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“Penso que podemos ganhar”

Sendo um dos maiores orgulhos da pequena Itajuípe, interior da Bahia, o defensor Marcone, do Al Shamal, se naturalizou e agora defende a seleção do Qatar. Sua estréia aconteceu em um amistoso contra o Irã, no mês passado, e agora ele está concentrado para a partida contra a Austrália, em Melbourne. O jogo desta quarta-feira (06/02) é válido pela 1ª rodada do Grupo 1 das Eliminatórias Asiáticas para a Copa do Mundo de 2010, na África do Sul. Neste bate-papo, o zagueiro revelado na prolífica categoria de base do Vitória, nos anos 90, conta como aconteceu a naturalização, a expectativa da estréia contra os australianos, além de falar um pouco de sua trajetória.

Como aconteceu o convite para defender a seleção do Qatar e o que te levou a aceitar a naturalização?
O convite veio direto da federação de futebol. Na verdade já existia uma especulação muito forte em relação ao meu nome desde o meu primeiro ano aqui (2004) e como eu adoro esse país e estou totalmente adaptado, aceitei com o maior prazer.

Qual foi o seu sentimento na sua estréia contra o Irã?
Minha estréia contra o Irã foi emocionante, empatamos em 0 a 0 contra uma equipe muito forte e comandada por Ali Karimi, um excelente jogador. Recebi a aprovação de todos e isso me deixou muito feliz. Foi um momento especial porque estou fazendo parte de uma seleção que lutará para chegar a uma Copa do Mundo, coisa que é privilégio apenas para alguns jogadores.

Tendo você, o Fábio Montezine, o uruguaio Sebastian Soria e mais o Emerson que ainda vai estrear, qual é o sentimento dos jogadores locais vendo tantos estrangeiros jogando pela seleção do país deles? Existe algum rancor? Você percebe que eles são contra essas naturalizações?
De forma nenhuma, aliás, é bom salientar que estamos sendo muito bem recebidos na seleção tanto pelos torcedores quanto pelos jogadores. Eles entendem que podem adquirir mais experiência com a nossa presença e que as chances de ir a Copa do Mundo aumentaram.

Como é trabalhar com o técnico Jorge Fossati? Dizem que ele é muito franco no trato com os jogadores.
Trabalhar com Fossati tem sido uma experiência muito importante na minha carreira. É um treinador franco e de muita experiência. A seleção do Qatar está muito bem comandada.

Fossati sempre gostou de armar suas equipes no 3-5-2. Você se sente a vontade jogando neste esquema ou prefere atuar com uma linha de quatro defensores?
No meu primeiro treino eu tive uma conversa com o Fossati. Eu deixei bem claro que poderia atuar tanto na linha de quatro, como quarto zagueiro, quanto na linha de três, como líbero. Já tenho grande experiência nos dois esquemas e isso não vai ser problema.

Sente que o grupo está confiante para encarar a Austrália nesta quarta-feira (06/02) pelas Eliminatórias Asiáticas para Copa de 2010 ou existe o ‘frio na barriga’ já que vocês irão encarar um time muito forte fisicamente com muitos jogadores que atuam na Liga Inglesa?
Acho que uma estréia nas Eliminatórias de uma Copa do Mundo existe sempre uma ansiedade normal por parte de todos. Mas temos jogadores mais experientes e acho que isso pode minimizar o nervosismo da estréia. A Austrália é sim um time forte, mas tenho assistido alguns jogos deles e acho que temos plenas condições de fazer uma boa partida contra eles.

O Qatar caiu em um grupo onde está o Iraque, campeão asiático, a China, que foi muito bem nos amistosos preparatórios e tem uma torcida fanática, além da Austrália que tem um time experiente e um estilo mais europeu. Dentro desta chave tão difícil, existe esperança de classificação?
É realmente um grupo muito difícil, mas não podemos esquecer que o Qatar também está mais forte e competitivo, portanto, acreditamos muito em uma classificação e vamos lutar muito por isso.

