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” O Brasil nunca teve seleção como aquela”

Sigge Parling entrou em campo naquela partida com uma única recomendação: parar Pelé e Garrincha. E talvez se não estivesse diante de dois gênios do futebol teria desempenhado de forma elegante o papel que havia sido lhe dado naquele dia. Hoje, com quase 80 anos e vivendo na pequena cidade de Hedesunda Gävle, a 190 quilômetros da capital Estocolmo, Sigge vive de forma bem diferente do tempo em que defendia a seleção sueca. Há algum tempo aposentado faz questão de dedicar a sua nova paixão, os cavalos.

Apesar de não ter tido uma longa carreira no futebol, Parling é uma lenda viva no futebol sueco da década de 50, principalmente para o Djurgårdens, clube que defendeu por 11 anos. Quem o viu jogar sabe que reuniu como poucos força e elegância.

Nesta entrevista, Parling reconhece Pelé como o melhor, mas enxerga muito mais virtudes naquela equipe, ele faz uma observação interessante sobre os campeões do mundo de 58.

Como foi marcar Pelé em uma época em que ele ainda não era o maior jogador de todos os tempos?
Bem, mesmo sem Pelé aquele time brasileiro de 58 era muito bom. Pelé era jovem e surgiu só mais tarde. O segredo do Brasil era ser um time homogêneo. Mas foi legal jogar contra o Pelé. Ele não saiu muito para o jogo no primeiro tempo, mas no segundo sim e inclusive fez gols, mas eu destacaria também Garrincha, Didi, Vavá e Zagallo, que eram grandes jogadores também.

Você tinha algum tipo de desafio particular com ele?
Sim, nós queríamos testá-lo e de certa forma Pelé nos fascinava. Ele apareceu muito bem na semifinal contra a França e foi melhorando, só se tornou fundamental para o time depois.

Qual sua melhor lembrança daquele jogo?
O primeiro gol que nós fizemos. Quando abrimos o placar surgiu um fio de esperança, mas eles eram legitimamente favoritos.

Vocês ouviam que eles eram muito bons antes do jogo mesmo em uma época que as informações não eram tão acessíveis como hoje?
Não, na época nós não sabíamos como era a formação tática de uma equipe, nem como jogavam, como acontece hoje. Não sabíamos antes da partida quem marcar, que espaços fechar, não tínhamos um papel definido no time, criávamos nossas próprias oportunidades no momento.

Pelé e Garrincha foi a melhor dupla que você viu jogar?
Sim, mas eu diria que todo o time. O Garrincha decidiu o jogo, ele correu muito pelas laterais do campo, fez 1 a 1 e o 2 a 1 e então os brasileiros ficaram confiantes para jogar o segundo tempo. Nós, de certa forma, já estávamos contentes em estar na final e justamente contra o Brasil não fizemos nossa melhor partida. Na semifinal, fomos verdadeiros guerreiros contra os alemães. O Brasil nunca mais teve uma seleção tão homogênea como aquela, sempre conseguiu formar bons times, mas sempre com algum ponto fraco.

E quais os pontos fortes da seleção sueca para ter chegado à final?
Tínhamos um bom grupo. Antes da Copa não podia-se misturar amadores e profissionais então não podíamos jogar juntos. O Gunnar Gren, Macka Lennart Skoglund, Ture Hamrin, Lidas, Niels Liedholm eram profissionais. Na defesa, tínhamos o Gyllen, que era muito bom e jogava na Itália também, foi uma boa mistura entre amadorismo e profissionalismo.

Por que a Suécia nunca conseguiu repetir o feito de 1958?
Muitos jogadores sumiram depois da Copa. A Suécia é um país pequeno que nem sempre consegue revelar uma safra de bons jogadores como aquela. Fomos uma surpresa naquela Copa, jogamos bem contra os russos, que eram favoritos, e contra os alemães e conseguimos chegar à final, mas era uma grande surpresa.

A Copa ajudou a popularizar o futebol na Suécia?
O futebol sempre foi popular na Suécia. Vencemos os jogos olímpicos de 1948 com alguns jogadores que foram vice-campeões em 58, como o Gunnar.

Qual a diferença entre os zagueiros e volantes de sua geração e os atuais?
Antes jogávamos no esquema “Halvbackar”, onde se começava defendendo com forca e depois se atacava com cinco jogadores, praticamente todo meio campo. Atualmente tudo é construído taticamente, o 4-4-2, por exemplo, fecha muito os espaços do campo, o futebol era mais aberto.

Como você vê a nova geração de volantes que não se descuidam da marcação, mas também criam boas jogadas de ataque e acabam muitas vezes decidindo partidas?
Eu gosto disso, gosto de futebol ofensivo e de jogadores atrevidos. Eu acho que a seleção sueca, por exemplo, deveria liberar mais os jogadores para mostrarem que são talentosos.

Que jogador hoje você diria que tem um estilo parecido com o seu?
O Sebastian Larsson, da seleção, e que foi convocado para enfrentar o Brasil, no último amistoso. Ele é forte e gosta de surpreender quando chega ao ataque.

Que jogador do futebol atual seria, para você, mais difícil de marcar? Messi, Cristiano Ronaldo ou Ronaldinho Gaúcho?
Sem dúvidas Ronaldinho Gaúcho, ele é imprevisível.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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