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Período comunista

HELSINQUE 1952

O processo de migração do centro de gravidade do futebol olímpico para o leste começou em 1948, mas, a partir de 1952, atingiu níveis insuportáveis. Sorte dos finlandeses que os Jogos Olímpicos que organizaram ainda mantiveram uma certa aura de honestidade desportiva, pois o melhor do mundo venceu.

Realmente, a seleção húngara pode ser considerada a melhor a atuar na história das Olimpíadas. Os magiares chegaram a Helsinque com uma invencibilidade de três anos, um projeto claro e realista de conquista do ouro olímpico e da Copa de 1954. Coincidentemente, os Jogos de 1952 também viram a estréia da seleção brasileira.

Formado por jovens, o time não teve forças para buscar o ouro. A formação-base era Carlos Alberto; Valdir, Mauro, Zózimo e Adésio; Édson e Milton; Larry, Vavá, Humberto Tozzi e Jansen. Desses, os que mais se destacariam no futuro seriam Mauro (capitão do título de 62), Vavá (campeão mundial em 58 e 62), Zózimo (reserva em 1958), Larry e Humberto Tozzi.

O Brasil estreou na fase preliminar goleando a Holanda por 5×1, gols de Larry (2), Humberto Tozzi, Jansen e Vavá. Nas outras partidas, a Hungria passou pela Rmênia (2×1), a Itália massacrou os Estados Unidos (8×0), o Egito passou com muitas dificuldades pelo Chile (5×4), Luxemburgo armou uma enorme zebra contra a Grã-Bretanha (5×3), a Dinamarca eliminou a Grécia (2×1) e o leste Europeu começava a mostrar sua força, com vitórias de Polônia (2×1 na França), União Soviética (2×1 na Bulgária) e Iugoslávia (10×1 na Índia).

Nas oitavas-de-final, os brasileiros passaram um certo sufoco com a surpresa luxemburguesa, mas venceram por 2×1 (gols de Larry e Humberto Tozzi). Também passaram Hungria (3×0 sobre a Itália), Turquia (2×1 nas Índias Holandesas Ocidentais, atuais Antilhas Holandesas), Suécia (4×1 no clássico com a Noruega), Áustria (4×3 na Finlândia), Alemanha Ocidental (3×1 no Egito), Dinamarca (2×0 na Polônia) e Iugoslávia (5×5 e 3×1 no jogo-extra contra a União Soviética).

Os algozes da seleção brasileira foram os alemães-ocidentais, que venceram por 4×2 (gols brasileiros de Zózimo e Larry) nas quartas-de-final. A Hungria continuava sua caminhada inabalável com um sonoro 7×1 sobre a Turquia, a Suécia buscava o segundo ouro consecutivo e a Iugoslávia tentava um novo pódio.

Nas semifinais, a Hungria deixou claro aos suecos que aquele torneio tinha um time muito superior aos demais. Fez 6×0 e esperou a definição do adversário no dia seguinte. A Iugoslávia bateu a Alemanha Ocidental por 3×1 e garantiu um lugar na final olímpica pela segunda vez em seqüência. A final foi relativamente mais equilibrada. O que não significa que tenha sido difícil para os húngaros: 2×0, gols de Puskas e Czibor.

FICHA TÉCNICA
Hungria 2×0 Iugoslávia

Local: estádio Olímpico (Helsinque-FIN)
Público: 60 mil
Árbitro: Arthur Ellis (Grã-Bretanha)
Hungria: Grosics; Buzansky, Lorant e Lantos; Boszik e Zakarias; Hidegkuti, Kocsis, Palotas, Puskas e Czibor
Iugoslávia: Beara; Stankovic e Crnkovic; Cajkovski, Horvat e Boskov; Ognjanov, Mitic, Vukas, Bobek e Zebec
Gols: Puskas (25/1°) e Czibor (43/2º)

Classificação final: 1º Hungria, 2º Iugoslávia, 3º Suécia, 4º Alemanha Ocidental, 5º Brasil, 6º Dinamarca, 7º Áustria, 8º Turquia, 9º União Soviética, 10º Itália, 11º Luxemburgo, 12º Egito, 13º Polônia, 14º Finlândia, 15º Índias Holandesas Ocidentais, 16º Noruega, 17º Chile, 18º Grã-Bretanha, 19º Romênia, Grécia, Bulgária e França, 23º Holanda, 24º Estados Unidos, 25º Índia

