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“Os campos são muito ruins”

Cumprindo seus últimos dias de contrato com o Mogi-Mirim, o zagueiro Neguete, ex-Atlético/MG e Paraná Clube, bateu um papo conosco sobre suas experiências no futebol mineiro e paranaense – que conhecerão seus campeões neste final de semana – além de sua aventura no Catar defendendo o Al-Khor.
Mineiro de 31 anos, ele relembra os confrontos entre Atlético e Cruzeiro no tempo em que esteve no galo entre 97 e 2004 e critica os Estaduais de Minas Gerais e Paraná.
“Os dois campeonatos são ruins para disputar, principalmente pelos campos e pelas viagens” analisa.
O defensor também conta situações engraçadas que vivenciou no Oriente Médio.

Você sempre disputou títulos estaduais atuando por grandes clubes, como foi a experiência de atuar por um time como o Mogi-Mirim, que brigou para não cair em São Paulo?
A situação não foi das melhores, tínhamos um bom grupo, mas que não emplacou, ficamos por 18 rodadas na zona de rebaixamento. É muito difícil manter o ânimo e o foco nessas situações.

Atlético e Cruzeiro estão decidindo o título mineiro mais uma vez e você conhece bem este clássico.
Nossa! Não tem sido fácil para o Atlético nos últimos 11 jogos, só derrotas, mas galo é galo em qualquer situação.

Como é trabalhar com Emerson Leão?
Ele foi o cara que me lançou no futebol brasileiro, estive com ele em 97 e na época ele era linha dura mesmo! Mas me falaram que hoje ele está pior, então eu peguei ele bonzinho (gargalhadas).

Quais são suas principais lembranças dos confrontos com o Cruzeiro?                       As melhores lembranças são sempre as de vitórias em cima deles. Era diferente, na minha época havia muita qualidade nas duas equipes, não que hoje não tenha, mas antigamente tinha mais. Quem nunca jogou não tem noção do que é estar em campo no Mineirão nessas partidas. É uma loucura!

A torcida do galo é a mais fanática que você viu na carreira?
Ela é simplesmente espetacular! Quando íamos para o estádio enfrentar o Cruzeiro e víamos a torcida subindo a avenida, todos abraçados, minha nossa! Aquilo fazia qualquer jogador entrar com sangue nos olhos e uma vontade incrível de vencer.

Você foi campeão paranaense em 2006 pelo Paraná Clube, que teve a melhor defesa daquele campeonato. Nesse final de semana também tem decisão por lá.
Éramos o patinho feio de Curitiba, mas nosso time era certinho, sabíamos aonde os meias e atacantes queriam a bola e a pegada era muito grande, era uma família. Saudades!

Os times do interior de Paraná e Minas Gerais são do mesmo nível?
Alguns são praticamente do mesmo nível, mas os dois campeonatos são ruins de disputar, principalmente pelos campos e pelas viagens etc..

Qual foi o melhor zagueiro que atuou ao seu lado?
Caçapa! (atual Newcastle, da Inglaterra). Éramos parceiros dentro e fora de campo, corríamos um pelo outro.

Falando um pouco de Catar, o Al-khor traz bons jogadores, mas não consegue brigar pelo título. Faltam mais investimentos para discutir o campeonato com Al-Sadd e Al-Gharafa?
Sim porque no Catar a Federação distribui verbas para os clubes e o Al-Khor tem uma cota bem menor que esses dois clubes. A estrutura e a filosofia de trabalho também são diferentes em relação aos dois grandes.

Os estádios quase sempre vazios desmotivam muito os jogadores brasileiros no Qatar?
Infelizmente é um problema cultural. No Catar eles não gostam tanto de futebol como nos Emirados Árabes, por exemplo. A sensação é a de que o time foi punido e está jogando com os portões fechados. Todo jogador adora estádios lotados, mas não é o caso do Catar.

Tirando os estrangeiros, o que achou do nível dos jogadores locais?
Tem bons jogadores, mas quando despontam logo vão para o Al-Sadd e o Al-Gharafa, onde estão os maiores xeiques do país. Na verdade, eles precisam de uma base, muitos nunca passaram por uma categoria de base.

Como você se virava para se comunicar? Conte algum caso engraçado.
No inicio foi muito difícil, eu não falava nada em inglês e tive que tirar carteira de motorista, meu pai do céu! (gargalhadas). Eu ia num ônibus cheio de libaneses e indianos, cerca de 20 pessoas. Quando chegou a minha vez, mesmo não entendendo nada eu entrei no carro e andei uns 300 metros e pronto. Quando voltei para o ônibus eu soube que tinha de esperar todos os outros terminarem. Aí eu esperei a porta do ônibus abrir e desci correndo e o motorista do ônibus me gritando “can back” “can back” (gargalhadas) e eu nem sabia o significado. Você não imagina o quanto eu corri naquele dia maluco.

Vai continuar no Mogi-Mirim para a disputa da Copa Paulista?
Vou cumprir meu contrato que vai até 15 de maio, mas não ficarei.
 

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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