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O crepúsculo de De Boer

Aos 36 anos, Ronald de Boer chegou ao crepúsculo de sua carreira no Qatar, onde planeja pendurar as chuteiras. Neste contato exclusivo com a Trivela, ele fala sobre vários pontos de sua carreira e suas experiências em Ajax, Barcelona, Rangers, seleção da Holanda e Oriente Médio.

De Boer conquistou títulos por todos os clubes de ponta em que jogou e foi considerado um dos jogadores mais versáteis dos anos 90, começando como centroavante e depois passando a meia-direita. Atualmente, corre atrás da bola no modesto Al Shamal, do Qatar, país onde seu irmão Frank também pendurou as chuteiras (no Al Rayyan). Na foto abaixo, ele aparece ao lado do preparador físico brasileiro Rodrigo Barroca, no Al Shamal.

A seguir, você pode ler as opiniões de De Boer sobre o Oriente Médio, José Mourinho e os brasileiros Romário, Ronaldo e Rivaldo. Você pode ler mais sobre Ronald na edição número 13 da revista Trivela, onde o jogador fala sobre sua carreira, a disposição tática dos holandeses e o desempenho de Van Basten à frente da Oranje.

Confira a entrevista

Por que você decidiu encerrar sua carreira no Oriente Médio?
Frank e eu queríamos terminar nossas carreiras jogando juntos. Nós tivemos essa oportunidade aqui no Oriente Médio (estiveram juntos no Al Rayyan, em 2004/5). Aqui é o lugar legal para fazer isso, porque é menos estressante e tem poucas viagens. Nós costumávamos ter muitas viagens quando jogávamos na Europa e aqui não. Além de ser menos estressante e a cobrança ser menor, ainda você faz o que mais gosta… jogar futebol.

Como você vê o futuro do futebol árabe? Eles têm qualidade para evoluir mais?
A Liga do Qatar, por exemplo, está conseguindo ser melhor a cada ano. Estão mais profissionais, e a melhora é sentida por todos. O nível de profissionalismo fora de campo se reflete dentro do gramado, com certeza. Eles também estão trazendo jogadores do Bahrein, Omã e Sudão, o que ajuda muito a liga, e todos na região crescem junto.

Khalfan Ibrahim, atacante do Al Sadd, foi eleito o melhor jogador da Ásia em 2006. Ele tem capacidade para fazer sucesso na Europa ou, sendo franzino, precisa ganhar mais resistência física para encarar esse desafio?
Khalfan é bom jogador. Acho que, se tiver uma chance, ele fará coisas boas na Europa. Mas eu acho que ele tem que ir para países como a Bélgica ou a Holanda, onde o campeonato é menos físico e ele pode verdadeiramente mostrar sua habilidade.

Quais jogadores chamaram mais sua atenção no Qatar?
Olha, sem citar jogadores europeus e estrelas sul-americanas, eu acho que Ahmed Hadid (meia do Al Shamal, parceiro de clube) é muito bom, e claro, o Khalfan.

José Mourinho é uma das grandes sensações da década como treinador. Você trabalhou um ano e meio com ele, no Barcelona. Observando seu trabalho, hoje, você vê muitas coisas aprendidas com Van Gaal?
Quando eu vi aquele time do Porto jogar naquela Liga dos Campeões (2003/4) que eles ganharam, eu via a mão de Van Gaal: cada um trabalhando em prol do outro, exatamente como foi em 1995.

Seja franco: pessoalmente, José Mourinho é um homem arrogante e presunçoso?
Eu acho ele um pouco arrogante, mas eu sei que é um cara legal. Acho que quando você trabalha em certos níveis, algumas vezes você tem que ser um pouco arrogante. Eu tenho muito respeito por ele e pelo que ele conseguiu conquistar.

Quem te deslumbrou mais: Romário, Ronaldo ou Rivaldo?
Para mim, Ronaldo foi o melhor deles. Ele tem tudo. Mas Romário teve grandes performances, e Rivaldo foi um grande jogador.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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