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“Nunca nem estive na Palestina”

Bastante solícito, o treinador Alfred Riedl bateu um papo telefônico conosco para contar sobre sua experiência no comando da seleção da Palestina. O austríaco de 59 anos era o comandante durante a campanha nas eliminatórias para a Copa de 2006 que virou um documentário “Goal Dream: um time como nenhum outro”. Na ocasião, Riedl teve de chamar futebolistas descendentes de palestinos que viviam em outras nações (alguns como refugiados) para montar a equipe. Uma situação inusitada que exigiu um esforço físico, emocional, cultural e geográfico poucas vezes visto numa seleção – que nem sequer mandava seus jogos em seu próprio país!

O ex-goleador das ligas belga e austríaca nos anos 1970 também fala do seu próximo desafio no futebol do Laos, no sudeste da Ásia.

Conte-nos como começou o seu envolvimento com a seleção da Palestina.

Fui procurado por Tayseer Barakat, um empresário palestino que vive no Kuwait. Ele queria saber se era possível classificar os palestinos para uma Copa do Mundo. Eu falei desde o inicio que as chances eram remotas! Mesmo assim começamos as eliminatórias asiáticas para o Mundial de 2006 ganhando de Taiwan e empatando com o Iraque. Com isso, mais empresários passaram a ajudar.

Qual é a realidade física e institucional do futebol palestino?

Naquela ocasião (2004) e, até mesmo antes, não havia uma liga profissional na Palestina, é um local perigoso. Antes da guerra com Israel havia campeonatos em Gaza e Cisjordânia. Na verdade eu nunca estive na Palestina, nossos treinos e jogos eram na cidade de Ismailia, lá no Canal de Suez, no Egito. Foi uma grande experiência para mim como treinador comandar aquele time com todas aquelas dificuldades internas. Para montarmos a seleção, Barakat trouxe uns dez jogadores do Chile e alguns de Suécia, Estados Unidos (de descendência palestina como Roberto Bishara, Imad Zatara e Edgardo Abdala) e países árabes como a Jordânia.

Como foi o ambiente e a gestão?

Eu tive alguns problemas com meus assistentes. Um veio de Gaza e o outro da Cisjordânia, então na Federação eles não se entendiam. Além disso, na Federação o vice-presidente, o general, o secretário e todos os outros caras não apoiavam Barakat em muitas coisas. Podemos concluir que os problemas internos atrapalharam, mas a principal razão foi que o time não era forte o suficiente. Apesar de tudo, Barakat era e ainda é um torcedor 100% palestino! Uma grande personalidade!

O senhor trabalhou no Olympique Khouribga, do Marrocos, num dos últimos períodos de bonança por lá, quando a seleção marroquina se preparava para a Copa de 1994 e tinha uma boa geração com Naybet, El Hadrioui e Mustapha Hadji. Quais suas lembranças daquela época?

Boas memórias, no futebol marroquino há talentos, mas falta profissionalismo, isso é um problema. A derrota na final da Copa do Marrocos 94 para o Raja Casablanca foi dura, perdemos no segundo tempo da prorrogação! Khouribga é uma típica cidade árabe, vida dura, mas importante para abrir a mente de qualquer um.

Como pretende implantar sua metodologia na seleção olímpica do Laos, que terá o 25º Jogos do Sudeste Asiático em dezembro. Qual a realidade do futebol laociano?

Eu fui poucas vezes ao Laos. O futebol lá ainda é muito fraco, tentaremos mudar alguma coisa. Eles deixam os programas e projetos pelo caminho, precisam de suporte para evoluir.

O grande jogador vietnamita do momento, o atacante Le Cong Vinh, acabou de chegar ao Leixões, de Portugal. Acha que foi a escolha certa?

Ele é muito bom jogador, rápido e com faro de gol, além de ser boa pessoa. Estou curioso para ver como ele se sairá.

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Equipe Trivela

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