Pé-quente no cerrado

Depois de um ano de 2007 triunfal onde ganhou dois títulos nacionais em passagens relâmpagos por clubes asiáticos, o artilheiro Schwenck está de volta ao Brasil. O atacante, de 28 anos (foto ao lado), acertou com o Goiás e já marcou logo na estréia do Campeonato Goiano 2008 no clássico contra o Atlético. Ele também repetiu a dose ontem (24/01) na derrota por 2 a 1 para o Anápolis pela 2ª rodada do Goianão. Neste bate-papo, o vice-artilheiro do Brasileirão 2006 conta à Trivela as razões que o levaram a retornar ao país e suas percepções no novo clube. Confira!
Depois de um ano de 2007 mágico onde você ganhou o campeonato israelense e o coreano, porquê decidiu voltar ao Brasil e porquê escolheu o Goiás?
Com certeza foi um ano mágico na minha carreira. O que pesou foi meu filho que não estava se alimentando bem e estava difícil continuar na Coréia do Sul. Nesta época do ano estaria muito frio e ele sofreria muito. O Goiás foi uma escolha de estrutura e salários em dia porque você sabe, às vezes aparecem times que te oferecem muitas coisas e não cumprem.
Estamos começando a temporada e obviamente você ainda não está 100{a12cf170529acbd7b36c6d9566dcea6b97d0f72dc979800f5851fcdd34e7d94a} fisicamente, esse gol na estréia do Campeonato Goiano, contra o Atlético, foi importante para te dar confiança e tranquilidade?
Com certeza, quando você faz um gol você fica mais confiante para tentar outras jogadas sem medo de errar e afasta um pouco a pressão.
Quais as impressões você teve do Campeonato Goiano depois dessa 1ª rodada? O que deu para sentir?
O nível é bom, tem times que estão sendo apoiados por prefeituras que estão fortes e tem grandes chances de conquistar o titulo.
Está satisfeito em trabalhar com o técnico Caio Júnior? Como ele é nos treinos?
É um treinador que te passa bastante confiança e esta sempre te colocando pra cima. Nos treinos, ele esta sempre colocando coisas novas para surpreender os adversários. Estou feliz aqui.
Você gosta de atuar como um centroavante fixo na área ou prefere fazer a função de segundo atacante saindo para buscar mais a bola? Como você se sente mais a vontade?
Eu prefiro ficar mais fixo, mas nunca tive problema de sair um pouco mais. Na Coréia eu saía mais porque o treinador esperava que eu fizesse uma jogada mais arriscada.
O Goiás vai estrear na Copa do Brasil contra o Cacerense, do Mato Grosso, uma equipe que está em ascensão no estado deles. Os jogadores ou a comissão técnica já falaram a respeito dessa partida? Como se comportar diante dessas equipes desconhecidas e que vem motivadas para enfrentar clubes de mais expressão?
Com certeza, já sabemos que vai ser uma pedreira, mas temos que saber que se fizermos dois gols lá, evitaremos o segundo jogo.
Pretende cumprir o contrato com o Goiás ou se pintar a chance de sair novamente, você vai?
Creio que devo ficar até o final. Para eu sair do Goiás terão que pagar uma multa rescisória de 13 milhões.
No Beitar Jerusalém havia uma concorrência enorme do meio para frente. Qual foi a verdadeira razão de você ter deixado a equipe de Israel?
Houve uma mudança de treinador e o atual (Itzhak Shum) preferiu trazer um outro jogador, mas foi bom porque fui para Coréia e fui campeão de novo.
O Pohang Steelers ganhou a K-League 2007 depois de 15 anos e vai jogar a Liga dos Campeões da Ásia. Não acha que seria uma grande experiência jogar o principal torneio da Ásia?
Como eu falei, meu filho fez com que eu pensasse melhor na escolha e também eu fiz uma proposta para o presidente e ele não quis me valorizar pela conquista. Aí não chegamos a um acordo.
Acha que o técnico brasileiro Sérgio Farias, do Pohang Steelers, vai fazer nome na Ásia? Como foi trabalhar com ele?
Creio que sim, o nome dele já foi lembrado para seleção coreana e foi uma experiência boa trabalhar com ele. Inclusive, foi um dos que defenderam minha permanência no clube. Mas o Presidente não deu o reajuste que pretendíamos.
Quais as principais diferenças que você observou entre a J-League e a K-League? Qual delas é mais competitiva e tem um futebol mais interessante de ser visto?
O futebol japonês esta um pouco mais evoluído na parte tática, na cadência do jogo. Já o da Coréia ainda está muito baseado na força física e na velocidade. Mas as duas ligas são muito competitivas.
O CFZ ainda não é um clube expressivo no Brasil, mas revelou e serviu de trampolim para uma infinidade de jogadores, preparadores e técnicos que estão espalhados pelo mundo. A organização e as idéias do Zico são as razões para o clube ser tão produtivo assim?
Acho que sim, tem uma estrutura que muitos grandes clubes não tem e ainda tem um nome por trás que é muito forte, que é do Zico. Outro exemplo é o Nova Iguaçu, que tem uma estrutura boa e esta fazendo seu próprio estádio, sendo comentado em todo o Brasil.
FICHA
Nome: Cléber Schwenck Tiene
Data de Nascimento: 08/02/1979, Rio de Janeiro
Clubes:
1993: Nova Iguaçu
1994: Nova Iguaçu
1995: Nova Iguaçu
1996: Nova Iguaçu
1997: Nova Iguaçu
1998: Nova Iguaçu
1999: CRB
2000: Juventus
2001: CRB
2002: CFZ
2003: Bragantino, América e Al Riyadh-ARA
2004: Cruzeiro e Botafogo
2005: Vegalta Sendai-JAP
2006: Figueirense
2007: Beitar Jerusalém-ISR e Pohang Steelers-COR
2008: Goiás
Títulos: Campeão Brasiliense (2002), Mineiro (2004), Catarinense (2006), Israelense e Sul-coreano (2007).


