Sem categoria

O retorno do maestro

O meia Peres de Oliveira, um dos maiores jogadores do futebol de Cingapura em todos os tempos, acertou seu retorno ao Home United depois de dois anos no Tampines Rovers.

O “maestro” viaja esta semana para o sudeste asiático para se apresentar ao seu ex-clube e iniciar a temporada 2008 do futebol cingapuriano. Foi nos ‘Protectors’ que o jogador mineiro teve seus melhores momentos na carreira ganhando todos os títulos e prêmios possíveis no país.

Neste bate-papo, que aconteceu no litoral capixaba, Peres (foto ao lado) também conta sobre o desfecho da última S-League 2007 e de sua pretensão em defender a seleção de Cingapura agora no final de sua carreira. “Desta vez, se me convocarem, acho que jogarei”.

O Tampines Rovers perdeu a S-League 2007 nas rodadas finais quando foi derrotado pelo Home United na penúltima rodada por 2 a 0 e foi para a última rodada dependendo de uma combinação de resultados para ficar com o título. O que aconteceu naquele clássico?
Nós mandamos no jogo inteiro e eles (Home United) acabaram marcando dois gols em contra-ataque no finalzinho do jogo. Aquilo acabou com nós. Acho que a defesa deveria estar mais atenta. No momento que mais precisávamos houve falhas. Estávamos muito confiantes, achando que o gol iria sair a qualquer momento e acabamos sendo surpreendidos.

Quatro dias depois da rodada final da S-League, que consagrou o Singapore Armed Forces (SAFFC) como campeão, vocês enfrentaram eles pela final da Copa de Cingapura e perderam por 4 a 3 depois de estarem três vezes na frente do placar. Foi um jogo incrível. Mas como vocês permitiram deixar escapar esse título?
Essa temporada foi difícil porque perdemos pontos importantes em jogos onde deveríamos ter vencido. Fizemos cinco jogos sem 7 titulares que estavam servindo a seleção, enfim…Depois dessa derrota na final para o SAFFC o clima foi chato no vestiário. Jogamos muito bem, todo mundo achou que jogamos melhor. Mas aconteceram falhas infantis que foram decisivas.

Nesse jogo o Alam Shah agrediu o defensor do SAFFC, Daniel Bennet e agora vai pegar um gancho pesado fora dos gramados e prejudicou diretamente a seleção de Cingapura, onde ele é a estrela maior. Como foi isso?
Já estava nos acréscimos, veio uma bola alta onde já não tinha como ele (Alam Shah) chegar nela, mas ele entrou na área e chegou atropelando o adversário e ainda queria agredir os outros jogadores. Ele perdeu a cabeça porque estávamos na frente do placar e tomamos a virada.

O Alam Shah também é um ‘Bad Boy’ como o Ahmed Latiff (Woodlands Wellington) e o Khairul Amri (Young Lions)?
Ele arruma confusão à toa. O Amri gosta de ‘zoar’, mas ele é profissional, corre o tempo todo. O Alam Shah e o Latiff são encrenqueiros e menos profissionais.

Por que o SAFFC ganhou tudo?
A mescla de veteranos e jovens que eles fizeram é melhor. Se você observar pela qualidade, por exemplo, éramos melhores. Ganhamos deles algumas vezes durante o ano e tínhamos muito mais jogadores na seleção do que eles. No SAFFC apenas o Daniel Bennet e o Duric são da seleção.

Está virando uma repetição previsível o fato das equipes de Cingapura chegarem todos os anos nas quartas-de-final da AFC Cup e caírem diante dos times jordanianos, que dominam essa competição de maneira implacável. Qual a maior dificuldade de encará-los?
Eles são mais profissionais, tem mais condicionamento físico. O Al Faisaly, que nos eliminou, tem até um canal de TV. No primeiro jogo, em casa, estávamos na frente e tomamos a virada. Lá na Jordânia vencíamos por 2 a 0 e permitimos a virada. Inclusive estava muito frio (o jogo foi a noite). Os caras (jordanianos) não desistem e vem pra cima, são mais profissionais.

