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O clube dos decacampeões

O título inglês do Manchester United conquistado neste sábado com o empate com o Blackburn estabelece ao clube mais algumas marcas significativas na Premier League. Na mais comentada delas, os Red Devils ultrapassaram o Liverpool em número de conquistas, com 19 no total contra 18 dos rivais. Outra, que tem passado quase despercebida, pertence a Alex Ferguson. O escocês conquistou seu 15º título nacional na carreira, se aproximando dos compatriotas Bill Struth e Willie Maley, recordistas nacionais como técnicos com 18 e 16 conquistas, respectivamente.

A façanha de Ferguson, porém, parece muito mais significativa. Afinal de contas, enquanto Struth e Maley fizeram história em Rangers e Celtic num campeonato bipolarizado como o escocês, Sir Alex quebrou essa polarização conquistando três títulos com o Aberdeen, e mais 12 com um Manchester United que ele montou, desmontou e montou novamente pelo menos três vezes nesses últimos 25 anos. A julgar pelos resultados recentes, é questão de tempo para ele ser o recordista absoluto.

Quem são eles?

Além de Ferguson, Struth e Maley, onze outros técnicos possuem dez ou mais títulos nacionais no currículo, levando-se em conta apenas países onde foi possível encontrar informações. Foi impossível, por exemplo, saber mais sobre a sequência do Tafea, de Vanuatu, campeão 16 vezes consecutivas, e seus treinadores durante esse período, embora seja sabido que Robert Calvo, hoje na seleção nacional, esteve presente em várias destas.

Assim, na quarta posição da lista aparece o colombiano Gabriel Ochoa Uribe, com 14 títulos nacionais. Tido como o técnico mais importante da história do futebol de seu país, Uribe conquistou seu primeiro campeonato em 1959 com o Milionarios, clube pelo qual brilhou como goleiro na época da “Liga Pirata” junto com Alfredo di Stéfano, até o último em 1990, com o América de Cali (antes apenas um time médio), equipe pela qual foi campeão nacional sete vezes e disputou três finais de Copa Libertadores entre 1985 e 1987, perdendo todas.

O norueguês Nils Arne Eggen também soma 14 conquistas e divide o quarto posto. Um dos títulos foi pelo Moss e os outros 13 pelo Rosenborg, liderando a “era de ouro” vivida pelo clube na década de 90 e levantando a última taça em 2010, quando assumiu o clube pela sexta vez – está no comando até o momento. Fã do futebol holandês, Eggen poderá igualar Ferguson caso seja campeão novamente em 2011, mostrando que, apesar de não ter tido muitas chances na seleção nacional – foi técnico apenas entre 1974 e 1977 -, é o principal treinador da história do futebol de seu país.

Com 13 títulos, aparecem três nomes: o primeiro deles é o norte-irlandês Roy Coyle, dez vezes campeão pelo Linfield nas décadas de 70 e 80 e três vezes vencedor pelo Glentoran recentemente, mas que nunca teve uma chance em sua seleção nacional. O outro é Aleksandrs Starkovs, que conquistou todos os seus títulos nacionais pelo Skonto Riga, da Letônia, e por ter apenas 55 anos de idade pode ampliar ainda mais a marca no Baku, do Azerbaijão, clube que comanda atualmente. Na seleção da Letônia, ele conseguiu a façanha de se classificar para a Euro 2004, e só isso basta para que seja tratado como herói nacional por lá.

O outro treinador 13 vezes campeão nacional é Valery Lobanovsky, do Dynamo Kiev, uma verdadeira lenda do futebol na Ucrânia. Oito vezes campeão soviético e cinco vezes campeão ucraniano, ele também disputou as Copas do Mundo de 1986 e 1990 e foi vice-campeão europeu em 1988 com a seleção da União Soviética, perdendo para a Holanda na decisão. Além disso, foi semifinalista da Copa dos Campeões com o mesmo Dynamo em 1998/99, revelando Andriy Shevchenko para o mundo. Após sua morte, em 2001, o clube pelo qual ele foi multicampeão o homenageou de diversas maneiras, sendo uma delas com o nome de seu estádio.

