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O presidente do Mundial

Quando assumiu a presidência do Internacional, em 2002, Fernando Carvalho viu um clube sem jogadores e moral, mas com boas perspectivas. Sabia que um bom trabalho na base e no marketing renderia frutos dentro e fora de campo. Passados quase sete anos, hoje o Colorado é um modelo de administração no futebol brasileiro e se orgulha do rótulo de campeão de tudo.

O momento não podia ser melhor para comemorar o centenário do Colorado. Hoje diretor de futebol na administração de Vitório Píffero, Fernando Carvalho pode se orgulhar, também, de ser um dos poucos dirigentes reverenciado por seus torcedores. Em jogos do Inter, uma bandeira com o rosto de Carvalho está sempre presente nas arquibancadas do Beira Rio. Em Porto Alegre, ele recebeu a reportagem da Trivela.

Começando pelo fim, há pouco mais de três anos entrevistei o senhor, que me falou sobre o Alexandre Pato, sem ninguém saber, e muito sobre o Luis Adriano. Por quê?
Foi estratégico, não tinha contrato ainda, naquela época ele vinha jogando bem nas seleções de base, e num contrato ainda de pequeno valor, cláusula penal de R$ 2 milhões. Na medida que o tempo avançasse, decairia esse valor. Então, pra evitar que houvesse uma proposta de um clube brasileiro, a gente procurou não revelar muito as condições dele, procuramos esconder o jogador até que a gente pudesse fazer um novo contrato, para que ele tivesse um valor compatível com a sua idade. Isso deve ter sido em maio ou junho de 2006, quando nos falamos pela última vez, e naquele momento os dois jogadores já estavam se destacando muito na categoria de base. A gente faz um trabalho nessa linha hoje, posso dizer que temos agora nas categorias de base seis, sete jogadores de primeira linha, todos já podem ser citados, pois têm contratos longos. Vou citar dois: Marquinhos e Léo, um atacante semelhante ao Nilmar e um outro jogador de pé esquerdo, que joga como atacante dos dois lados. No time de cima nós já temos o Juliano, Arílton, Danilo Silva (formado no Guarani), Sandrão, Walter, Talles Cunha, enfim, jogadores todos de nível de seleção brasileira, que têm contrato de cinco anos e que serão certamente jogadores de muito sucesso no futuro.

Temos outros jogadores recentes, casos de Nilmar, Daniel Carvalho, Rafael Sóbis, por que o Internacional revela tanto jogador de bom nível?
Porque nós temos um trabalho nas categorias de base que é feito com a maior conscientização, dados científicos, profissionais de primeira linha, e a gente cuida muito deste setor. Desde 1996 passamos a trabalhar com planejamento bem a avançado, e hoje somos modelo. Nós temos ideia de revelar quatro a cinco jogadores por ano, trabalhamos muito a questão emocional, com psicólogo, questão nutricional, é importante para que ele saiba as razões da alimentação. Todo esse trabalho redunda num grande número de atletas de grande nível, que dão certo não só aqui, mas também fora. Aliás, nossa cultura é mais voltada pro trabalho de conscientização, então o jogador que sai daqui, dificilmente retorna, como em outros centros, Bahia, Nordeste, até no Rio de Janeiro.

O senhor cita desde 96. Foi um período em que estava no começo de uma fase ruim para o Internacional. O que aconteceu de errado nos anos 90?
Na verdade, nós não sabemos as causas. Eu entrei para o clube como advogado, em 1982, no departamento jurídico. De lá pra cá muita coisa aconteceu. Nós tivemos vários embates políticos nesse período, uma turbulência política muito grande em vários momentos do clube, num período em que havia um debate entre Gilberto Medeiros e José Asmuz, duas lideranças que nós tínhamos. Depois com o surgimento do Inter 2000, José Asmuz contra, apoiado pelo Gilberto Medeiros, num primeiro momento, e depois surgimento de um outro movimento de interação. Não sei se isso foi bom ou ruim, em determinados aspectos foi bom, principalmente depois que surgiu o Interação 2000, acho que foi bom o surgimento desse movimentos, porque indicaram de uma forma ou outra um caminho, através da crítica, e o clube acabou se aperfeiçoando. Depois eles se tornaram o poder, não conseguiram ter bons resultados, uma projeção que não produziu avanços para o clube além desses avanços de conscientização e de uma forma de gestão. Então eu acho que, basicamente, neste período, principalmente até o ano de 92, 93, por aí, 94, foi um período de turbulência política no clube. O clube perdeu densidade de conceitos, porque houve praticamente um único grupo que comandou o clube, e esse grupo acabou não avançado em termos de gestão principalmente.

