Ouça o Chico, Mano.

Mano Menezes precisa ouvir Chico Buarque. Nâo o compositor, quase unanimidade brasileira, mas o cidadão que gosta de política. Na última campanha eleitoral ele disse que votaria em Dilma porque, com Lula o Brasil era forte diante do mundo. “É um governo que fala de igual para igual: não fala fino com Washington e não fala grosso com a Bolívia e o Paraguai e, por isso mesmo, é respeitado no mundo inteiro”, afirmou.

O Brasil de Mano falou grosso com essa Argentina nível C, sem jogadores que atuam na Europa e sem jogadores – Montillo, Bolatti e Orion são exceções – que possam atuar na Europa. Além disso, não puderam contar com os veteranos Riquelme e Verón. Apesar de a regra valer para os dois, a situação do Brasil era muito melhor. Pode contar com Ronaldinho Gaucho e garotos como Neymar, Lucas e Danilo que logo estarão na Europa. Era um time muito mais forte e que soube utilizar essa vantagem ganhando sem contestação.

O Brasil teve uma atitude forte, tentando dominar o jogo desde o início. Fez isso porque sabia que era mais forte mas, para nós, fica a impressão de que jogou assim porque sabia da história de força do futebol brasileiro através dos tempos. E foi bonito ver a seleção novamente apoiada pelo povo, mesmo que fosse apenas o povo de Belém. E como valeu a pena ver Neymar, o único craque em campo, parado em frente a dois gringos, danco chutes no ar, fazendo de conta que ia para a direita e saindo pela esquerda. Molecagem pura. Maravllha

Além de Neymar, a seleção mostrou Cortês, com sua cara de Hélio de la Peña e cabelo da Hidra de Lerna, marcando não tão bem mas atacando como um trem sem controle. Mostrou Danilo, jogador de muita categoria e Lucas em seu melhor momento, ameaçando Usain Bolt. Foi escalado em uma posição correta, vindo de trás em velocidade.

São descobertas e confirmações que devem ser mantidas quando a Argentina do outro lado for a Argentina de Messi, Higuain, Di Maria e outros. Ou for a Holanda de Van Persie, a França de Benzema ou aquela Espanha que toca a bola de um lado para outro com a paciência de uma vovó que repete sempre a mesma história pedida pela netinha.

É hora de falar grosso com os grandes. Mostrar que o Brasil é ainda um dos grandes times do mundo. E, para mim, falar que o Brasil é um dos grandes times do mundo é reconhecer um processo de crescimento dos outros e de decadência nossa. Em condições normais de temperatura e pressão, o Brasil é o grande time do mundo. Nâo pode se contentar com menos.

O importante é manter esse espírito forte e vencedor contra todos. Depois de ontem, é imperdoável que Mano escale novamente a seleção sem vértebras que perdeu para a Alemanha, humilhada em campo. 

Ouça o Chico, Mano.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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