Com 11 conquistas, aparecem mais dois técnicos: o primeiro é o alemão Ottmar Hintzfeld, campeão em cinco oportunidades pelo Bayern Munique e duas pelo Borussia Dortmund na Alemanha, além de ter vencido uma Liga dos Campeões por cada clube. Na Suíça, levantou campeonatos nacionais mais quatro vezes: duas pelo Basel e duas pelo Grasshopper. Ele comandou recentemente a seleção suíça na Copa do Mundo de 2010 e disse que se aposentará após a Euro de 2012. O segundo é o búlgaro Krum Milev, que faturou todos os seus títulos com o CSKA nas décadas de 50 e 60, além de ter tido uma rápida passagem pela seleção de seu país.

A turma dos que “só” conquistaram dez títulos nacionais é maioria nesse seleto grupo, com quatro nomes. Quem mais se destaca entre eles é Giovanni Trapattoni, vencedor de sete Campeonatos Italianos, sendo seis deles pela Juventus e um pela Internazionale. As outras três conquistas foram uma Bundesliga pelo Bayern Munique, um Campeonato Austríaco pelo Red Bull Salzburg e um Campeonato Português pelo Benfica. Além disso, conquistou também a Copa dos Campeões em 1985 pela Juve e comandou a seleção italiana na Copa do Mundo de 2002.

O escocês John “Jock” Stein também figura na lista. Decacampeão com o Celtic nas décadas de 1960 e 70, comandou a seleção escocesa entre 1978 e 1985, disputando a Copa do Mundo de 1982. Sua morte, após um ataque do coração, ocorreu após um empate contra País de Gales pelas eliminatórias da Copa do Mundo de 1986, que classificou o time para a repescagem contra a Austrália. O substituto dele foi, justamente, Alex Ferguson, que define Stein como seu “mentor” e comandou a Escócia naquele Mundial.

Outro nome que tem certa notoriedade é o de Marcos Calderón, peruano decacampeão por Sporting Cristal, Sport Boys, Alianza Lima e Universitário. Calderón, que faleceu aos 59 anos num acidente aéreo que matou todo o time do Alianza Lima em 1987, também ficou conhecido por conquistar uma Copa América com a seleção peruana em 1975, e ter sido o técnico da equipe que perdeu por 6 a 0 para a Argentina na Copa do Mundo de 1978, em um jogo que até hoje gera polêmica e controvérsias. O alemão Jürgen Bogs, decacampeão da Alemanha Oriental na década de 1980 com o Dynamo Berlim, completa a lista.

Eles estão quase lá

Há também a turma dos técnicos nove vezes campeões nacionais, aqueles que estão ou ficaram a um passo de entrar para a seleta lista supracitada. É o caso de Albert Batteux, campeão francês cinco vezes com o Stade de Reims e quatro com o Saint-Etienne. Oleg Romantsev, com um título soviético e oito russos, também figura na lista, assim como o espanhol Miguel Muñoz, que conquistou suas nove ligas espanholas pelo Real Madrid.

Entre os técnicos em atividade, destaca-se Mircea Lucescu, do Shakhtar Donetsk, e Fabio Capello, que conquistou nove títulos em campo, mas teve dois revogados pela justiça italiana (ambos pela Juventus)

Com oito conquistas, a lista é um pouco maior, incluindo o austríaco Ernst Happel, que dá nome ao estádio do Rapid Viena e foi campeão nacional em quatro países: Áustria, Alemanha, Bélgica e Holanda. O iuguslavo Ljumbisa Tumbakovic, que fez história no Partizan na década de 1990, e o tcheco Jaroslav Vejvoda também figuram na lista.

José Mourinho, do Real Madrid, ainda soma “apenas” seis títulos, mas, com menos de 50 anos, é provável que chegue aos dez nos próximos anos. Pep Guardiola, de apenas 40 anos, conquistou “só” três campeonatos nacionais, mas também disputou apenas três temporadas em primeira divisão e tem aproveitamento de 100%.
 

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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