Eu queria que o senhor fizesse uma análise da importância histórica e até social do Inter para Porto Alegre e o estado nesses 100 anos.
Eu sou suspeito pra falar, porque meu primeiro assunto pela manhã e meu último assunto à noite é o Internacional. Assim como eu, tem milhões de pessoas. Desde 1961 eu acompanho o Inter diuturnamente. Consequentemente, eu acompanho o Grêmio também, porque nós temos nossa rivalidade, dualidade regional, e então o acompanhamento do esporte, e eu cito aí as duas agremiações, exatamente por isso, um é tão grande em função do outro. O Internacional tem uma importância que dá pra ver agora, nós não conseguimos chegar em nenhum lugar no RS sem dúvida [sem ter gente nos esperando], e na maioria dos lugares que a gente vai no Brasil sempre tem gente e comitiva nos esperando, em carreata, recepção calorosa. As notícias do Inter repercutem amplamente, qualquer coisa que acontece aqui, uma simples reclamação de um jogador que é substituído passa a ser assunto a semana inteira, em todos os lugares. Eu por exemplo, que tenho hoje uma visibilidade por estar trabalhando no clube, por ter presidido o clube por cinco anos, onde eu chego o assunto do dia comigo, em qualquer situação, com o porteiro, garçom, pelo consumidor do bar, pela pessoa que está jantando no restaurante, na fila do banco, enfim, no estacionamento, em qualquer lugar, as pessoas me abordam, porque o Internacional é um assunto palpitante. Sem dúvida nenhuma é parte integrante da vida gaúcha.

O Inter abriu a porta para os jogadores negros nos anos 20. Pelo menos no imaginário do torcedor e do conhecedor do futebol de fora do RS, é uma coisa que marca muito a imagem do clube. Como o senhor compararia essa paixão pelo Inter e a paixão pelo Grêmio neste ponto de vista, de ser um clube mais aberto ao povo?
Não, isso aí hoje acabou, porque o Grêmio a partir da década de 50, até contratando um ídolo do Inter, Tesourinha, acabou com essa questão racial. O Internacional surgiu exatamente em função da existência do Grêmio, que era um clube que descriminava. Era um clube formado por alemães e naquela época, 100 anos atrás, cento e pouco anos atrás, os alemães tinha determinada descriminação, contra judeus, contra negros, contra raças tidas como inferiores. Hoje isso não é uma coisa marcante, a não ser quando estamos levando para o lado da nossa rivalidade. Quando a gente quer tocar uma flauta nos gremistas a gente fala sobre isso, mas hoje não é uma coisa marcante, e eu nem gosto de falar sobre isso. Até porque o Grêmio hoje tem, entre seus torcedores, vários negros, judeus, hoje isso praticamente acabou. Mas, quando a gente discute a questão da arrogância, da soberba, nós voltamos lá atrás, naquela época que o Grêmio discriminava e não tinha em seus quadros todas as raças, todos os credos.

Falando um pouco mais de história. O que na sua opinião permitiu que o Internacional nos anos 70 montasse aquele time que se tornou dominante no país?
Eu como torcedor assisti à montagem daquele time. Aquele grande time não começou com Manga, Cláudio, Figueroa, Marinho, Vacaria, Caçapava, Falcão, Batista, Carpegiani, Falcão, Claudiomiro, Flávio, Lula. Ele começou lá com Gaineti, Laurício, Luis Carlos, Escala, Sadi, Elton, Lambari, Dorinho, Valdomiro, Claudiomiro, Sérgio e Bráulio. Ele começou lá atrás, e foi a partir de 1969 com a inauguração do Beira-Rio, quando os mandarins, um grupo de colorados que pensaram o futebol, que planejou esse departamento e implementou algumas ideias que até hoje a gente copia. Naquela época eles já padronizaram as categorias de base, tinham um estilo de futebol. Pretendiam que todas as equipes de setor jogassem igual a equipe principal, futebol de competição, futebol feio às vezes, mas competitivo, de resultado. Com base nessa filosofia, nas gestões seguintes, ele agregou qualidade e passou a ter a partir de 74 os maiores times da história do Internacional e do próprio futebol brasileiro. O time de 76 ganhou um Campeonato Brasileiro com 82% de aproveitamento. O time de 79 ganhou o Brasileiro sem perder, o time de 74 ganhou um gauchão vencendo todos os jogos, então houve na história do clube períodos como esses. Ganharam todos os jogos, simplesmente não perderam nenhum ponto, 100% de aproveitamento, e isso foi fruto de um planejamento, de um trabalho, e acima de tudo de uma consciência de que futebol se faz para competição, futebol se faz pela participação de todos, pelo coletivo. Claro que com craques, mas que trabalham em proveito do coletivo. Essa é a filosofia que eu pessoalmente, junto com os companheiros que estavam comigo de 2002 em diante, pretendemos implementar e acabamos implementando. O Internacional foi campeão do mundo pensando assim, futebol de marcação, forte, compacto, futebol coletivo, com uma, duas três estrelas trabalhando competitivamente, não baseado no estrelismo de cada um. Eu penso que futebol se faz assim. Naquela época o Internacional estabeleceu essas regras, cumpriu, e por isso chegou aos títulos que chegou.

