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Período antigo

ATENAS 1896

Os organizadores dos primeiros Jogos Olímpicos da era moderna demonstraram interesse em promover um torneio de futebol. Há fontes que dão conta que três equipes teriam se apresentado, mas os registros teriam sido perdidos. No entanto, as versões mais atualizadas consideram que esse torneio jamais teria ocorrido e que os supostos jogos seriam uma confusão em estudos mais antigos.

PARIS 1900

Na confusão que foram os Jogos de Paris, vários eventos esportivos que não faziam parte da programação olímpica. Foi o caso do futebol. O Upton Park, da Grã-Bretanha venceu um triangular contra o Club Français (França) e um time de estudantes anglo-belgas (defendendo as cores da Bélgica). Os britânicos só aceitaram participar se fossem direto à decisão, contra o vencedor de um jogo entre franceses e belgas. Os franceses venceram por 7×4, mas perderam para os britânicos na final por 0x4. De qualquer forma, aquelas partidas foram consideradas mera demonstração, sem a entrega de medalhas aos participantes.

FICHA TÉCNICA
Club Français (FRA) 0x4 Upton Park (GBR)
Local: velódromo Municipal de Vincennes (Paris-FRA)
Público: cerca de 500
Árbitro: Moignard (França)
Club Français (FRA): Huteau; Bach e Allemane; Gaillard, Bloch e Macaire; Fraysse, Garnier, Lambert, Grandjean e Canelle
Upton Park (GBR): Jones; Buckingham e Grosling; Chalk, Burridge e Quash; Turner, Spackman, Nicholas, Zealey e Haslom
Gols: Nicholas (2), Turner e Zealey
Classificação final: 1º Upton Park (Grã-Bretanha), 2º Club Français (França), 3º Students XI (Bélgica)

SAINT LOUIS 1904

Os Jogos de Saint Louis conseguiram ser mais mal organizado que os de Paris quatro anos antes. No meio da confusão que misturava a Feira Mundial, as Olimpíadas e os Jogos Antropológicos, foram realizadas algumas partidas de futebol. Em teoria, quatro equipes participariam: Universidade de Toronto e Galt, do Canadá, e Christian Brothers e Saint Rose School, dos Estados Unidos. A Universidade de Toronto desistiu e os demais times fizeram jogos sem uma ordem muito lógica. Como o Galt venceu os dois adversários, foi considerado vencedor do torneio. De qualquer forma, mais uma vez não houve distribuição de medalhas.

FICHA TÉCNICA
Galt (CAN) 4×0 St. Rose (EUA)
Local: Saint Louis
Público: desconhecido
Árbitro: Paul MsSweeney (Estados Unidos)
Galt (CAN): Linton; Ducker e Gourlay; Lane, Johnston e Christman; Taylor, Steep, Hall, Henderson e Twaits
Saint Rose (EUA): Frost; Crook e Jameson; Brady, Dierkes e Dooling; Costgrove, O'Connell, Jameson, Tate e Cook
Gols: Taylor (2), Hendersen e gol contra (autor desconhecido)
Classificação final: 1º Galt (Canadá), 2º Christian Brothers (Estados Unidos), 3º Saint Rose (Estados Unidos)

ATENAS 1906

Os Jogos Olímpicos de 1906 foram, com o tempo, perdendo relevância histórica e, hoje, são chamados de extra-oficiais ou Jogos Intermediários. Ainda assim, tiveram importância na continuidade do evento após duas edições fracassadas e esvaziadas. Para o futebol, também teve alguma relevância. Foi o primeiro torneio minimamente organizado, com quatro equipes jogando em sistema de mata-mata em jogos de ida. No final, a Dinamarca ficou com o título em um jogo que a seleção de Atenas abandonou por causa da goleada que sofria. O título não foi reconhecido oficialmente, como todas aquelas Olimpíadas.