MELBOURNE 1956

Os primeiros Jogos Olímpicos no hemisfério sul trouxeram um desafio financeiro muito grande às delegações. Afinal, na década de 1956 era uma operação complicada levar vários atletas até a Austrália. Por isso, a competição de futebol – como, em geral, de quase todos os esportes – ficou esvaziada. Por exemplo, não houve representantes da América do Sul.

Além da distância, um fato político influiu muito na disputa do futebol em Melbourne. Menos de um mês antes do início das competições, tropas da União Soviética invadiram Budapeste para reprimir uma manifestação popular que pedia uma maior autonomia da Hungria em relação ao governo de Moscou. Justamente nessa época, os jogadores da seleção húngara, ainda a melhor do mundo, estavam fora de seu país em compromissos de seus clubes (basicamente o Honvéd e o MTK). Não voltaram mais. Pediram asilo político e alguns até mudaram sua nacionalidade. Era o fim dos Magiares Mágicos. Claro, a Hungria acabou não enviando representante algum ao futebol.

Mesmo assim, o favoritismo dos países do Leste Europeu ficou ainda mais enfatizado. Porém, na fase preliminar, a União Soviética sofreu para ganhar da Alemanha Ocidental (com uma equipe de garotos) por 2×1. A Grã-Bretanha humilhou a inexpressiva Tailândia (9×0) e a Austrália passou pelo Japão (2×0).

Nas quartas-de-final, o sorteio permitiu uma grande surpresa. Ao colocarem indianos e australiano na mesma chave, permitiu que um país sem a menor tradição no esporte chegasse às semifinais. Melhor para a Índia, que ganhou por 4×2. A União Soviética voltava a mostrar um futebol fraco tecnicamente, mesmo com a base da seleção que teve um bom papel na Copa de 1958, com Yashin, Kuznetsov , Netto e Ivanov. Empatou sem gols com a Indonésia e teve de usar a partida-extra para conseguir um lugar nas semifinais. Sem dificuldades foram as classificações de Iugoslávia (9×1 nos Estados Unidos) e Bulgária (6×1 na Grã-Bretanha).

O futebol a União Soviética só apareceu um pouco nas semifinais, com uma vitória sobre a Bulgária por 2×1. Enquanto isso, a Iugoslávia passava sem problemas pela Índia (4×1) e garantia sua terceira final olímpica consecutiva. E, também pela terceira vez, ficou com a prata. A União Soviética conseguiu seu gol no início do segundo tempo e segurou ao taque balcânico até o fim da partida.

FICHA TÉCNICA
União Soviética 1×0 Iugoslávia

Local: estádio Melbourne Olympic Park (Melbourne-AUS)
Público: 120 mil
Árbitro: R. Wright (Austrália)
União Soviética: Yashin; Baschaschkin, Ogognikov e Kuznetsov; Netto e Maslenkin; Tatushin, Isaev, Simonian, Salinikov e Ilyin
Iugoslávia: Radenkovic; Koscak e Radovic; Santek, Spajic e Krstic; Sekularac, Antic, Papek, Veselinovic e Mujic
Gol: Ilyin (3/2º)

Classificação final: 1º União Soviética, 2º Iugoslávia, 3º Bulgária, 4º Índia, 5º Grã-bretanha, 6º Austrália, 7º Indonésia, 8º Estados Unidos, 9º Alemanha Ocidental, 10º Japão, 11º Tailândia.

ROMA 1960

Em 1960, o futebol olímpico começou a ter cara de torneio mais organizado. Os 16 países classificados foram divididos em quatro grupos, com os primeiros colocados passando às semifinais. Além disso, voltou a ter um caráter mais global (após a quase simbólica competição de Melbourne).

