“Perdemos pontos no início”

Há quatro anos no mundo árabe, o meia Camacho, ex-Botafogo, ajudou o Al Shabab a chegar em 3º lugar na Liga Saudita 2007/8. Neste bate-papo conosco, o astro do ‘leão branco’, como o clube é conhecido, analisa e fala dos pormenores da temporada na Arábia Saudita. Além de adiantar. “A diretoria já me procurou duas vezes pra renovar”.
O Al Shabab ficou há 6 pontos do título, o que faltou para acompanhar o ritmo de Al Hilal e Al Ittihad?
A Liga Saudita é um campeonato por pontos corridos, mas ainda é uma competição muito curta, por ter apenas 12 clubes. O que aconteceu foi que no começo perdemos alguns pontos para times pequenos, e isso depois pra recuperar é difícil quando o campeonato não tem tantos jogos.
Não acha que falta uns três estrangeiros de bom nivel para o Al Shabab poder medir forças com Al Hilal e Al Ittihad?
Com certeza! Esse ano o Al Shabab só teve eu como estrangeiro jogando. Teve até um argentino, mas que não se firmou (Juan Martinez, ex-Cúcuta). Ele ficou mais no banco do que jogou, e apesar do nosso time ser bom, com uma boa base de jogadores árabes, estrangeiros aqui contam muito, e isso nos faltou, sim!
As diferenças são grandes entre o campeão Al Hilal e o vice Al Ittihad?
Esse ano o Al Ittihad teve um time mais técnico que o Al Hilal, que optou pela marcação, pela forca. Quem viu o jogo entre os dois, percebeu que foi uma partida com o resultado injusto, onde o Al Ittihad merecia ter vencido, e teria feito se não fosse as ótimas atuações do goleiro Al-Deayea e do zagueiro brasileiro Marcelo Tavares.
O Al Ettifaq teve um inicio arrasador. O Fábio, que jogou no Al Hazm, falou conosco e até disse que achava o melhor time do país.
Ele tiveram um começo muito bom, sim. Mas depois não conseguiram manter o mesmo nível, mas pode-se dizer que eles foram a grande surpresa!
Você não teve uma temporada com fantásticas atuações como na sua época de Al Hilal. Quais foram suas dificuldades nesta temporada?
A diferença entre o Al Hilal e o Al Shabab é muito grande. O Al Hilal é um time de muita torcida, já o Al Shabab não tem torcida, são poucos. Esse ano quem acompanhou o campeonato aqui viu que fiz grandes jogos. A maior diferença é na repercussão. No Al Hilal, um gol feito, a repercussão é muito grande, aqui já não é assim. Acredito que fui muito bem e prova disso é que o Al Shabab já veio conversar duas vezes comigo para renovar o contrato!
O que achou de trabalhar com o argentino Enzo Trossero? Que tipo de treinador ele é?
Ele é uma boa pessoa, um bom treinador. O estilo dele é de priorizar sempre o bom futebol.
Substituir Nashat Akram, ídolo da torcida, foi um peso muito grande para os meias?
Para o argentino Juan Martinez sim, pois ele teve muita cobrança por causa disso.
Nasser Al Shamrani, o goleador da temporada e seu companheiro de clube. Qual é o perfil desse jogador?
Esse jogador teve momentos distintos esse ano. Começou no banco, entrando nos jogos e indo mal, até que em um jogo contra o Al Qadsiya, entrou e fez 3 gols. A partir daí ganhou a posição e foi muito importante para o time, mas depois voltou a cair de rendimento e ficou muito tempo sem fazer gol. Isso o incomodou até fora de campo, onde teve alguns problemas internos. No ultimo jogo voltou a jogar bem e fazer gols, marcou cinco e se tornou o artilheiro.
O que aconteceu para o Al Shabab ser eliminado na 1ª fase da Liga dos Campeões árabes para o modesto Bizertin, da Tunísia?
Aquilo era inicio de temporada, onde tínhamos muitos problemas defensivos ainda, principalmente na parte aérea. Apesar de nós termos ganhado o primeiro jogo na Tunísia, por 2 a 1, eles vieram pra Arábia e conseguiram em dois escanteios marcarem dois gols. Ainda conseguimos descontar e levar para os pênaltis, mas acabamos eliminados.
O Al Ahli, adversário de vocês na final da Copa do Rei Saudita, será um oponente perigoso? O que você sabe sobre eles?
O Al Ahli é um time grande com bons jogadores, não tiveram uma boa temporada, ficaram mal colocados na liga e estão mal na Liga dos Campeões da Ásia. Mas, com certeza, é um time perigoso e vai ser muito difícil superá-los.
A reputação de Hélio dos Anjos a frente da seleção saudita não está muito boa. Os jogadores, a imprensa e o povo não gostam dele?
Aqui eu tenho um pouco de dificuldade para saber das noticias do dia-a-dia do futebol porque a televisão, os jornais, são tudo em árabe, então eu não acompanho. O que sei é através dos companheiros do clube. Pelo que os jogadores da seleção falam, vejo que gostam e aprovam o trabalho feito.
A diretoria do Al Shabab gastou 200 milhões para construir um Hotel 5 estrelas e um shopping e ainda pretende lançar um canal de TV e fazer um museu temático do clube. Não acha que um grande que só ganhou dois títulos sauditas nos últimos 15 anos deveria investir também dentro de campo?
Acho que é importante o investimento fora do campo para que o clube cresça, mas sem deixar de investir dentro, claro…
O Presidente do clube, o Sheikh Khaled Al Baltan, costuma interferir na escalação da equipe? Ele está sempre por perto e quer saber tudo?
Se interfere ou não, isso não tenho como lhe dizer, pois só o treinador teria, mas com certeza ele expressa sua opinião ao treinador, como também esta sempre por perto querendo saber de tudo!


