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“Os efeitos da altitude não são mito”

Equador e Brasil se enfrentam neste domingo, em Quito, pelas Eliminatórias sul-americanas para a Copa do Mundo de 2010 e nada melhor do que bater um papo com o ex-meia Alex Aguinaga, tecnicamente o maior jogador equatoriano de todos os tempos. Atualmente cuidando de uma escolinha em Aguascalientes, no México, o eterno ídolo do Necaxa se mostrou sóbrio, solícito e com respostas na ponta da língua.
Com 109 jogos pela seleção tricolor, ‘El Guero’ sempre foi visto como um fora de série desde idades mais tenras. “Ele sempre teve uma personalidade surpreendente, com 10 anos pensava como se tivesse 16” disse certa vez Eduardo Bores, seu primeiro treinador na ‘Escuela de Quito’.
Neste rápido contato telefônico, ‘El Maestro’ afirmou que os efeitos da temida altitude de cerca de 2.850 m do Estádio Olímpico de Atahualpa – palco da partida – existem e segundo suas palavras “não é um mito, já vi muitos passarem mal”.
Não poderíamos perder a chance e apuramos também algumas de suas vivências nos gramados latino-americanos. Confira!

Qual o seu prognóstico para o jogo entre Brasil e Equador pelas Eliminatórias?
O fato de o Equador vir de ótimos resultados contra o Brasil na altitude nos ilusiona e nos faz querer acreditar num resultado positivo. Se queremos aspirar estar mais uma vez numa Copa do Mundo não podemos pensar em outra coisa que não seja a vitória.

A altitude sempre foi uma arma de vocês. Já viu muito adversário passar mal e se queixar dentro de campo?
Sim, é difícil. Os problemas que a altitude causa em alguns jogadores não é mito, isso existe sim. Alguns times não sentem tanto, mas é complicado para quem não está acostumado. Não é mito não, os efeitos existem.

Como você vê essa notável evolução do futebol equatoriano nos últimos dez anos?
Espetacular. Passamos a ter bons jogadores atuando na Europa e isso é importante. As pessoas que trabalham nas divisões de base dos clubes estão fazendo um trabalho bem melhor, os meninos já chegam nos profissionais sabendo o que fazer e considero que o nível dos clubes equatorianos hoje é muito bom.

Você esteve longe do futebol equatoriano entre 1989 e 2004. Quando voltou, notou que a estrutura melhorou muito?
Sim, o suficiente para uma melhora e uma perspectiva, mas ainda não chegamos ao ponto ideal. Em comparação com os clubes mexicanos, ainda deixamos a desejar no aspecto administrativo, econômico e esportivo também.

Você fez 109 jogos pela seleção do Equador e em inúmeras vezes enfrentou Brasil e Argentina. Ambos tem estilos diferentes, mas a postura de vocês sempre era a mesma para encará-los?
Sempre foi muito difícil jogar contra os dois. Nós tínhamos uma certeza: ‘temos que jogar muito bem e torcer para que eles estejam num mal dia’. São as duas forças não só do continente, mas do futebol mundial. Os argentinos tem um estilo mais vertical, um futebol de força e garra, já os brasileiros primam mais pelo toque, cansam mais o rival e tem sempre várias individualidades que marcam diferenças. Um estilo único.

Fábio Capello sempre foi encantado com o seu jogo e quase o levou para a Itália depois da Copa América de 1989. Você teve muitas propostas da Europa, não?
Sim, muitas. Itália, Espanha, França e até da Grécia. Mas eu sempre me senti maravilhosamente bem no México, me sentia cômodo aqui e as pessoas nunca me deixaram partir.

Você atuou por 15 anos no México e pela sua larga experiência no país, como você analisa o progresso do futebol mexicano durante esse tempo?
O crescimento em nível local existiu, mas eu acho que a seleção não acompanhou o desenvolvimento dos clubes. Na Copa Libertadores você pode ver que as equipes mexicanas dão luta e sempre chegam bem e com qualidade, daí você pode concluir que houve uma evolução, pois não é fácil triunfar num torneio dessa importância. A seleção mexicana atual não é melhor que a da Copa de 94, por exemplo, que só foi eliminada nos pênaltis (Nas oitavas-de-final contra a Bulgária).

Considera que o estilo é diferente do futebol jogado aqui na América do Sul?
Sim, o jogo aqui é mais rápido, dinâmico e com muito toque, o problema é que os mexicanos querem chegar ao gol adversário o mais rápido possível, se desconcentram e levam muitos contra-golpes. Muitas vezes eles partem para o ataque com mais jogadores do que deviam e são surpreendidos.

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Equipe Trivela

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