O Brasil voltou a aparecer. O time-base (Carlos Alberto; Nono, Décio, Dari e Roberto Dias; Rubens e Gérson; Silva, Paulinho Ferreira, China e Waldyr) tinha algum talento – sobretudo em Gérson, Roberto Dias e Silva – e fez uma boa campanha. Só não passou de fase porque pegou uma esperançosa Itália pelo caminho.

Em busca do ouro diante de seus torcedores, os italianos montaram uma equipe com jogadores promissores que tinham reais condições de romper com a hegemonia do leste Europeu. Os principais destaques desse time eram Rivera, Burgnich, Trapattoni e Bulgarelli.

Na primeira rodada, o Brasil passou pela Grã-Bretanha (4×3), enquanto os italianos goleavam Taiwan (4×1). Em seguida, o Brasil se isolou na liderança ao fazer 5×0 nos asiáticos, já que a azzurra empatara com os britânicos. Podendo apenas igualar o marcador, os brasileiros não conseguiram segurar os italianos e perderam o jogo decisivo do grupo por 3×1.

Nas outras chaves, poucas surpresas. A Iugoslávia superou Bulgária (os búlgaros empataram com os iugoslavos, mas perderam no sorteio), República Árabe Unida (país formado por Egito e Síria entre 1958 e 1961, sendo que o Egito manteve o nome RAU até 1971) e Turquia, a Dinamarca foi melhor que Argentina, Polônia e Tunísia e a reformulada Hungria ficou à frente de França, Peru e Índia.

Em uma das semifinais, os empolgados italianos encontraram os iugoslavos, em busca de sua quarta final olímpica seguida. O jogo ficou em 1×1 após a prorrogação. Pelo regulamento do torneio, a definição seria pelo cara-ou-coroa. A Itália perdeu e ficou fora da final do torneio que organizava. A outra vaga ficou com a Dinamarca, que venceu a Hngria por 2×0.

Dessa vez, a Iugoslávia não deixou o ouro escapar na decisão. Com um gol em menos de um minuto de jogo, os eslavos se colocaram na frente.Aos 10, já venciam por 2×0. Depois, bastou controlar a vantagem para garantir o título.

FICHA TÉCNICA
Iugoslávia 3×1 Dinamarca

Local: estádio Flamínio (Roma-ITA)
Público: 40 mil
Árbitro: Concetto Lo Bello (Itália)
Iugoslávia: Vidinic; Roganovic e Jusufi; Perusic, Durkovic e Zanetic; Ankovic, Matous, Galic, Knez e Kostic
Dinamarca: From; Andersen e Jensen; Hansen; Hans Nielsen e Flemming Nielsen; Pedersen, Troelsen, Harald Nielsen, Enoksen e Sørensen
Gols: Galic (1/1º), Matous (10/1º), Flemming Nielsen (5/2º) e Kostic (27/2º)

Classificação final: 1º Iugoslávia, 2º Dinamarca, 3º Hungria, 4º Itália, 5º Bulgária, 6º Brasil, 7º Argentina, 8º Grã-Bretanha, 9º França, 10º Polônia, 11º Peru, 12º Índia, 13º República Árabe Unida, 14º Turquia, 15º Tunísia, 16º Taiwan

TÓQUIO 1964

Historicamente, o fato mais marcante do futebol dos Jogos Olímpicos de Tóquio ocorreu bem distante do arquipélago que forma o Japão. Em um jogo do Pré-Olímpico Sul-Americano, a Argentina vencia o Peru por 1×0 em Lima quando o árbitro anulou um gol peruano. A torcida, inconformada, invadiu o gramado e iniciou uma grande confusão, que se tornou tumulto generalizado após ação desastrada da polícia. No final, 328 pessoas morreram no que foi, segundo dados oficiais, o jogo com maior número de mortos na história do futebol (o “segundo dados oficiais” é necessário porque fontes independentes afirmam que 340 torcedores morreram em um jogo da Copa da Uefa de 1982).

O regulamento do torneio de futebol das Olimpíadas de 1964 foi levemente diferente. Agora, os dois primeiros de cada grupo passavam de fase e compunham as quartas-de-final.