Alexander Duric, do SAFFC, aos 37 anos, ganhou tudo e foi o goleador e o jogador do ano em Cingapura. Porque ele explodiu tão tarde?
O time jogou para ele. Ele é o tipo do jogador que não sabe fazer o ‘1-2’, é lento, estilo Dada Maravilha (gargalhadas). Lembra da forma como o Túlio marcava gols no Botafogo? Pois é, é daquele jeito (gargalhadas).

Como foram os novos brasileiros que estrearam na S-League?
O Leandro Montibelo (Young Lions) fui eu que levei para lá. Ele jogou no Flamengo e no Paysandu, estava sem clube e um amigo meu de Baixo Guandu (interior do Espírito Santo) pediu para leva-lo pra lá. Eu até fui assistir um jogo dele no estádio e ele foi bem. Tem também o Leopoldino (Geylang United) que veio da Indonésia e marcou alguns gols.

O técnico do Perak, Steve Darby, nos contou por e-mail que estava tentando trazer você para Malásia. Porquê não aceitou?
Sim, ele ficou um mês tentando me convencer. Cingapura é um país mais limpo e organizado, então, para minha família é melhor. A Malásia é mais parecido com o Brasil, tudo bagunçado e na base do ‘jeitinho’. Por isso, acertei meu retorno ao Home United para 2008, ficando em Cingapura por mais dois anos.

Então, você está de volta ao seu ex-clube, o Home United, que você defendeu entre 2001 e 2005?
Sim, acertamos tudo antes mesmo de terminar essa temporada. Minha idéia, no momento, é jogar mais esses dois anos de contrato e parar. Quando eu cheguei lá, eu ganhei tudo. Agora eu jogo mais pelo dinheiro. Claro, eu faço o melhor para o clube, mas não tenho mais aquela motivação de antes…

Nesse retorno aos ‘Protectors’ você jogará ao lado do atacante camaronês Kengne Ludovick, que foi um dos destaques da liga esse ano. O que espera?
O Ludovick joga mais na base da raça, da correria. O outro atacante (Kone Hamad, marfinense) que era o bom do time, mas soube que ele foi para a França.

Ludovick é correria pura? Então, depois de ter como companheiro de ataque o Mirko Grabovac com a lentidão dos seus 36 anos e o explosivo, mas pouco inteligente, Alam Shah, agora você vai passar mais raiva ainda?
Vamos ver! (gargalhadas). Tem o Indra (Sahdan) que está voltando de uma lesão no joelho. Joguei com ele muitos anos, excelente jogador. Agora serei o camisa 20 da equipe.

Agora, na reta final da sua carreira, você repensaria sua decisão de não defender a seleção de Cingapura?
Sim, agora posso mudar de idéia. Acho que se me descem o passaporte e o ‘Raddy’ (Radojko Avramovic, treinador sérvio) me convocasse, eu toparia..Vamos ver!

FICHA

Nome: Peres de Oliveira

Data de Nascimento: 07/11/1974, em Governador Valadares, Minas Gerais.

Clubes:
1994: Democrata/GV e Vitória/ES
1995: Democrata/GV
1996: América/RJ
1997: Linhares/ES
1998: Rio Branco/ES e Panionios – GRE
1999: São Mateus/ES e Corinthians (Presidente Prudente)
2000: Serra/ES
2001: Home United – CIN
2002: Home United – CIN
2003: Home United – CIN
2004: Home United – CIN
2005: Home United – CIN
2006: Tampines Rovers – CIN
2007: Tampines Rovers – CIN
2008: Home United – CIN

Títulos:
Campeão Capixaba (97), Cingapuriano (2003) e da Copa de Cingapura (2001, 2003, 2005 e 2006).

Mostrar mais

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo