Parasitismo

(foto: Estado de Minas)
O jovem zagueiro Leandro Almeida marcou o gol que abriu o caminho para a vitória do Atlético-MG sobre o Juventude, que livrou o Galo da ameaça de rebaixamento no Brasileirão. Na comemoração, virou-se para a torcida e fez um gesto com os punhos cruzados e os dois dedos médios em riste. É o gesto da principal facção organizada atleticana. Na final do Mineiro, o mesmo sinal havia sido feito pelo meia Marcinho.
Não me incluo entre os que defendem a extinção das torcidas organizadas ou as caracterizo como um antro exclusivo de marginais. Acredito que, desde que monitoradas e fiscalizadas decentemente, o que ainda não se faz, elas podem contribuir muito para o espetáculo, em uma relação de simbiose. Hoje, as facções têm com os jogadores de futebol uma relação de parasitismo. Exigem “identificação” não apenas com o clube, mas com a torcida organizada. Fazem chantagem ou até extorsão.
Exemplos do poder parasita das torcidas organizadas não faltam. Vai desde o “encare se puder” ostentado por Rogério Ceni na comemoração do título do São Paulo até a atitude do capitão do IFK Göteborg, que festejou o título sueco com a camiseta de um grupo de hooligans (leia mais na coluna de Luciana Zambuzi). Na Itália, bastou que um grupinho de dezenas de torcedores da Atalanta se juntasse para impedir a realização do jogo contra o Milan.
O torcedor que hoje Leandro Almeida agrada com seu gesto – além de tudo, obsceno – pode ser o mesmo que vai ao centro de treinamentos botar terror quando as coisas não saírem bem dentro de campo. Portanto, Leandro, se quiser demonstrar sua identificação com o Galo, bata no peito, beije o escudo. Sua obrigação é com o time. Não com a facção.