No grupo A, Alemanha Oriental e Romênia não tiveram problemas diante de México e Irã. No B, Hungria e Iugoslávia passaram por Marrocos (o quarto integrante da chave, a Coréia do Norte, foi desclassificada pelo COI). O Brasil de Roberto Miranda ficou no Grupo C e caiu no saldo de gols para a República Árabe Unida (Egito). O primeiro colocado foi a Tchecoslováquia – vice-campeã mundial da época – e o último, a Coréia do Sul. A chave D foi a mais surpreendente. A Itália desistiu de participar e a Argentina parecia sozinha. Mas os platinos fracassaram diante de Gana e Japão.

Nas quartas-de-final, a República Árabe Unida continuou surpreendendo e goleou Gana por 5×1. A Tchecoslováquia também passou com facilidade: 4×0 no Japão. As últimas duas vagas foram definidas em confrotnos exclusivos do leste Europeu. A Alemanha Oriental acabou com a seqüência de finais olímpicas da Iugoslávia ao vencer por 1×0. E a Hungria voltava a mostrar força ao vencer a Romênia por 2×0.

Não houve resultados inesperados nas semifinais. A Tchecoslováquia eliminou a Alemanha Oriental (2×1) e a Hungria arrasou a República Árabe Unida (6×0). Na final, os húngaros conquistaram seu segundo ouro olímpico ao vencer por 2×1. O pódio foi intero da Europa comunista, com a vitória da Alemanha Oriental sobre a República Árabe Unida por 3×1.

FICHA TÉCNICA
Hungria 2×1 Tchecoslováquia

Local: estádio Nacional (Tóquio-JAP)
Público: 75 mil
Árbitro: Menahem Ashkenazi (Israel)
Hungria: Szentmihalyi; Novak, Ihasz, Szepesi e Orban; Nogradi, Csernai e Komora; Farkas, Bene e Katona
Tchecoslováquia: Schumucker; Urban, Picman, Vojta e Weiss; Geleta, Mraz e Lichtnegl; Brumovsky, Masny e Valosek
Gols: Weiss – contra (2/2º), Bene (14/2º) e Brumovsky (35/2º)

Classificação final: 1º Hungria, 2º Tchecoslováquia, 3º Alemanha Oriental, 4º República Árabe Unida, 5º Romênia, 6º Iugoslávia, 7º Gana, 8º Japão, 9º Brasil, 10º Argentina, 11º México, 12º Irã, 13º Marrocos, 14º Coréia do Sul

CIDADE DO MÉXICO 1968

Apesar de o domínio da parte comunista da Europa continuar evidente, o torneio de futebol das Olimpíadas mexicanas trouxeram uma novidade geopolítica. Pela primeira vez desde a implantação oficial do esporte, em 1908, uma medalha não ficou na Europa ou na América do Sul.

Foi uma competição com uma quantidade de resultados inesperados acima da média. A começar pela forma pela qual o Brasil foi desclassificado na primeira fase. Na etréia, uma derrota normal diante da Espanha (0x1). Em seguida, um empate fora dos planos com o Japão (1×1). Com esse retrospecto, o Brasil chegou à última rodada precisando vencer a Nigéria por quatro gols de diferença (ou três gols a partir de 4×1, pois o 3×0 levaria brasileiros e japoneses ao sorteio). No primeiro tempo, os sul-americanos fizeram 3×0 e praticamente garantiram a vaga nas quartas-de-final. No entanto, o time permitiu a reação africana e acabou em um melancólico empate em 3×3.

Além da classificação japonesa às custas do Brasil, foi possível ver Bulgária e a improvável Guatemala deixarem a Tchecoslováquia, medalha de prata quatro anos antes, e a figurante Tailândia pelo caminho. Também passaram França, México, Hungria e Israel, eliminando Colômbia, Guiné, Gana e El Salvador.

Os resultados esquisitos continuaram nas quartas-de-final, em que o Japão bateu a França por 3×1. Os demais resultados foram mais normais, com vitória da Hungria sobre a Guatemala, da Bulgária sobre Israel (no cara-ou-coroa) e do México sobre a Espanha. O favoritismo só prevaleceu nas semifinais, com vitória tranqüila da Hungria sobre o Japão (5×0) e da Bulgária sobre o México (3×2).