FICHA TÉCNICA
Atenas 0x9 Dinamarca
Local: Podilatodromio (Atenas-GRE)
Público: desconhecido
Árbitro: Drake (Suécia)
Atenas: Panayotis Vrionis; Dekavalas e Gerondakis; Nikolaidis, Kalafatis e Konstantinos Botasis; Merkuris, Panayotis Botasis, Grigorios Vrionis, Siriotis e Yeorgiadis
Dinamarca: Viggo Andersen; Petersen e Buchwald; Ferslev, Rasmussen e Aage Andersen; Nielsen, Frederiksen, Lindgren, Rambuch e Heerup
Gols: desconhecidos
Classificação final: 1º Dinamarca, 2º Esmirna (Turquia), 3º Salônica (Turquia), 4º Atenas (Grécia). Obs.: por ter abandonado a partida final, Atenas foi desclassificada. Na época, a cidade de Salônica (atual Tessalônica) fazia parte do território Otomano.

LONDRES 1908

Foi a primeira vez que o futebol contou com medalhas nos Jogos Olímpicos. A França inscreveu duas equipes (A e B), mas ambas fracassaram diante da Dinamarca. Na primeira fase, o time B perdeu por 9×0. Nas semifinais, a seleção A foi massacrada por 17×1 (maior goleada da história do futebol olímpico), com 10 gols de Sophus Nielsen, um recorde em apenas uma partida olímpica. Na final, a Grã-Bretanha mostrou que ainda estava muitos passos a frente dos demais países e, em casa, ficou com o ouro.

FICHA TÉCNICA
Grã-Bretanha 2×0 Dinamarca

Local: estádio de White City (Londres-GBR)
Público: 8 mil
Árbitro: John Lewis (Grã-Bretanha)
Grã-Bretanha: Bailey; Corbett e Smith; Hunt, Chapman e Hawkes; Berry, Woodward, Stapley, Purnell e Hardman
Dinamarca: Drescher; Buchwald e Hansen; Bohr, Kristian Middelboe e Nils Middelboe; Oscar. Nielsen-Noerland, Lindgren, Sophus Nielsen, Wolfhagen e Rasmussen
Gols: Chapman (26/1º) e Woodward (1/2º)
Classificação final: 1º Grã-Bretanha, 2º Dinamarca, 3º Holanda, 4º Suécia, 5º França A, 6º França B

ESTOCOLMO 1912

Com 11 seleções, foi o primeiro torneio olímpico de futebol com representatividade, mesmo que contando apenas com seleções européias. Na fase preliminar, Holanda, Áustria e Finlândia desclassificaram, pela ordem, Suécia, Alemanha e Itália. Nas quartas-de-final, a Grã-Bretanha arrasou a Hungria (7×0), a Holanda venceu a Áustria (3×1), a Finlândia seguiu surpreendendo (2×1 na Rússia, país que, na época, ocupava o território finlandês) e a Dinamarca bateu os rivais escandinavos da Noruega (7×0). Curiosamente, as equipes eliminadas nessas duas primeiras fases disputaram um torneio de consolação, sem nenhum valor para a definição do título. Nesse mini-torneio, a Alemanha fez 16×0 na Rússia e Fuchs igualou o feito do dinamarquês Nielsen ao fazer 10 gols em uma partida. Enquanto isso, nas semifinais, dinamarqueses e britânicos venciam seus adversários e repetiam a final olímpica de 1908. E, mais uma vez, o ouro ficou para a Grã-Bretanha.

FICHA TÉCNICA
Grã-Bretanha 4×2 Dinamarca

Local: estádio Olímpico (Estocolmo-SUE)
Público: 25 mil
Árbitro: Christiaan Jacobus Groothoof (Holanda)
Grã-Bretanha: Brebner; Burn e Knight; McWhirther, Littlewort e Dines; Berry, Woodward, Walden, Hoare e Sharpe
Dinamarca: Sophus Hansen; Nils Middelboe e Harald Hansen; Buchwald, Jørgensen e Berth; Oscar Nielsen, Thufvason, Olsen, Sophus Nielsen e Wolfhagen
Gols: Waldens (10/1º), Hoare (22/1º), Olsen (27/1º), Hoare (41/1º), Berry (43/1º) e Olsen (36/2º)

