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Paulo Henrique: “Agora, eu não voltaria ao Brasil”

Desde que iniciou a carreira, no Atlético Mineiro, em 2007, o atacante Paulo Henrique somente teve experiências fugazes no Brasil. Conseguiu iniciar bem nos profissionais do Galo, mas, tão rápido quanto surgiu, foi transferido para o Heerenveen, da Holanda. Lá, conquistou o primeiro título da história do clube (a Copa da Holanda, na temporada 2008/09) e teve boas atuações. Mas preferiu voltar ao Brasil, tentando oportunidades no Palmeiras. Novamente, sem sucesso: mal jogou pela equipe.

Então, o paraibano de João Pessoa decidiu voltar à Europa, defendendo o Westerlo, da Bélgica. E, novamente, começou bem, fazendo gols e ajudando os Kempeneers a fazerem boa campanha na Jupiler League. É exatamente sobre esta nova reação que vive em sua carreira que Paulo Henrique falou à Trivela. Confira.

Você chegou à Bélgica no ano passado, marcou logo no seu primeiro jogo, não demorou para virar titular do Westerlo – tomando a posição do peruano Chávez – e tem uma média de gols boa no Campeonato Belga (meio gol por partida). Por que você acha que teve uma adaptação tão rápida?
Acho que é porque o futebol belga não é tão diferente do da Holanda, onde passei três anos. Minha experiência anterior na Europa também facilitou a adaptação à Bélgica.

Quando você chegou à Bélgica, já sabia como era o estilo de jogo? Você não demorou para entender o que o técnico queria de você no esquema? O fato de ter experiência anterior na Europa lhe ajudou a se adaptar mais rapidamente?
Eu já estava acostumado com o frio, por ter passado os três anos na Holanda. Na questão do idioma, as línguas faladas aqui são as mesmas que as da Holanda, o holandês e o inglês. O treinador daqui é um pouco diferente, mas, aos poucos, ele vem me ajudando, vem mostrando como eu tenho de jogar. Com isso, eu fui criando mais confiança. Depois de três ou quatro partidas, virei o titular, e até hoje continuo assim. Isso é muito bom.

O Westerlo não conseguiu ir para o hexagonal final do Campeonato Belga, mas chega para o play-off da Liga Europa com boas chances de garantir vaga – como no ano passado, quando foi derrotado pelo Racing Genk na decisão do play-off. O ambiente no time é bom? A torcida cobra, confia na vaga?
Sobre a torcida, é uma das melhores que eu tive, porque ela não cobra tanto dos jogadores. O ambiente do elenco também é um dos melhores de que eu já participei. É muito tranquilo, parece uma família. Quando a gente chega [para o treino], de manhã, todo mundo conversa, sem discriminação. Temos boas chances de nos classificarmos para a Liga Europa.

Há dez anos o Westerlo não ganha um título na Bélgica. Essa possibilidade existe agora, pois o time também está nas semifinais da copa do país. A torcida acredita na conquista?
Sim, a torcida está otimista. Os jogadores também. De minha parte, eu estou muito ansioso, porque é a segunda vez que jogo por uma copa nacional. Se o time vencer, vou ficar muito feliz, pois já vivi isso pelo Heerenveen, na Holanda, por onde ganhei uma copa, sendo que o time nunca havia vencido nada. E, agora, posso acabar com um jejum de dez anos. Na próxima quarta-feira, temos um jogo muito importante (a partida de volta das semifinais, contra o Cercle Brugge). É bom que consigamos a classificação para a final.

Seu treinador é Jan Ceulemans, um dos grandes ídolos da história do futebol belga. Qual é o estilo dele no comando? A torcida gosta dele? Os jogadores também?
Gostam, sim. Por ter sido um grande jogador, ele também tem noção de como ser treinador. Então, ele ajuda bastante a gente na forma de jogar. Principalmente no meu setor, porque eu sou atacante, como ele também foi. Então, isso facilita um pouco mais para que eu o entenda, e ele também possa me entender. O grupo todo tem uma imagem positiva do treinador, além da torcida. Além de tudo, como você falou, ele foi um grande jogador, é um grande ídolo.