Na disputa pela medalha de bronze, mais de 100 mil mexicanos lotaram o estádio azteca para ver seu país subir ao pódio no futebol olímpico. Saíram frustrados. Com dois gols de Yamamoto (artilheiro da competição), os orientais venceram por 2×0 e conquistaram a primeira (e até hoje única) medalha asiática no futebol.

Na final, a Bulgária saiu na frente, mas permitiu que a Hungria virasse ainda no primeiro tempo. No lance do segundo gol, os búlgaros reclamaram intensamente de impedimento. O árbitro mexicano Diego de Leo expulsou três jogadores balcânicos. Com oito jogadores em campo, a Bulgária não teve como evitar mais dois gols húngaros. Era o terceiro título olímpico da Hungria, marca nunca igualada.

FICHA TÉCNICA
Hungria 4×1 Bulgária

Local: estádio Azteca (Cidade do México-MEX)
Público: 75 mil
Árbitro: Diego de Leo (México)
Hungria: Fater; Novák, Lajos Dunai, Páncsics e Menczel; Szücs, Fazekas e Antal Dunai; Nagy, Noskó e Juhász
Bulgária: Yordanov; Guerov, Christiakov, Gaidarski e Ivkov; Georgiev, Dimitrov, Yantchovski (Kirik Christov); Jekov, Atanasse Christov e Donev (Ivanov)
Gols: Dimitrov (22/1º), Menczel (40/1º), Antal Dunai (41/1º e 4/2º) e Juhász (17/2º)
Cartões vermelhos: Atanasse Christov, Ivkov e Dimitrov (42/1º) e Juhász (43/2º)

Classificação final: 1º Hungria, 2º Bulgária, 3º Japão, 4º México, 5º Espanha, 6º Israel, 7º Guatemala, 8º França, 9º Tchecoslováquia, 10º Brasil e Colômbia, 12º Gana, 13º Guiné, 14º Nigéria, 15º El Salvador, 16º Tailândia

MUNIQUE 1972

Para os Jogos de Munique, o Brasil levou uma equipe razoável, com jogadores que se viriam a se tornar conhecidos como Falcão, Dirceu, Carlos Alberto Pintinho, Nielsen e Rubens Galaxie. Ainda assim, cosneguiu fazer uma campanha mais ridícula que a da Cidade do México. Na estréia, perdeu da Dinamarca por 3×2, algo até aceitável. Após o empate em 1×1 com a forte Hungria, a seleção continuou com chances. Teria de golear o Irã e torcer por vitória dinamarquesa sobre a Hungria. Deu tudo errado: os magiares venceram os escandinavos e o Brasil perdeu para o Irã.

Nos demais grupos. Poucas surpresas, até porque a decisão de reduzir a participação européia e democratizar mais o futebol olímpico deixou um desnível muito grande entre as seleções. Assim, Alemanha Ocidental e Marrocos tiveram de passar por Malásia e Estados Unidos, União Soviética e México desclassificaram Birmânia (atual Myanma) e Sudão e Polônia e Alemanha Oriental arrasaram Colômbia e Gana.

Dessa vez, a segunda fase seria diferente. As oito seleções seriam divididas em dois grupos. Os primeiros colocados fariam a final, enquanto que os segundos lutariam pelo bronze. No Grupo A, a Hungria não teve rivais e venceu suas três partidas. O lugar na disputa do terceiro lugar ficou para ser decidido na última rodada, com um histórico Alemanha Oriental x Alemanha Ocidental. Com sua equipe principal, os orientais venceram por 3×2 o jovem time ocidental, cujos maiores destaques eram Hitzfeld e Hönness. No Grupo B, a Polônia já mostrava sinais de evolução que culminariam com o terceiro lugar nas Copas de 74 e 82.

Na final, os poloneses venceram de virada (2×1) e evitaram o tricampeonato olímpico da Hungria. Na disputa do bronze, 80 mil alemães foram ao estádio olímpico apoiarem os compatriotas do lado oriental contra a União Soviética. O jogo apitado por Armando Marques terminou em 2×2. Curiosa e ineditamente, não houve desempate. As duas seleções dividiram o bronze.