Classificação final: 1º Grã-Bretanha, 2º Dinamarca, 3º Holanda, 4º Finlândia, 5º Hungria, 6º Áustria, 7º Alemanha, 8º Itália, 9º Suécia, 10º Noruega, 11º Rússia

ANTUÉRPIA 1920

Aos poucos o futebol olímpico ganhava forma. Em 1920, teve jogos disputados em Bruxelas, Gent e, claro, Antuérpia. Na primeira fase, os finalistas das duas últimas Olimpíadas caíram. A Dinamarca perdeu por 0x1 para a Espanha do lendário goleiro Zamora, enquanto a Grã-Bretanha caía diante da Noruega (1×3). Os outros classificados foram Itália (2×1 sobre o Egito), Suécia (9×0 na Grécia), Holanda (3×0 em Luxemburgo) e Tchecoslováquia (4×0 na Iugoslávia). Nas quartas-de-final, Bélgica, Holanda, França e Tchecoslováquia passaram por Espanha, Suécia, Itália e Noruega. A semifinal teve um clássico regional entre belgas e holandeses. Com a vitória por 3×0, a seleção da casa garantia um lugar na final contra a Tchecoslováquia, que derrotara a Fraca por 4×0.

A final foi tumultuada. A Bélgica vencia por 2×0 quando, aos 39 minutos do primeiro tempo, os tchecoslovacos decidiram se retirar do campo em protesto com a arbitragem. O ouro ficou na Bélgica, mas, para não dar a prata à Tchecoslováquia, a organização decidiu realizar um mini-torneio para definir o dono da prata e do bronze. Melhor para a Espanha, que havia caído nas quartas-de-final. O bronze, pela terceira vez seguida, ficou com a Holanda.

FICHA TÉCNICA
Bélgica 2×0 Tchecoslováquia

Local: estádio Olímpico (Antuérpia-BEL)
Público: 35 mil
Árbitro: John Lewis (Grã-Bretanha)
Bélgica: De Bie; Swartenbroeks, Verbeeck, Musch, Hanse, Fierens, Van Hage, Larnoe, Bragard, Coppée e Bastin
Tchecoslováquia: Klapka, Hojer, Steiner, Kolenatý, Pesek, Seifert, Sedlácek, Janda, Vaník, Mazal e Pilát
Gols: Coppée (6/1º, de pênalti) e Larnoe (30/1º)

Classificação final: 1º Bélgica, 2º Espanha, 3º Holanda, 4º França, 5º Itália, 6º Suécia, 7º Noruega, 8º Egito, 9º Dinamarca, 10º Grã-Bretanha, 11º Luxemburgo, 12º Iugoslávia, 13º Grécia, 14º Tchecoslováquia

PARIS 1924

Os Jogos de 1924 foram os primeiros a verem uma seleção que realmente marcaria a história do futebol. Com um jogo baseado em uma habilidade incomum e muita técnica, os Uruguai surpreendeu os europeus, que, naquele momento, conheciam uma escola completamente diferente de futebol, a sul-americana. Aquele torneio, com 22 participantes, contou com equipes de quatro continentes, algo notável para a época.

Na fase preliminar, o Uruguai mostrava força ao golear a Iugoslávia por 7×0. Dois dos favoritos se enfrentaram nessa etapa, com vitória da Itália por 1×0 sobre a Espanha. Também passaram Tchecoslováquia, Suíça, Hungria e Estados Unidos. Nas oitavas-de-final, os uruguaios bateram os Estados Unidos no confronto de americanos. O Egito também assustou com a vitória de 3×0 sobre a Hungria. A Itália seguia com dificuldades, com um magro 2×0 sobre Luxemburgo, a Suíça precisou de um jogo-extra para desclassificar a Tchecoslováquia,a Irlanda (recém-independente do Reino Unido) passou pela Bulgária, a França arrasou a Letônia e a Holanda não teve problemas contra a Romênia. O resultado mais inesperado das quartas-de-final foi a vitória dos suíços sobre os italianos por 2×1. Enquanto isso, os uruguaios mostravam que o ouro era uma possibilidade realista ao golearem os donos da casa por 5×1. Holanda (2×1 na Irlanda) e Suécia (5×0 sobre o Egito) também estavam nas semifinais.

