Paquetá: “Falta intercâmbio à Arábia”

A Arábia Saudita é uma das grandes incógnitas da Copa. Sem jogadores no futebol europeu e limitando sua experiência internacional a competições asiáticas e do mundo árabe, os sauditas são desconhecidos no cenário mundial. O que se reverte contra eles próprios, pois a falta de intercâmbio dificulta o desenvolvimento do time.
O próprio técnico da seleção saudita admite isso. “Vamos bem em competições asiáticas, mas o time ainda tem dificuldade contra equipes sul-americanas e européias”, comentou o brasileiro Marcos César Dias de Castro, o Marcos Paquetá, em entrevista exclusiva à Trivela. Justamente por isso, o treinador comemora o fato de um dos adversários do grupo H na primeira fase da Copa ser a Tunísia (os outros são Ucrânia e Espanha). “O futebol dos dois países tem características parecidas e os jogadores se conhecem bastante.”
Além de falar sobre a dificuldade de intercâmbio com outras seleções, Paquetá comentou as condições de trabalho que recebe da federação saudita. E disse que não se sente pressionado por trabalhar em uma equipe com histórico de demitir técnicos constantemente, mesmo sem motivo aparente.
Abaixo está um trecho da conversa da Trivela com Paquetá. A íntegra da entrevista está na quarta edição da revista Copa´06. Clique aqui para encomendar a sua.
Confira a entrevista
A Arábia Saudita tem um histórico de demitir técnicos em momentos considerados impróprios. Candinho foi dispensado em 1993 pouco depois de classificar a seleção para sua primeira Copa, Carlos Alberto Parreira caiu no meio do Mundial de 1998 e, ano passado, Jorge Calderón não seguiu seu trabalho mesmo passando pelas Eliminatórias. Isso deixa uma pressão muito forte sobre o atual técnico, no caso, você?
Até parece que tem muita pressão, mas não é bem assim. Na verdade, a única coisa que é realmente forte é a expectativa para apagar a imagem ruim deixada na última Copa. Só isso. No meu caso, sei que meu trabalho será avaliado pelos resultados e pelo que o time fizer em campo, e não pelo que as pessoas podem pensar ou falar antes do Mundial.
Quais as condições de trabalho que a federação saudita lhe dá?
É acima da média: eles me dão tudo o que eu preciso, até avião particular para ver jogos internacionais, psicólogo, segurança… Enfim, toda a infra-estrutura que se possa imaginar. Teremos até um cinegrafista para fazer imagens do time para analisarmos nos treinos e na concentração.
É raro haver um jogador saudita na Europa. Por que acontece isso?
Acho que é por causa da adaptação. A forma de vida deles aqui, a cultura, a religião, é completamente diferente. E o próprio jogador não tem muita vontade de sair da Arábia Saudita. Mas uma coisa é importante ressaltar: esse grupo que de hoje é, talvez, o que conta com mais jogadores com intenção de atuar fora do país, em grandes centros.
Isso dificulta o intercâmbio entre a Arábia Saudita e os principais centros?
Esse é um dos nossos maiores desafios. Em competições asiáticas, o retrospecto da seleção da Arábia é muito bom. Mas o time ainda tem dificuldade contra europeus e sul-americanos.
Nesse aspecto, o fato de um dos adversários na Copa ser a Tunísia, um outro país árabe, facilita?
Ah, e como! O futebol dos dois países tem características parecidas e os jogadores se conhecem bastante. Até porque todo ano é disputada a Copa dos Campeões Árabes, envolvendo países de origem árabe no Norte da África e no Oriente Médio. Deve ser um jogo muito bom.
E o que você conhece de Espanha e Ucrânia?
Hoje, o futebol globalizou e todas as seleções se conhecem. Temos uma vasta relação de jogos de Tunísia, Espanha e Ucrânia, com muitas informações dos jogadores de cada time. Já temos uma noção muito boa do que vamos enfrentar.