FICHA TÉCNICA
Polônia 2×1 Hungria

Local: estádio Olímpico (Munique-RFA)
Público: 30 mil
Árbitro: Kurt Tschenscher (Alemanha Ocidental)
Polônia: Kostka; Szoltysik, Gorgon, Kraska e Anczok; Cmikiewicz, Deyna (Szymczak) e Maszczyk; Gut, Lubanski e Gadocha
Hungria: Geczi; Vepi, Pancsics, Szucs e Juhasz; Balint, Ku (Kocsis) e Ede Dunai; Kozma, Antal Dunai (Toth) e Varadi
Gols: Varadi (42/1º) e Deyna (4 e 23/2º)

Classificação final: 1º Polônia, 2º Hungria, 3º União Soviética e Alemanha Oriental, 5º Dinamarca, 6º Alemanha Ocidental, 7º México, 8º Marrocos, 9º Birmânia, 10º Malásia e Colômbia, 12º Irã, 13º Brasil, 14º Estados Unidos, 15º Sudão, 16º Gana

MONTREAL 1976

A primeira vez que a África realmente impôs algum respeito no futebol internacional foi na Copa de 1978, quando a Tunísia vence o México e empatou com a Alemanha Ocidental. Antes disso, os africanos apenas protagonizavam poucos resultados expressivos e uma série de derrotas. Por isso, quando 22 países africanos decidiram boicotar os Jogos de Montreal devido à presença da Nova Zelândia (que teria demonstrado apoio ao regime racista da África do Sul ao excursionar por esse país), o nível técnico do futebol olímpico não foi fortemente abalado. Mesmo assim, houve o desconforto de ver uma competição com três participantes a menos (Nigéria, Gana e Zâmbia) devido a problemas políticos.

Dessa vez, o Brasil montou uma equipe mais forte, que poderia até pensar em medalha. Jogadores que teriam passagem pela seleção principal como o goleiro Carlos, o zagueiro Edinho, o volante Batista e o lateral Rosemiro estavam no Canadá. E, na primeira fase, a seleção teve excelentes resultados, vencendo a Espanha de Arconada e empatando com a forte Alemanha Oriental, resultados que garantiram o primeiro lugar ao Brasil no grupo que teria ainda a Nigéria.

No Grupo B, a França de Platini, Battiston e Luis Fernandez ficou em primeiro, seguida por Israel, México e Guatemala. Na chave que teria Gana, passaram Polônia e Irã, com Cuba ficando de fora. Por fim, União Soviética e Coréia do Norte desclassificaram os anfitriões (Zâmbia desistiu).

Nas quartas-de-final (a fórmula de disputa adotada em Munique, com dois grupos semifinais foi abandonada), o Brasil goleou Israel e garantiu uma vaga nas semifinais do futebol pela primeira vez em uma edição dos Jogos Olímpicos. Com dificuldade, a União Soviética bateu o Irã. Mais tranqüilas foram as vitórias de Alemanha Oriental sobre a França (4×0) e da Polônia sobre a Coréia do Norte (5×0).

A esperança do primeiro ouro olímpico do futebol brasileiro acabou com dois gols do polonês Szarmach nas semifinais. E, no final, o Brasil acabou sem medalha alguma, pois perdeu por outro 0x2 para a União Soviética na disputa do bronze. A decisão foi favorável à Alemanha Oriental, que se mostrou superior à Polônia e venceu por 3×1. Foi a maior conquista do futebol alemão-oriental e o único ouro olímpico conquistado por alemães, mesmo que a história dê à atual Alemanha os créditos do lado ocidental.