Com uma vitória por 2×1, o Uruguai mandava a Holanda decidir pela quarta vez consecutiva o bronze olímpico. Na final, pegariam outra surpresa: a retrancada Suíça, que venceu a Suécia por 2×1. Ainda vistos com desconfiança, os uruguaios conquistaram o título com autoridade: 3×0. Surgia a Celeste Olímpica.

FICHA TÉCNICA
Uruguai 3×0 Suíça

Local: estádio Colombes (Paris-FRA)
Público: 41 mil
Árbitro: Marcel Slawick (França)
Uruguai: Mazali; Nasazzi, Arispe, Andrade, Vidal, Ghierra, Urdinarán, Scarone, Petrone, Cea e Romano
Suíça: Pulver; Reymond, Ramseyer, Oberhauser, Schmiedlin, Pollitz, Ehrenbolger, Pache, Dietrich, Abegglen e Fassler
Gols: Petrone (27/1º), Cea (18/2º) e Romano (36/2º)

Classificação final: 1º Uruguai, 2º Suíça, 3º Suécia, 4º Holanda, 5º França, 6º Itália, 7º Irlanda, 8º Egito, 9º Tchecoslováquia, 10º Hungria, 11º Estados Unidos, 12º Bulgária, 13º Luxemburgo, 14º Romênia, 15º Bélgica, 16º Letônia, 17º Espanha, 18º Estônia, 19º Turquia, 20º Polônia, 21º Iugoslávia, 22º Lituânia

AMSTERDÃ 1928

O torneio de futebol dos Jogos de 1928 não começaram sem uma confusão de bastidores. A Grã-Bretanha acusou as seleções sul-americanas (Uruguai, Argentina e Chile) de profissionalismo e exigiu que o COI eliminasse essas três equipes ou aceitasse que a Grã-Bretanha enviasse à Holanda uma seleção composta por profissionais. A chantagem não funcionou e, para manter a palavra, os dirigentes britânicos retiraram sua equipe do evento.

A pressão não impediu que os sul-americanos dominassem a competição. Na fase preliminar, o Chile perdeu para Portugal na única derrota sul-americana em todo o evento. Essa superioridade ficou clara já nas oitavas-de-final, quando o Uruguai venceu a seleção da casa por 2×0 e a Argentina humilhou os Estados Unidos por 11×2. A outra favorita, a Itália, passou apertado pela França (4×3). Também passaram Alemanha (4×0 na Suíça), Espanha (7×1 no México), Egito (7×1 na Turquia), Portugal (2×1 na Iugoslávia) e Bélgica (5×3 em Luxemburgo). No torneio de consolação, o Chile mostrou que o futebol da América do Sul já era tão forte quanto o europeu, ao vencer o México e empatar com a Holanda.

Nas quartas-de-final, a caminhada sul-americana seguia inabalável, com o Uruguai vencendo a Alemanha por 4×1 e a Argentina goleando a Bélgica em um incomum 6×3. A Itália também passou, após fazer 7×1 em um jogo-extra contra a Espanha. O quarto semifinalista era uma grande zebra: o Egito, que venceu Portugal por 2×1.

No entanto, a capacidade de surpreender dos egípcios se esgotou. Nas semifinais, perderam de 6×3 da Argentina e, na disputa do bronze, foram massacrados por 11×3 para a Itália, que perdera em um emocionante 3×2 para os cisplatinos. Na final, Uruguai e Argentina mostravam que eram as melhores seleções de mundo na época. O jogo terminou em 1×1 e foi necessário um jogo-desempate, vencido pelos uruguaios por 2×1.