Por que o programa de Sócio Torcedor do Inter e do Grêmio deu tão certo e em outros estados programas similares não? É uma questão do perfil do torcedor ou foi feita alguma coisa diferente aqui que desse certo?
Olha, se nós formos pesquisar o que foi feito, primeiro eu acho que não dá pra comparar o sistema do Inter com o sistema do Grêmio, nós estamos muito mais avançados, modéstia à parte, não só em número, porque nós temos o dobro do que o Grêmio em associados, ou mais que o dobro, e quando eu vejo essa correlação, eu fico… revoltado eu não fico, mas gosto de fazer a ressalva, não dá pra comparar uma coisa com a outra. O Grêmio é uma coisa e nós somos outra coisa, nessa questão da torcida e na questão do quadro social. Nós fizemos a partir de 2002 várias ações principalmente de marketing, que não se basearam em campanha, mas em pequenas ações que buscaram trazer o torcedor colorado para dentro do clube, pra fazer com que ele se tornasse sócio. Uma das coisas que nós fizemos foi a visita colorada, ou seja, 25 associados eram sorteados toda terça-feira, vinham ao Beira Rio para fazer uma visitação de quatro horas, terminavam na sala do presidente, e ali durante uma hora faziam críticas, sugestões, pedidos. Quando terminava esse encontro eu pedia para que cada um dissesse se achava que aquela atividade era boa, proveitosa para eles, para que eles indicassem, cada um deles, dois sócios, pra poder participar de uma associação como aquela, desde que estivesse em dia. Além disso passamos a sortear dois torcedores para viajar com a delegação. Durante a semana, dez torcedores eram sorteados para falar com o vice de futebol, durante os jogos nós sorteávamos a bola do jogo, a camisa do melhor jogador, enfim, várias coisas foram feitas. A partir disso, nós passamos de 10 mil pra 15 mil, de 15 pra 20, daí pra 30, tudo isso aliado ao fato de que o time começava a ganhar dentro de campo.. Começamos a modernizar o Beira Rio. A primeira coisa que foi feita sem dinheiro foi pintar o estádio, que ficou com outra cara, com cara de limpo. Até que na Libertadores da América de 2006, eu me lembro que além de ter o sócio contribuindo e presente nos jogos, era importante ter o sócio auxiliando o time, incentivando os jogadores, e já passamos por várias decisões em casa com derrota, e isso acabava criando uma grande animosidade, então nós contratamos uma agência (agência E21), pra resolver esse problema. Contei essa história, que estou contando aqui para os seus leitores, “olha, nós chegamos na hora da decisão e ninguém acredita que a gente vai ganhar, chega na hora da decisão, no primeiro lateral mal batido já começam as vaias, então, pô, o jogador tem que ter tranquilidade, precisamos resolver isso, e eu quero que vocês façam uma campanha para que isso seja resolvido”. E aí nós fizemos uma campanha, que se denominou “agora é guerra”, e com essa campanha, a torcida começou a vir para o jogo, incentivar o time, associar mais pessoas, e foi uma coisa que foi puxando a outra. Nós acabamos tendo na final da Libertadores 55 mil pessoas, até o final torcendo, incentivando, acreditando. Teve um jogo que foi marcante. Contra o Pumas, a gente estava perdendo por 2 a 0 em casa, uma decisão pra passar de fase, e a torcida acreditou até o final, viramos o jogo no último minuto, ganhamos por 3 a 2. Em cima dessa campanha, eu me lembro que eu mandava torpedo para os associados que tinham celular cadastrado na casa. O Fernandão fazia apelo pelas emissoras, o Clemer, Vitório Piffero. Nós nos mobilizamos de tal maneira que foi construído um inconsciente coletivo positivo.

