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Pan? Que Pan?

A dois meses do início da 15ª edição dos jogos Pan-Americanos, o futebol ainda vê sua participação cercada de polêmica, confusão e indefinição. Na verdade, não é a primeira vez que isso acontece. Em toda a história do Pan, o torneio de futebol poucas vezes foi encarado como uma competição importante.

Abaixo, você pode conhecer um pouco mais da história do esporte no Pan-Americano e a quantas andam os preparativos para o torneio deste ano.

História

O futebol faz parte do Pan-Americano desde sua primeira edição, disputada em Buenos Aires, em 1951. Até 1963, o torneio foi disputado em formato de liga, sem final ou disputa de terceiro lugar. Em 1971, testou-se uma fase inicial de grupos seguida de mata-mata. Já em 1983, a excentricidade deveu-se ao fato de a fase final ter sido disputada por apenas três equipes.

A primeira edição, na Argentina, foi boicotada pelos brasileiros (que só estrearam em 1959) e vencida pelos donos da casa. De lá pra cá, os platinos venceriam mais cinco edições, o que faz deles os maiores vencedores da história do torneio. O Brasil vem atrás, com quatro conquistas, seguido de México (três), EUA e Uruguai, que ganharam uma vez cada.

O leitor bom de conta irá se perguntar por que temos 15 campeões em 14 disputas. Vale elucidar que a competição de 1975 teve dois vencedores, México e Brasil. Ao menos se nota que a bagunça não vem de hoje. Os argentinos são os atuais campeões, graças à vitória por 1 a 0 contra o Brasil, gol de Maximiliano Lopez, em Santo Domingo-2003.

Desdém

Quem lê o parágrafo anterior pode presumir que haja uma grande rivalidade entre Brasil e Argentina e que os dois vizinhos levam o que têm de melhor para esse tipo de disputa. Ledo engano. A grande verdade é que o torneio de futebol é nitidamente desprezado e visto com aborrecimento por boa parte dos participantes. Exemplo disso é o fato de brasileiros e argentinos terem levado suas respectivas equipes sub-20 para Santo Domingo (e ainda assim terem chegado à final), apesar de o regulamento permitir equipes sub-23. Por sinal, os argentinos nem foram liderados pelo treinador da seleção sub-20, que na ocasião acompanhava o elenco sub-17, na Finlândia.

A seriedade com que a maioria dos países encara a competição também se traduz pelo terceiro lugar de Curaçao em 1955, o quarto do Haiti em 1959, a medalha de prata de Bermuda em 1967 e os vice-campeonatos de Guatemala (1983) e Honduras (1999). Já a edição de 1991, quando os norte-americanos se sagraram campeões, assistiu a um boicote generalizado dos países sul-americanos.

Destaques

Em termos individuais, a disputa também revela uma série de nulidades, mas no meio dos desconhecidos aparecem alguns jogadores de renome. Gérson, o ‘Canhotinha de Ouro’, jogou ao lado de jovens atletas de equipes do Rio de Janeiro em Chicago-59. Ficou com a prata, ao perder para a Argentina no saldo de gols. A edição seguinte, disputada em São Paulo, assistiu ao primeiro título do Brasil, que exibia em suas fileiras Carlos Alberto Torres e Jairzinho.

Em Indianápolis-87, o Brasil conquistou seu quarto (e último) ouro, com um time que contava com um trio que seria tetracampeão da Copa do mundo 13 anos depois: Taffarel, Ricardo Rocha e Raí. O título ianque de 1991 foi conquistado pelo goleiro Friedel, Cobi Jones e Claudio Reyna. Já em Mar del Plata-95, os donos da casa lançaram mão de Zanetti, Ortega, Crespo e Sorín para bater os mexicanos nos pênaltis e ficar com o ouro. Por fim, em Santo Domingo 2003 os brasileiros tiveram o goleiro Fernando Henrique, Coelho, Diego Souza, Dudu Cearense, Vagner Love e Dagoberto.

Edição de 2007: o caos

A competição de futebol masculino de campo será disputada entre 14 e 29 de julho, no Rio de Janeiro. A edição de 2007 tem sido polêmica antes mesmo de a bola rolar e esteve seriamente ameaçada de não acontecer – a começar pela (in)definição do regulamento.