FICHA TÉCNICA
Uruguai 2×1 Argentina

Local: estádio Olímpico (Amsterdã-HOL)
Público: desconhecido
Árbitro: Johannes Mutter (Holanda)
Uruguai: Mazali; Nasazzi, Arispe, Andrade, Píriz, Gestido, Arremón, Scarone, Borjas, Cea e Figueroa.
Argentina: Bosio; Bidoglio, Paternóster, Médice, Monti, Evaristo, Carricaberri, Tarasconi, Ferreira, Perduca e Orsi
Gols: Figueroa, Monte e Scarone

Classificação final: 1º Uruguai, 2º Argentina, 3º Itália, 4º Egito, 5º Espanha, 6º Portugal, 7º Alemanha, 8º Bélgica, 9º França, 10º Iugoslávia, 11º Holanda, 12º Chile, 13º Luxemburgo, 14º Suíça, 15º Turquia, 16º México, 17º Estados Unidos

BERLIM 1936

A criação da Copa do Mundo, em 1930, e a crescente profissionalização do futebol pela Europa e América do Sul fez com que o COI tivesse dificuldade em definir que atletas poderiam disputar um torneio olímpico, supostamente amador. Como os norte-americanos nunca tiveram no futebol um de seus passatempos esportivos prediletos, não houve torneio dessa modalidade nos Jogos de Los Angeles em 1932. Assim, o futebol olímpico só voltou em 1936, nas Olimpíadas de Berlim.

À exceção da Oceania, todos os demais continentes estiveram representados na Alemanha. Com o profissionalismo crescente em diversos países, o torneio olímpico de futebol começou a mudar de feições, com um aumento significativo de seleções B ou juniores. Mesmo assim, a Itália conseguiu mascarar o profissionalismo de alguns de jogadores e enviou uma seleção forte, que só teria adversários se Argentina e Uruguai mandassem representantes. Como os platinos desistiram do evento (foram substituídos pelo Peru), a azzurra não teve concorrentes do mesmo nível.

O número de participantes (16), ajudou a montar uma tabela simples, com jogos eliminatórios e sem fases preliminares. As oitavas-de-final viram algumas surpresas, como a vitória do Japão sobre a Suécia e as vitórias inesperadamente apertadas de Itália (1×0) e Grã-Bretanha (2×0) diante de Estados Unidos e China. De resto, foram normais as vitórias de Alemanha, Noruega, Polônia, Peru e Áustria sobre Luxemburgo, Turquia, Hungria, Finlândia e Egito.

Mais conturbadas foram as quartas-de-final. Em casa, a seleção alemã não atendeu às expectativas de Hitler e perdeu sem sequer chegar perto de uma medalha (0x2 contra a Noruega). Porém, a grande confusão ficou para Áustria x Peru. Os austríacos, que estavam entre as principais forças do futebol mundial na época, fizeram 2×0. No entanto, permitiram o empate peruano. Na prorrogação, um tumulto envolvendo torcedores sul-americanos paralisou a partida. No reinício, os peruanos foram melhores e marcaram mais dois gols. A Áustria não aceitou o resultado e pediu que a Fifa mandasse as duas equipes jogarem novamente. A solicitação foi acatada. Revoltados os peruanos voltaram para Lima.

Sorte da Áustria, que venceu a Polônia nas semifinais e garantiu um lugar na decisão (e uma medalha). A outra vaga ficou com a Itália, que venceu a Noruega por 2×1, placar que repetiria – após prorrogação – na final contra os austríacos.

FICHA TÉCNICA
Itália 2×1 Áustria

Local: estádio Olímpico (Berlim-ALE)
Público: 90 mil
Árbitro: Peter Bauwens (Alemanha)
Itália: Venturini; Foni e Rava; Baldo, Piccini e Locatelli; Frossi, Mancini, Bertoni, Biagi e Gabriotti
Austria: Kainberger; Künz e Kargl; Krenn, Wahlmüller e Hofmeister; Werginz, Laudon, Steinmetz, Kainberger e Fuchsberger
Gols: Frossi (25/2º), Kainberger (35/2º) e Frossi (2/1º da prorrogação)

Classificação final: 1º Itália, 2º Áustria, 3º Noruega, 4º Polônia, 5º Peru, 6º Alemanha, 7º Grã-Bretanha, 8º Japão, 9º Suécia, 10º Estados Unidos, 11º Egito, 12º China, 13º Hungria, 14º Finlândia, 15º Turquia, 16º Luxemburgo.