Antes desse título de 2006, teve o vice-campeonato de 2005. Naquele momento faltou maior ingerência política junto à CBF, junto aos poderes do futebol?
Eu vou dizer sinceramente, não gosto de falar do ano de 2005. Porque muitas coisas foram ditas, muitas conjecturas foram feitas, e eu confesso que não gosto de falar. Aquilo ali serviu como um elixir para que tivéssemos a força que tivemos para ganhar a Libertadores e o Mundial. Mas que não ficou bem, não ficou bem. O Internacional já concordou com a decisão do tribunal, por escrito, já mandou declaração pra Fifa dizendo que tinha concordado, mas até hoje eu te digo, não foi uma decisão acertada. Estou falando em questão jurídica. Juridicamente foi uma decisão errada, o fato de eles anularem os 11 jogos não estava de acordo com o que determinava a CBF. Então aquilo ali pra mim foi o principal, pois nos fez sair do primeiro lugar para o terceiro, até a gente se recuperar disso, demoramos algum tempo. Empatamos o primeiro jogo, perdemos o seguinte… além disso, o Corinthians teve chance de jogar seis pontos que ele havia perdido, e ganhou quatro, na segunda oportunidade. Então várias coisas aconteceram que com certeza nos prejudicaram. Além disse houve erro de arbitragem. O jogo do Juventude ninguém fala, o Alício Pena Junior expulsou jogador nosso, deu pênalti pro Juventude que não foi, mandou bater de novo depois da defesa do Clemer, enfim, cosias que hoje não aparecem. Depois do jogo do Márcio Rezende de Freitas. Não estou querendo aqui falar da honorabilidade de ninguém, quero deixar bem claro, aconteceu, mas na verdade foram muitas coisas ao mesmo tempo naquele campeonato que acabaram nos tirando um título que tinha que ser nosso, pela organização, pelo que nós mostramos, pelo trabalho que foi feito pelo Muricy, que é um treinador espetacular, enfim… Mas eu falo desses registros sem adjetivo nenhum, mas certamente é uma coisa que eu não gosto de falar.

O senhor citou o Fernandão e o Clemer. Hoje só o goleiro continua no clube. O ídolo não consegue mais ficar no time, a não ser que ele seja goleiro? Por que que isso tem que acontecer?
Não, não vejo essa relação. Eu acho que hoje o futebol é diferente. Quando tu falou do time de 75/76, nós tínhamos jogadores ali que ficaram, quatro, cinco, seis anos – o Valdomiro chegou a ficar mais de 10 anos aqui… Claudiomiro vários anos, Figueroa cinco, é que naquela época havia uma organização e sistema diferentes. Hoje, se se faz um contrato de cinco anos com o jogador, a partir do terceiro ano, se tu não renovar o contrato, tem que vender, se não o jogador vai embora, vai caminhando embora, então acontece que o prazo médio de um atleta num clube é três anos. Se ele tem idade, como é o caso do Fernandão, acaba saindo um pouco antes. Se ele é jovem, ele fica um ano, estoura, e vai embora, porque daí o clube precisa de dinheiro. Então hoje nós vivemos um momento novo, um cenário novo. Infelizmente o Internacional se deu conta desse cenário na frente dos demais, porque a partir de 2002, 2003, percebemos que precisávamos fazer contratos novos, mas que tínhamos que vender um jogador por ano. Se vendesse um por ano, além de pagar nossas contas, poderíamos repatriar jogadores, como naquela época o Fernandão, Jorge Wágner, Tilnga, e aí eles acabaram vindo e dando uma resposta extremamente positiva. Agora estão fazendo a mesma coisa, ano passado veio o Bolívar, o Álvaro, chegou o D’Alessandro, hoje nós já estamos num outro patamar, podemos investir valores mais altos do que poderíamos investir naquela época, fruto dessa política. Tem que haver uma troca gradativa. Três jogadores num ano, dois no outro, temos que manter uma base, 70% no mínimo. Pode ver que nós temos jogadores jovens, sete ou oito de Seleção Brasileira de base. Se pegar nosso time, temos o Danilo Silva, Aílton, Sandrão, Walter, Talles Cunha, Juliano, Tales Tarja, Marinho, jogadores de seleção da sua idade, e estão aqui exatamente porque nós pretendemos que eles fiquem de três a cinco anos. O Daniel Carvalho em dois anos foi embora, o Sóbis um ano e meio e foi embora, porque era necessário a venda desses atletas para que a gente pudesse manter o clube. Temos um setor aqui que acompanha só isso, mercado exterior. Então a gente sabe quando termina contrato. E é por isso que de repente a gente traz um Alecsandro, traz um Álvaro, um Magrão, porque a gente tem um acompanhamento permanente.