FICHA TÉCNICA
Alemanha Oriental 3×1 Polônia

Local: estádio Olímpico (Montreal-CAN)
Público: 71.617
Árbitro: Ramón Barreto (Uruguai)
Alemanha Oriental: Croy; Dörner; Weise, Kische e Lauck; Kurbjuweit, Häfner e Schade; Löwe (Gröbner), Riediger (Bransch) e Hoffmann
Polônia: Tomaszewski (Mowlik); Wieczorek; Stymanowski, Zmuda e Wawrowski; Maszczyk, Deyna e Kasperczak; Lato, Szarmach e Kmiecik
Gols: Schade (7/1º), Hoffmann (14/1º), Lato (15/2º) e Häfner (39/2º)

Classificação final: 1º Alemanha Oriental, 2º Polônia, 3º União Soviética, 4º Brasil, 5º França, 6º Israel, 7º Irã, 8º Coréia do Norte, 9º México, 10º Guatemala, 11º Cuba, 12º Canadá, 13º Espanha

MOSCOU 1980

O Pré-Olímpico sul-americano para os Jogos de 1980 foi disputado na Colômbia. O Brasil fez uma péssima campanha e terminou em quinto em um torneio com 7 seleções. Assim, pela primeira vez desde 1952, o Brasil ficava de fora do futebol olímpico por motivos técnicos.

Mas, pouco antes dos jogos de Moscou, os Estados Unidos decidiram boicotar o evento, levanto consigo uma série de países (a maioria sem grande expressão). O que afetou – e muito – o futebol. Na América do Sul, a Argentina renunciou à sua vaga. O terceiro colocado no Pré-Olímpico, o Peru, também aderiu ao movimento dos norte-americanos. Assim, ao lado da Colômbia, participou do futebol a Venezuela (!!!).

A série de boicotes não se limitou à Argentina. Os próprios Estados Unidos tinham vaga no futebol em Moscou. Sem eu lugar foi Cuba. O mesmo ocorreu com Noruega (substituída pela Finlândia), Egito (Zâmbia), Gana (Nigéria), Malásia (Iraque) e Irã (Síria). Com isso, a competição ficou extremamente enfraquecida.

Para se ter uma idéia, Cuba, Kuait e Iraque passaram de fase! Ao lado da União Soviética, os caribenhos superaram Venezuela e Zâmbia no Grupo A. Enquanto isso, os kuaitianos ficaram na liderança ao lado da Tchecoslováquia, à frente de Colômbia e Nigéria. Os iraquianos foram melhores que Finlândia e Costa Rica, só perdendo para a Iugoslávia. Das seleções menos tradicionais, a única que merece algum crédito é a Argélia, que eliminou a Espanha e, na Copa de 1982, mostrou que tinha uma seleção realmente competitiva.

Foram as quartas-de-final mais previsíveis da história olímpica, com União Soviética x Kuait, Tchecoslováquia x Cuba, Alemanha Oriental x Iraque e Iugoslávia x Argélia. Basta ver a tradição das equipes para saber quem venceu os confrontos. Nas semifinais, a Alemanha Oriental provou que contava com uma boa geração e venceu por 1×0 a União Soviética, favorita por jogar em casa. A Tchecoslováquia passou pela Iugoslávia (2×0). Na final, os tchecoslovacos evitaram o bicampeonato dos alemães-orientais com um gol de Svoboda.

Para os Jogos de Los Angeles, o COI afrouxou a proibição de profissionais, o que mudou drasticamente os critérios do futebol olímpico. Com isso, as seleções do Leste Europeu perderam terreno e deixaram de ser as únicas forças da modalidade nos Jogos.

FICHA TÉCNICA
Tchecoslováquia 1×0 Alemanha Oriental

Local: estádio Luzhniki (Moscou-URS)
Público: 70 mil
Árbitro: Azim Zade (União Soviética)
Tchecoslováquia: Seman; Mazura, Macela, Radimec e Rygel; Rott, Berger e Stambachr; Vizek (Svoboda), Licka e Pokluda (Nemec)
Alemanha Oriental Rudwaleit; Muller, Hause (Liebers), Trieloff e Ullrich; Schnuphase, Terletzki e Steinbach; Baum, Netz e Kuhn
Gol: Svoboda (33/2º)

Classificação final: 1º Tchecoslováquia, 2º Alemanha Oriental, 3º União Soviética, 4º Iugoslávia, 5º Kuait, 6º Iraque, 7º Cuba, 8º Argélia, 9º Finlândia, 10º Espanha, 11º Colômbia, 12º Venezuela, 13º Nigéria, 14º Síria, 15º Zâmbia, 16º Costa Rica

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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