Paulo Nagamura: “MLS é melhor do que parece”

O meio-campista brasileiro Paulo Nagamura prepara-se para a disputa de mais uma final de campeonato nos Estados Unidos. O jogador do Los Angeles Galaxy entra em campo nesta quarta-feira para a decisão da US Open Cup, torneio que reúne times de todas as divisões dos Estados Unidos. A equipe californiana briga para conquistar o troféu pelo segundo ano consecutivo
Nesta entrevista exclusiva concedida à Trivela, Nagamura conta um pouco sobre a experiência de jogar nos EUA e sua passagem pelo Arsenal, onde passou pelas categorias de base logo depois de sair do São Paulo. No clube paulistano, chegou a atuar ao lado de Kaká nas divisões inferiores. Em 2001, Paulo foi negociado com o clube inglês, onde defendeu a equipe reserva. Em seu primeiro ano na Inglaterra, ele sofreu uma lesão no tornozelo direito, o que prejudicou sua situação. Nos três anos nos quais ficou na Europa, Nagamura participou de 25 partidas e marcou dois gols.
Em 2005, o jogador aceitou uma proposta para jogar nos Estados Unidos e diz ter se surpreendido com o que encontrou. Para quem imaginava encontrar um campeonato de nível técnico inferior e desinteresse do público pelo esporte, a realidade mostrou-se completamente diferente. “Quando cheguei aqui, vi que estava completamente errado, porque o nível do futebol é muito melhor do que se parece”, afirmou.
Confira a entrevista completa com Paulo Nagamura
O LA Galaxy conquistou a última edição da US Open Cup e chega de novo à decisão. A que você credita o bom desempenho da equipe nesta competição?
O fato de o LA Galaxy ter um time forte, com jogadores de nível internacional e também da seleção dos Estados Unidos foi o motivo mais forte de chegarmos mais uma vez à final da competição.
Vocês ganharam a MLS no ano passado, mas nesta edição apresentou uma queda de rendimento. O que aconteceu para a equipe ter oscilado tanto de uma temporada para outra?
Desde o ano passado, quando conquistamos o torneio, aconteceram várias coisas. Nosso presidente faleceu no começo do ano [Doug Hamilton sofreu um enfarte durante um vôo], e ele era uma pessoa muito querida pelos jogadores e pela comissão técnica do clube. Não podemos dar desculpas, mas também houve troca de treinador, chegada de muitos jogadores diferentes… Acredito que o LA Galaxy não conseguiu formar um grupo no começo do campeonato. Foi por isso que começamos muito mal.
Como é o ambiente no país para a disputa da US Open Cup? Há o mesmo destaque do que o dado à MLS?
Não se dá a mesma do que a credibilidade que dão para a MLS Cup, mas é um torneio bem conceituado nos Estados Unidos. A torcida sempre comparece em grande número aos jogos. É algo como a Copa do Brasil, da qual participam time de todas as divisões e ligas. É o campeonato mais antigo dos EUA. No ano passado, fomos campeões e este ano voltamos à decisão, desta vez contra o Chicago Fire.
Na sua opinião, com está a evolução do futebol nos EUA? Já se chegou ao ápice ou ainda há o que evoluir?
Depois que fizeram a Copa por aqui, o futebol cresceu muito. Acredito que ainda tenha condições de crescer mais. É um projeto de longo prazo e depende só deles para melhorar mais.
Como foi sua transferência para os Estados Unidos?
Meu empresário é norte-americano e tem contatos nos EUA. Foi uma porta que se abriu para mim quando saí do Arsenal. Vi que o mercado nos Estados Unidos estava crescendo e achei que seria uma boa vir para cá e jogar.
Que idéia você tinha do futebol nos EUA?
Não vou mentir: antes de vir para cá, tinha visto pouca coisa do futebol dos EUA na televisão. Quando cheguei aqui, vi que estava completamente errado, porque o nível do futebol é muito melhor do que se parece. Os estádios estão sempre cheios, com médias de público entre 15 mil e 20 mil pessoas. Além disso, há muitos bons jogadores, quase do mundo todo. O nível está muito bom, a organização é fantástica e isto superou minhas expectativas. Sem falar que Los Angeles é uma cidade ótima para se morar. O clima é maravilhoso e tem tudo o que você precisa para viver.
Para você, quais são as maiores diferenças entre os estilos de jogo inglês, brasileiro e norte-americano?
O brasileiro é mais lento, cadenciado. Na Inglaterra, é um pouco mais rápido e ‘pegado’. Aqui há uma mistura entre os dois estilos. Como já tinha jogado na Inglaterra e no Brasil, foi fácil me adaptar.
Como é a estrutura do LA Galaxy? Dá para comparar com a de clubes mais tradicionais?
O clube oferece uma estrutura ótima para seus jogadores. O clube possui um estádio com capacidade para 27 mil pessoas. Além disso, mantém seis campos de treinamento, sendo um deles com grama sintética, academia…
O fato de ser brasileiro criou uma expectativa maior quando você foi contratado pelo LA Galaxy?
Eles gostam muito dos brasileiros, mas acredito que não se gerou muita expectativa quando cheguei. Na época em que fui contratado, cheguei com mais um brasileiro e dois costa-riquenhos, mas hoje nenhum deles joga no LA Galaxy. Os norte-americanos acreditam que os brasileiros possam fazer a diferença, mas também crêem na sua própria força.
Quais são suas expectativas para o futuro?
Estou muito feliz aqui no LA Galaxy, mas penso na minha carreira e em ir para um mercado maior. Quem sabe na Europa, mesmo no Brasil ou até no Japão, pois tenho ascendência. Vou terminar esta temporada e em seguida pensarei sobre qual será o melhor passo para seguir.
Como foi sua passagem pelo Arsenal?
Fiquei três anos lá. Cheguei com 18 anos e fui campeão inglês no meu primeiro ano, com a equipe sub-19. Nos outros dois anos, fiquei no time B. Tive a oportunidade de jogar contra os atletas do time titular como Edu, Gilberto Silva, Henry, Pires, Bergkamp… Foi uma grande experiência para mim.
Então foi mais um aprendizado ou tinha chances de defender o time titular?
Acredito que foi um grande aprendizado para mim. É muito difícil algum jogador vindo das categorias de base do Arsenal chegar ao time de cima. Não tive chances, mas foi uma grande experiência para minha carreira.
Você jogou ao lado de Kaká nas categorias de base do São Paulo. Por que sua carreira seguiu uma linha diferente da dele?
Como o Arsenal, o São Paulo é uma equipe com muitos jogadores bons e é muito difícil chegar ao time profissional. O São Paulo dá mais chances aos seus atletas, mas apesar disso conta com diversos atletas bons. Acredito que o Kaká também teve muita sorte e juntou isso com a habilidade e técnica que tem para fazer a diferença.
Como você avalia o desempenho da seleção dos EUA na Copa?
Eles pegaram uma chave muito difícil, com Itália, República Tcheca e Gana. Os Estados Unidos tinham um time regular e razoável para chegar à segunda fase. O fator-chave foi ter caído num grupo complicado.


