“O ambiente é ótimo”

O técnico Caio Júnior inicia sua aventura no futebol japonês no próximo dia 8 de março, em plena data de seu aniversário de 44 anos. O novo treinador do Vissel Kobe se mostra bastante contente com o inicio dos trabalhos no oriente e já deixa claro que a ambição do clube permanece intacta.
“A idéia é fazer um Vissel forte, seria fantástico se conseguíssemos a classificação para a Liga dos Campeões da Ásia de 2010” relata o ex-comandante de Palmeiras e Flamengo.
No final, o paranaense de Cascavel também fez um pequeno balanço dos seus últimos trabalhos e falou do Campeonato Brasileiro
Como está sendo o trabalho no Vissel Kobe? Qual o ambiente que você encontrou no clube?
Está muito bom, estou me adaptando. O ambiente é melhor do que eu esperava, com uma estrutura muito boa. O que chama mais a atenção é a educação de todos.
O que sabe sobre o Kyoto Sanga, adversário da estréia?
Será um jogo interessante porque existe uma certa rivalidade pela proximidade das cidades. Lá jogam os brasileiros Paulinho, Sidiclei e Diego .
O Vissel tem um projeto de se firmar entre as forças Kashima, Urawa Reds e Gamba Osaka. Com as chegadas de jogadores acima da média da competição como Alan Bahia, Marcel e Miyamoto, dá pra considerar que o clube pode brigar pelo título?
A idéia é fazer do Vissel um clube forte, mas o campeonato é muito equilibrado e estas equipes que você citou são favoritas. Seria fantástico se conseguíssemos a classificação para a Liga dos Campeões da Ásia.
Os brasileiros sempre deram o toque de diferença na J-League, mas muitos criticam o fato do Vissel Kobe não ter japoneses da mesma qualidade dos japoneses que jogam nas potencias Urawa, Kashima e Gamba. O que tem achado dos atletas nipônicos do Vissel?
O futebol daqui é bem diferente do Brasil, muita disciplina tática e menos criatividade, eles tem bons fundamentos, mas não há espaço pra pensar.
Sua ida para o clube teve alguma influência ou indicação do Emerson Leão, que é muito amigo dos dirigentes do Vissel Kobe?
Absolutamente nenhuma. O meu nome foi indicado pelo ex-zagueiro Oscar (Foi jogador do Cruzeiro e titular da seleção brasileira na Copa de 1982. Trabalhou muito tempo no Japão).
Você já conversou com os outros treinadores brasileiros na J-League – Oswaldo de Oliveira e Péricles Chamusca? Basicamente o que eles te contaram sobre o Campeonato Japonês?
Encontrei com os dois e também com o Levir Culpi (Cerezo Osaka, da segunda divisão) em Tóquio no evento da J. league. Conversamos bastante e eles lembraram muito a questão da diferença de ritmo de jogo e a cultura dos japoneses.
Sua idéia é se firmar no Japão e ficar muitos anos como Oswaldo, Levir e Chamusca?
Gostaria muito de completar os três anos de contrato e atingir os objetivos do Vissel e depois estudar a possibilidade de ficar mais ou não.
Em 2007 e 2008 você dirigiu equipes no Brasileirão que não ganham a competição há mais de uma década e enfrentam uma pressão absurda. Quais as principais lições que você aprendeu depois de passar pelos ‘caldeirões’ Palmeiras e Flamengo?
Foram experiências importantes que servirão como parâmetro para decisões futuras. Apesar da pressão pelos resultados e cultura do futebol brasileiro, não modifiquei minhas convicções.
Mesmo fazendo um bom trabalho você era contestado e agora o Cuca está passando dificuldades na Gávea. Você acha que no Flamengo falta identificação do clube com treinadores da escola gaúcha e do sul do País em geral?
Não, eu era muito bem tratado nas ruas e convivi muito bem com os torcedores do Flamengo, acho muito difícil alguém conseguir um aproveitamento de 87% até a venda dos jogadores. Acho que o problema não é a identificação e sim o contexto que envolve o clube.
Desde que você surgiu no Grêmio como jogador até os últimos trabalhos como técnico, dentro de campo, o que mudou no futebol brasileiro nos últimos 20 anos?
Eu ainda joguei no clássico 4-3-3 com pontas abertos e sem cobranças de marcação. Aos poucos a parte física ficou mais importante que a técnica.
Eu diria que hoje um jogador joga só tendo força ou só tendo velocidade, mas só tendo técnica é cada vez mais difícil.
É inegável que a força tem ganhado muito espaço no futebol. Os títulos do competitivo, mas pouco encantador São Paulo, provam isso?
A bola parada decide a maioria dos jogos e o São Paulo ganhou muitos jogos assim nestes três anos. Infelizmente hoje qualquer falta lateral é bola na área. Mas o São Paulo ganha tudo por diversos motivos: estrutura, planejamento, qualidade dos jogadores, comissão técnica e mentalidade dos dirigentes.