LONDRES 1948

O dogma da defesa incondicional do amadorismo (mesmo que sabidamente hipócrita) começou a prejudicar de forma mais significativa o futebol olímpico em 1948. Nesse momento, todos os países com tradição na modalidade já haviam se profissionalizado (exceção feita aos comunistas), o que afastou dos Jogos as principais seleções do mundo. Como a Copa estava se consolidando, começou a se desenhar o cenário que permanece até hoje, em que o futebol se sente desconfortável e deslocado no evento poliesportivo e em que é normal seleções tradicionais perderem para pequenos.

Nas Olimpíadas londrinas, os países ocidentais ainda respiraram um pouco. Primeiro, porque ainda havia os que não eram profissionais, como a Suécia e a Dinamarca. Outro motivo é que a Europa Oriental fora fortemente destruída durante a Segunda Guerra Mundial e sua estrutura esportiva estava se reorganizando.

Na fase preliminar, a Holanda desclassificou a Irlanda e Luxemburgo, em uma das partidas mais improváveis do futebol internacional, goleou o Afeganistão por 6×0. Mas as esperanças luxemburguesas acabaram nas oitavas-de-final, ao perder de 1×6 para a Iugoslávia. Também passaram às quartas Suécia (3×0 na Áustria), Coréia (ainda uma só, fez 5×3 no México), Dinamarca (3×1 no Egito), Itália (9×0 nos Estados Unidos), Grã-Bretanha (4×3 na Holanda), França (2×1 na Índia) e Turquia (4×0 na China).

Com um ataque formado por Nordahl, Gren e Liedholm (que estavam em campo na final da Copa de 58 contra o Brasil), a Suécia não teve dificuldades em arrasar a Coréia, 12×0. Mais difícil foi a classificação de Dinamarca, Grã-Bretanha e Iugoslávia, contra, pela ordem, Itália, França e Turquia.

A boa fase sueca continuou nas semifinais, com uma vitória relativamente tranqüila no clássico escandinavo contra a Dinamarca. Na outra partida dessa fase, a Iugoslávia acabou com as esperanças britânicas ao vencer por 3×1 em Wembley (como era a seleção da Grã-Bretanha amadora, esse resultado não foi considerado a quebra da invencibilidade inglesa no estádio londrino, o que ocorreria cinco anos depois).

Na decisão, os suecos venceram sem grandes dificuldades a Iugoslávia. Foi a última medalha de ouro conquistada por um país capitalista até os Jogos de Los Angeles em 1984. Tinha início a fase de hegemonia dos países do Leste Europeu no futebol olímpico.

FICHA TÉCNICA
Suécia 3×1 Iugoslávia

Local: estádio de Wembley (Londres-GBR)
Público: 60 mil
Árbitro: William Ling (Grã-Bretanha)
Suécia: Lindberg; Knut Nordahl e Nilsson; Rosengren, Bortil Nordahl e Andersson; Rosen, Gren, Gunnar Nordahl, Carlsson e Liedholm
Iugoslávia: Lovric; Brozovic e Stankovic; Zlatko Cajkovski, Jovanovic e Atanakovic; Cimermancic, Mitic, Bobek, Zeljko Cajkovski e Vukas
Gols: Gren (24/1º), Bobek (42/1º), Gunnar Nordahl (3/2º) e Gren (22/2º de pênalti)

Classificação: 1º Suécia, 2º Iugoslávia, 3º Dinamarca, 4º Grã-Bretanha, 5º Itália, 6º Turquia, 7º França, 8º Coréia, 9º Holanda, 10º Luxemburgo, 11º México, 12º Índia, 13 º Egito, 14º Áustria, 15º China, 16º Estados Unidos, 17º Irlanda, 18º Afeganistão
 

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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