Você acha que se entrosou bem com o Dekelver, seu companheiro de ataque?
Sim. Ele foi o primeiro parceiro com quem eu joguei no ataque, pelo time B, num amistoso. Ele estava sem jogar, no banco. E a gente se dá muito bem, pois ele é um jogador rápido, já tem uma certa idade (31 anos), é inteligente. Isso facilita mais para mim. Eu fico mais no canto, enquanto ele centraliza mais, tendo o posicionamento certo. Espero que nesta temporada tudo seja bem melhor.

Por que você decidiu sair do Heerenveen? Vontade própria, para conseguir um espaço em um time brasileiro? Ou houve problemas dentro do time, com alguém?
A minha ida para o Heerenveen foi contra a minha vontade. Isso me abalou psicologicamente. Eu era muito novo, queria mesmo era virar ídolo no Atlético Mineiro. Mas não tive oportunidades, porque, na época, o presidente Ziza me obrigou a ir. Eu até tinha idade para atuar nos juniores, e ele me disse que, se eu não fosse, eu desceria para os juniores e não jogaria mais. O Atlético ia perder dinheiro, e era uma boa proposta. Então, eu tive de vir.

Foi até bom, me adaptei bastante. Só que, depois de três anos, eu estava cansado, me sentindo angustiado, deprimido. Então, conversei com meu empresário, e vi que o melhor era voltar para o Brasil. Ele mencionou o nome do Palmeiras, e eu achei muito boa a menção, pois é um grande clube. Eu poderia virar ídolo lá, mas foi tudo por água abaixo. Eu também tinha muitas propostas de clubes da Europa, como Twente, Feyenoord, AZ. Mas abri mão, pois queria voltar ao meu local de origem. Queria jogar mais dois, três anos no Brasil, para depois retornar à Europa novamente. Mas foi isso, não deu certo. Acontece.

Mesmo ao voltar para o Palmeiras, você não recebeu muitas oportunidades. Essa volta ao futebol brasileiro lhe decepcionou, você acha que poderia ter feito mais? Na sua opinião, o que deu errado?
Eu me decepcionei bastante. Não somente com o clube, mas por causa também da minha família. Eu queria voltar para ter mais contato com eles no Brasil, visitá-los mais vezes, para que pudessem viver junto de mim e me ver jogar mais. Eu tinha contrato por dois anos com o Palmeiras, e ele era muito bom. Mas eu não queria ficar afastado do grupo, sem jogar. Então, abri mão de tudo e voltei para a Bélgica, com um contrato 75% menor do que o do Palmeiras, porque eu acreditava no meu potencial. Agora já marquei onze gols, tenho mais sete jogos para fazer mais gols. O negócio é levantar a cabeça.

Se você recebesse uma outra proposta, gostaria de retornar, agora, ao futebol brasileiro?
Acho que não. Agora, nesse exato momento, não voltaria ao Brasil, porque já estou recebendo propostas de outros clubes na Europa. Anderlecht, Standard, Racing Genk, clubes da primeira divisão da Alemanha, da França… então, acho que ficarei aqui mais três anos, fazendo o meu nome mais seguro na Europa, de novo.

Há outro brasileiro no Westerlo, o Ellenton (Liliu). Vocês se falam, se ajudam na adaptação ao clube? Você dá conselhos a ele?
Sim. Ele é um jogador muito inteligente. Tem 20 anos. A gente se conversa todo dia, jantamos, sempre vamos ao mercado, ao restaurante. Espero ter a oportunidade de jogar com ele, ainda, porque é um atacante rápido. Gosto de jogar com atacantes assim. Se isso acontecer, acho que será bem bacana.

O Campeonato Belga vive uma polêmica, nos últimos tempos. Algumas torcidas protestam contra a decisão da liga de manter os play-offs pelo título e pela Liga Europa. Dá para sentir essa irritação ou o sistema de disputa não importa?
Da minha parte, até hoje, se você perguntar para mim sobre esse sistema de play-offs, eu digo que não entendo. É muita complicação. A gente vai jogar agora esse segundo play-off [pela Liga Europa]. Se ganharmos, jogaremos contra o primeiro do outro grupo. Se ganharmos de novo, então, jogamos contra o terceiro colocado do hexagonal final… até hoje, se você me perguntar, eu não entendo. Mas acho que [o sistema de disputa] vai mudar, no ano que vem. Eu conversei com o capitão da equipe, e ele disse que esses play-offs vão acabar. Acho que será melhor, porque eu nunca vi campeonato assim.

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Equipe Trivela

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