O senhor falou que o Inter continua tendo que vender um jogador por ano. Isso pode mudar?
Primeiro, nós não queremos deixar de vender um jogador por ano, isso é estratégico. Nós vendemos o Alex, já tínhamos o Talles, Taison, e já tínhamos contratado o Alecsandro. Já que o Alex estava jogando de meia-atacante. Lá atrás, quando nós íamos vencer o Guiñazu, veio o D’Alessandro e veio o Daniel Carvalho. Então a gente sempre procura projetar com antecedência todas as nossas ações. Agora nós temos o Leo, o Marquinhos, que são atacantes de primeira linha, estão fazendo um trabalho físico especial, então tem que sair alguém pra que eles possam aparecer. Se não for feita a venda, esses jogadores acabam emperrando a carreira, se eles não jogarem eles acabam ficando por aí e não se revelando. A ideia que nós temos é exatamente essa, é continuar mantendo esse sistema. Quanto à parceria, é uma ação de êxito, que nós já fizemos outras vezes, e vamos continuar fazendo. Hoje por exemplo nós temos o D’Alessadro com parceria, Juliano, Danilo Silva, o Nilmar tinha uma parceria com o próprio jogador, e agora acabou comprando todos os direitos dele e tem 20% como parceiro, mas ainda é uma parceria pequena. Então hoje isso é extremamente necessário, mas nós fizemos isso sem perder o mando do jogador. A decisão da venda é sempre do Internacional.

Não dava para segurar mais o Alex?
Estava na hora dele sair, o Edinho também. Se o Edinho não saísse, o Sandro emperraria a carreira. O Taison também é outra realidade, então, se o Alex não saísse, a carreira do Taison não teria o avanço que teve. Eles até estavam jogando juntos, mas dentro de uma alternativa do treinador, mas na verdade a venda do Alex foi importante para nós financeiramente e tecnicamente, para poder surgir o Taison no mercado.

O Internacional foi campeão do mundo em 2006, depois em 2007 não teve uma campanha boa na Libertadores, e todo mundo imaginou que 2008 seria um ano excelente. Desde 2006, o que está faltando pro Inter realizar esse potencial?
Bem, nós, a partir da metade do ano passado, houve um grande problema na questão do grupo campeão do mundo. Ficamos na dúvida, vamos desfazer o grupo, vamos manter, ou não, mas aí o jogador já conseguiu tudo, e aí ele não tem mais o mesmo para as grandes competições, e aí ficamos naquela dúvida, naquele duplo caminho. Isso acabou nos afetando. Ano passado nós realmente fizemos uma reestruturação no nosso grupo, compramos vários jogadores, o Tite foi contratado, até após a saída do Abel, que pretendíamos que continuasse conosco, mas infelizmente não deu. Com a contratação do Tite as coisas demoraram a se ajustar, mas quando se ajustaram, o Internacional foi campeão sul-americano, enfrentando Boca, Grêmio, Chivas, Estudiantes na final, clubes de primeira linha. Então a gente meio que desaprumou logo depois do Mundial, mas logo depois da metade do ano passado já se aprumou de novo.

Hoje em dia se fala muito que no Brasil em breve vai haver muito menos times grandes. Considerando esse centenário, gostaria que o senhor projetasse os próximos cem anos. O que o senhor acha que vai acontecer com o Colorado?
Primeiro, eu espero estar lá para o próximo centenário, para torcer pelo meu clube. Certamente, se falava em alteração no estatuto do torcedor, e o modelo, os critérios adotados são os do Internacional. E a exposição de motivos tem uma referência ao nosso clube, o que é um motivo de muito orgulho, na questão do cadastramento, de associados, de torcedores. Então eu acho realmente que a gente está trabalhando para isso, nós tínhamos uma gestão que começou em 2002 e de lá pra cá houve uma continuidade. Isso é básico, esse planejamento começou lá e foi feito antes de assumirmos o clube, e está sendo implementado dia a dia. Os resultados estão aí e a tendência é crescimento, não tenho dúvida nenhuma, que a tendência é crescer cada vez mais, exatamente porque está adotando e cumprindo rigorosamente o que planejou. Encontrou essa fórmula de gestão, trazendo associados, tendo novas receitas de marketing, valorizando patrimônio, usando categorias de base, vendendo um ou dois jogadores por ano, trazendo jogadores que estão fora do mercado brasileiro e que estão querendo retornar, mas ainda têm condição de dar grande resposta. Essa simbiose toda eu vejo nos próximos anos como uma forma adequada de gestão, que vamos seguir por aí. Temos tudo para participar deste seleto que grupo que estão preconizando.

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