ayala, Heinze e César Delgado (Clemente Rodríguez); Mascherano, Kily González, D’Alessandro e Rosales; Lucho González e Tevez.
Paraguai: Diego Barreto; Emilio Martínez, Manzur, Gamarra e Esquivel (Julio González); Aureliano Torres, Edgar Barreto (Cristaldo) e Figueredo; Barreiro e Pablo Giménez
Gol: Tevez (18/1º)
Cartões amarelos: Kily González, Gamarra, Manzur, Esquivel, Figueredo, Aureliano Torres e Julio González
Cartões vermelhos: Emilio Martínez e Figueredo

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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