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“Perdemos a confiança do início”

O Rapid Bucareste faz uma campanha que está longe de agradar os seus fiéis torcedores na liga romena com 10 pontos atrás do líder Dínamo Bucareste, mas o goleador do certame atua nos ‘Feroviari’. Trata-se do meia Juliano – ou Spadacio, como preferem os romenos. O ex-jogador do Paulista, de Jundiaí, tem 10 gols e lidera a tabela de artilheiros na terra do Conde Drácula. Neste contato, o jogador de 28 anos, que está há quatro anos longe do Brasil, relata como está sendo sua experiência no futebol romeno. 

Talvez se o mês de setembro não tivesse sido tão ruim para o Rapid Bucareste, o time agora estaria brigando pelo título com o Dinamo. Você acha que a equipe se concentrou muito no jogo da Copa UEFA contra o Wolfsburg e isso prejudicou o rendimento no campeonato romeno naquele mês?

Não acho que esse tenha sido o motivo, mas claro que influenciou um pouco porque tínhamos planejado chegar à fase de grupos da Copa Uefa, mas não foi possível. Com a desclassificação, o time se abateu um pouco e perdeu a confiança que tinha nos primeiros jogos. O que esta realmente fazendo falta hoje são as duas derrotas que tivemos em casa nesse período sem vitórias que você citou, porque com esses 6 pontos hoje estaríamos no páreo.

Sendo um meia, como você está conseguindo marcar tantos gols a ponto de disputar a artilharia? O esquema lhe favorece?

Desde que cheguei eu sempre disse que não sou um jogador de fazer muitos gols e sim de organizar as jogadas para meus companheiros ficarem em condições de marcar, mas estou muito feliz de estar conseguindo fazer meus gols e disputar a artilharia. O esquema também tem me ajudado, tenho tido bastante liberdade para chegar a frente sem ter muito que se preocupar com a marcação e estando perto do gol a possibilidade de se marcar é maior. Espero que as oportunidades continuem aparecendo para que eu faça mais gols.

Quais as diferenças entre trabalhar com o técnico Marian Rada e o anterior, o português José Peseiro? Como eles são?

A maior diferença entre os dois é o idioma. Para mim o Peseiro se comunica melhor, até pelo idioma, já com o Rada fica mais difícil, mas vou me virando. Quanto ao trabalho, cada um tem a sua filosofia de trabalho e agente tem que tentar se adaptar o mais rápido possível. Já como pessoas, são também totalmente diferentes. O Peseiro é um treinador explosivo que fica na beira do campo o jogo todo orientando o time, dando bronca a cada jogada errada, cobrando a perfeição, porque ele sempre diz que chegando o mais próximo da perfeição o percentual de erros é menor e com isso vai se conseguir vencer muito mais. Já o Rada é diferente, não é um treinador de ficar falando muito a beira do campo, ele deixa o jogador fazer o que achar melhor, mas quando chega no intervalo a cobrança é grande. São dois grandes treinadores, cada um com suas qualidades.

O montenegrino Vladimir Bozovic falou conosco há mais de um ano. Ele continua sendo o cara mais engraçado do plantel?

Olha, é uma excelente pessoa e um grande jogador, mas o título de mais engraçado na nossa equipe tem que ir para o Claudio Pittbul. O cara é demais, só palhaçada.

Chama muito a atenção a variedade de estrangeiros que jogam no campeonato romeno. Tem jogadores de aproximadamente 40 países.

Quando eu vim para a Romênia eu não sabia que tinha tanto estrangeiro assim, até porque o futebol romeno não é muito falado, mas hoje em dia em qualquer país há muitos estrangeiros. Quanto ao futebol, é um nível muito bom com jogadas rápidas e bastante toque de bola.

No interior da Romênia existem muitas torcidas hostis e equipes de muita pegada? É complicado jogar nas cidades mais afastadas da capital?

Não é fácil, ainda mais em se tratando de uma equipe grande como o Rapid. Os clubes considerados pequenos tem sempre mais motivação nesses jogos e a dificuldade aumenta mais. O lado bom é que em todo lugar que vamos nossa torcida comparece bastante. No mínimo duas mil pessoas por jogo fora de casa.

O que achou de jogar os clássicos da cidade de Bucareste contra o Steaua e o Dínamo?

É sempre um jogo diferente dos outros, os torcedores lotam o estádio e a adrenalina dentro do campo é diferente das outras partidas, mas em geral é igual a qualquer outro clássico.

E o dérbi entre Nacional e Marítimo na Ilha da Madeira, em Portugal, é bastante disputado também?

Sim, quando chega esse clássico a Madeira pára, é uma rivalidade enorme não só para os jogadores, mas também pelos dois presidentes que não se entendem muito.

Inclusive o Nacional vai completar 100 anos no ano que vem. É um bom clube para se trabalhar?

Com certeza, é um clube que hoje dá uma condição de time grande para se trabalhar, construíram um hotel embaixo da arquibancada com 20 quartos, coisa de primeiro mundo. Hoje é um time que só fica atrás dos grandes e de mais ninguém.

O nível técnico na Áustria é muito baixo?

Pelo pouco que estive lá deu pra ver que é um futebol de muito contato onde se usa muito a bola aérea e tem muita marcação, mas o nível até que é bom.

Como você explica a capacidade que o Vagner Mancini teve de inspirar o Paulista para derrotar grandes clubes e ganhar a Copa do Brasil em 2005? Quais suas lembranças daquele feito histórico no qual você era titular?

Ele tinha o grupo na mão e sabia explorar o melhor de cada um. Nosso grupo não tinha vaidade, era um cobrando o outro, mas o primordial de tudo era a união. Foi o melhor grupo que peguei até hoje no futebol. O que mais me marcou além do título da Copa do Brasil e de ter visto uma cidade inteira parada na nossa chegada em Jundiaí no dia seguinte, foi o gol que fiz contra o Internacional nas oitavas de final. Fazia três dias que eu tinha chegado ao clube, entrei aos 15 minutos do segundo tempo e aos 38 fiz o gol que precisávamos para empatar a eliminatória. Nos pênaltis conseguimos passar para a outra fase. Esse título e esse gol jamais sairão da minha memória.

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Equipe Trivela

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