Historicamente, a competição é disputada por equipes sub-23, com a permissão para que até três jogadores acima dessa faixa etária participem. Para o Rio-2007, no entanto, o comitê organizador definiu que a competição será disputada por equipes sub-20 (os três ‘curingas’ continuam valendo). Tal alteração se deu devido às “circunstâncias especiais do momento e à complexidade do calendário internacional do futebol”.

Detalhe 1: a definição foi divulgada em 29 de março, a menos de quatro meses do início da competição. Detalhe 1: as datas do Pan coincidem com a disputa do mundial sub-20, que será jogado entre 30 de junho e 22 de julho, no Canadá.

A decisão desagradou a gregos e troianos e teve sérias implicações. Em primeiro lugar, contraria a determinação da Conmebol, que já havia decidido desde o ano passado que a disputa se daria entre equipes sub-17. Há também a questão da sobreposição com o mundial sub-20, que implicou na recomendação, por parte da Concacaf, de que Costa Rica, Panamá, México e Estados Unidos simplesmente boicotassem a competição. As quatro seleções acataram a recomendação e não participarão do Pan. A Concacaf já anunciou os substitutos: Jamaica, Haiti, Honduras e El Salvador.

Além disso, agora Conmebol e Odepa (Organização Desportiva Pan-Americana) estão em conflito devido ao número de vagas destinadas aos sul-americanos. Inicialmente, a Odepa limitou a quatro os representantes da Conmebol. Ocorre que o regulamento do Sul-Americano sub-17 rezava que os seis melhores colocados estariam automaticamente classificados para o Pan. De acordo com a entidade, a disputa do torneio por seleções sub-17 significa “falta de seriedade”. No final, se nada mais mudar, acordou-se que 12 times disputarão o torneio: seis da Conmebol e seis da Concacaf.

Mas a confusão não para aí: a disputa sub-20 descaracteriza a competição, segundo a Odepa, uma vez que o objetivo seria ter em campo boa parte dos atletas que estarão nos Jogos Olímpicos do ano seguinte. Por isso, a recomendação da Odepa era que o torneio fosse jogado por equipes sub-22. Para completar a salada, o Brasil e os demais sul-americanos jogarão com seus times sub-17.

Diante de tamanha algazarra, a Odepa anunciou que só não cancelou a competição de futebol porque os jogos serão disputados no Brasil. Segundo a organização, Pan-Americano no Brasil sem futebol “é como festa sem música”. Pelo visto, teremos mesmo um samba do crioulo doido.

Por essas e outras, o site oficial do evento ainda não informa os participantes e chaves da disputa. A programação oficial informa que no dia 15/7, às 16:00, será realizado “o jogo 2” no Centro de Futebol Zico. Ah, sim, sabe-se, pelo menos, que os jogos serão disputados nos estádios do Maracanã, João Havelange, Miécimo e CFZ.

Brasil

Em meio a esse salseiro, a CBF divulgou no dia 17 de abril a comissão técnica responsável por levar o Brasil a sua quinta conquista. O treinador escolhido é Lucho Nizzo, que já dirigiu os juniores de Botafogo, Fluminense e da seleção da Malásia. Lucho, na verdade, substituirá Edgar Pereira, campeão sul-americano sub-17, que decidiu treinar os juniores do Fluminense (o clube exigiu exclusividade).

O mais provável é que Nizzo utilize a base da seleção sub-17 campeã recentemente no Equador, com destaque para Lulinha, artilheiro do torneio com 12 gols. Além disso, o treinador poderá contar com três jogadores acima de 20 anos. Romário, que não poderia jogar nem um mundial sub-40, chegou a afirmar que aceitaria um eventual convite. É desnecessário dizer que nada disso está definido oficialmente.

Outras modalidades

Mas nem só de futebol masculino de campo viverá o Pan. Teremos em 2007 a terceira edição do torneio feminino. A seleção brasileira defenderá o título conquistado em 2003. Além disso, também haverá a estréia do futsal, modalidade que o Brasil pleiteia incluir no programa olímpico. Os jogos serão disputados no Riocentro, Pavilhão 3B.

Os leitores/loucos por futebol que se animaram com a organização do torneio do Pan-2007 e estão ávidos por ingressos ainda terão que esperar um pouco mais para poder comprar suas entradas. No site oficial do torneio (www.ingressosrio2007.com.br), ainda não é possível comprar ingressos para o futebol. No caso do torneio masculino de campo, os preços variam entre R$ 10 e R$ 80.

Com sorte, você ainda pode testemunhar o ‘gol 1000’ de Romário, que seria um belo símbolo para o torneio deste ano.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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