Ronald De Boer nos contou que o meia-atacante, Khalfan Ibrahim, do Al Sadd, tem condições de jogar na Europa. Quais os outros jogadores catarianos que você considera de bom nivel e que poderiam atuar fora?
Khalfan é realmente um jogador muito especial com uma habilidade e controle de bola admirável e com certeza jogaria facilmente na Europa. Temos também o Ali Afif (20 anos, do Al Sadd), um atacante jovem que vem se mostrando uma grande revelação em nosso ataque. Na verdade, temos jogadores com muita qualidade, o que temos que mudar é a mentalidade e mostrar para esses jovens jogadores como ser profissionais de verdade.

O argentino Mauro Zárate, que acabou de sair do Al Sadd para o futebol inglês, foi um fracasso no Qatar ou foi vitima de boicote pela ‘panelinha’ que existe dentro do plantel, que não aceitava o salário altíssimo que ele ganhava? O que os jogadores do Al Sadd te disseram sobre ele?
Na verdade eu não sei muito bem o que aconteceu com Zárate, o que eu posso dizer é que seu futebol não estava agradando e o seu time (Al Sadd), que foi campeão com folga na última temporada, não conseguiu até agora reencontrar o bom futebol do ano passado. Talvez essa pressão foi decisiva para sua saída.

O que significou para você ter superado a marca de 100 jogos pelo Al-Shamal?
Fazer 100 jogos pelo Al Shamal não é nada fácil, somos um time modesto e que lutamos todos os anos para não ser rebaixados e graças a Deus estamos conseguindo, apesar das dificuldades. O que me deixa mais feliz é o respeito que eles tem pelo meu futebol e pela minha pessoa, assim como no Vitória, que joguei por sete anos e deixei muitos amigos. Até hoje torço por eles. Aqui no Al Shamal também me sinto em casa. Sou muito feliz aqui.

O que você aprendeu de mais importante trabalhando com treinadores como Evaristo de Macedo, Candinho e Ricardo Gomes? Como foi estar com eles no inicio da sua carreira, no Vitória?
Hoje eu sei o quanto é importante um jogador que está começando no profissional trabalhar com treinadores desse nível. Todos foram importantes, mas o que mais me marcou foi Ricardo Gomes, que além de eu ter aprendido muita coisa em nível técnico, eu também sempre admirei sua postura como homem, seu caráter e sua índole. Eles foram muito importantes para mim. Vale salientar que Evaristo de Macedo é o brasileiro mais conhecido e querido de todos os tempos aqui no Qatar. Foi ele que praticamente fundou o futebol aqui.

Entre o goleiro Fábio Costa e o meia Petkovic, qual deles é mais complicado e tem um temperamento mais difícil?
O Petkovic sempre foi uma referência para nós no Vitória. Sempre foi um exemplo como pessoa e como jogador, não é à toa que ele é conselheiro do clube. Já o Fábio, que eu conheço melhor e convivi muitos anos entre base e profissional, posso dizer que ele é especial. Tem uma personalidade muito forte, mas é uma pessoa de bom coração. Na minha opinião, tecnicamente falando, Fábio Costa é o melhor goleiro do Brasil atualmente.

O atacante Bebeto, tetracampeão do mundo, é esse ‘bom moço’ que todos dizem ou não é nada disso? Como foi trabalhar com ele em 97?
Bebeto foi um dos melhores atacantes que o mundo viu jogar. Lembro-me de quando ele chegou no Vitória e todos os jogadores ficavam admirando sua qualidade de jogar futebol como se ele fosse um extraterrestre (risos). Ele é sim uma pessoa admirável e mereceu tudo o que ele viveu no futebol. Às vezes brinco com os meus amigos falando que se Bebeto não fosse tão ‘garçom’ como ele foi, com certeza teria sido o melhor do mundo em sua época.

FICHA

Nome: Marcone Amaral Costa Júnior

Data de Nascimento: 05/abril/1978, em Itajuípe, Bahia.

Clubes:
1997: Vitória
1998: Vitória
1999: Vitória
2000: Vitória
2001: Vitória
2002: Venezia-ITA e Bellinzona-SUI
2003: Vila Nova/GO
2004: União Barbarense e Marilia
2004/5: Al Shamal-QAT
2005/6: Al Shamal-QAT
2006/7: Al Shamal-QAT
2007/8: Al Shamal-QAT

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