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“Nunca me forçaram a sair”

Guilherme surgiu no cenário nacional como o principal destaque do Cruzeiro campeão da Copa SP de Juniores em 2007. Promovido ao time principal, teve uma evolução relâmpago e rapidamente se tornou ídolo dos cruzeirenses. Foi para o Mundial sub-20 e passou a ser conhecido fora do país também.

Daí, para aparecer uma proposta estrangeira, não precisou esperar muito. O Dynamo Kiev ofereceu € 7 milhões mais o atacante Kleber, que vinha de uma temporada excelente no Palmeiras. O Cruzeiro, famoso por vender rapidamente seu jogadores, não pensou duas vezes. Nesta entrevista exclusiva concedida à Trivela, Guilherme não se arrepende do negócio e vislumbra a disputa da Liga dos Campeões como principal objetivo.

Em entrevista concedida à revista Trivela de março deste ano, o atacante Kleber, envolvido na sua negociação com o Dynamo Kiev, afirmou que recomendou a você que não fosse para a Ucrânia. O que te motivou a aceitar a proposta do Dynamo?
Respeito a opinião de todos, mas já tenho muito discernimento do que é bom pra mim ou não. Foi um novo desafio profissional e, além do mais, tenho o desejo de disputar uma Liga dos Campeões. É um grande torneio, no qual estão os maiores jogadores do mundo e, por isso, acho que disputá-la será muito importante para a progressão da minha carreira.

Como tem sido sua adaptação à Ucrânia? No começo, até mesmo por ter demorado a entrar no time, foi muito complicado?
Minha adaptação foi muito boa. A Ucrânia não é isso tudo que pintam. Infelizmente, joguei pouco. Aí, as coisas ficam mais difíceis. Mas, quando se tem a vontade de vencer na vida, nenhum obstáculo é insuperável. Desde a minha saída do Maranhão, eu tracei várias metas. A persistência e o trabalho são os meus lemas de inspiração e, por isso, vou em busca das coisas positivas que o futebol pode me propiciar.

Passados alguns meses, você já consegue fazer uma análise sobre o futebol ucraniano? Quais as principais diferenças em relação ao brasileiro?
Ainda não consegui perceber muitas diferenças, pois joguei pouco. Neste ano jogarei a temporada inteira.

Já deu para sentir um pouco da rivalidade com o Shakhtar Donetsk?
A rivalidade existe, mas acho que a de Cruzeiro e Atlético é maior. O povo ucraniano é muito diferente do brasileiro. A empolgação e vibração ficam somente nos estádios. O jogador sai nas ruas e as pessoas não agem com a mesma paixão dos torcedores brasileiros. Posso caminhar tranquilamente nas calçadas.

Em seu primeiro jogo como titular, marcou três gols na vitória sobre o Karpaty Lviv, por 4 a 1. Como foi essa partida?
Foi muito boa. Melhor até do que eu esperava. Acho que era a fome de fazer gols. Estava sentindo falta de balançar as redes.

Como era o trabalho de Yuri Semin, ex-técnico do time?
Bom, tanto que nós fomos campeões ucranianos com 15 pontos de vantagem sobre o Shakhtar e chegamos à semifinal da Copa Uefa.

Qual sua expectativa para a próxima temporada, já que a equipe entrará já na fase de grupos da Liga dos Campeões?
Muito boa. O time manteve a base, trouxe bons reforços e temos boas possibilidades de passar à segunda fase da Liga dos Campeões. Se depender da minha vontade, vamos fazer uma grande competição. Estou muito focado nela e é um sonho que se tornou realidade poder disputá-la.

Já teve tempo para conhecer o trabalho do novo treinador, o russo Valery Gazzaev?
Já sim, mas apenas por uma semana. Aparentemente, ele tem carinho por mim e sinto que quer muito me ajudar. Esta confiança transmitida é boa e me deixa à vontade para desempenhar o meu melhor futebol. Quando existe uma boa sintonia com o treinador, tudo flui de maneira mais eficiente.

No CSKA Moscou, Gazzaev sempre trabalhou com muitos brasileiros. Ele já teve alguma conversa especial com você?
Comigo, em especial, não. Apenas com o grupo. Mas o seu currículo fala por si só. Ele venceu várias competições pelo CSKA e espero que continue sendo vitorioso por aqui. Jogadores brasileiros e de qualidade não faltam para que ele repita o sucesso.

Entre seus companheiros de Dynamo, quem você destacaria?
Tirando os Brasileiros, o Ninkovic – camisa 36 –, que é sérvio, e o Yussuf – camisa 40 –, que é nigeriano. Eles têm muita qualidade.

Falando um pouco sobre sua carreira, como foi aquela Copa SP de juniores, quando você despontou para o futebol nacional e foi campeão pelo Cruzeiro?
A Copa São Paulo foi marcante na minha carreira, pois iriam reduzir a idade e seria a última oportunidade de mostrar meu futebol na base. Agarrei a chance e não a desperdicei. Entramos para a história do clube e conquistamos o primeiro título da competição para a Raposa. Foi tudo muito maravilhoso. Depois, tudo aconteceu de uma maneira natural e pude mostrar o meu trabalho no time profissional. Sou grato à estrutura e ao profissionalismo do Cruzeiro nessa minha caminhada.

Acha que poderia ter ficado mais tempo na Toca da Raposa?
Acho que foi o momento certo. Uma venda não depende só do jogador, nem só do clube. É uma série de fatores e, na época, todos aceitaram a negociação. Fui embora, mas o sentimento pelo Cruzeiro não acabou. O que aconteceu foi que todos analisamos a situação da transferência com muito profissionalismo e com a cabeça no lugar. Como todas as partes ficaram satisfeitas, o negócio foi fechado.

A família Perrela é famosa por negociar rapidamente os jogadores formados no Cruzeiro. Eles forçaram sua negociação?
Em nenhum momento me forçaram a sair. Como disse, foi um consenso geral. A diretoria do Cruzeiro agiu corretamente comigo em toda a negociação.

Quando você saiu, seu nome vinha sendo cogitado para a Seleção Brasileira. Teme ficar escondido na Ucrânia?
Não tenho medo de ficar escondido. Basta apenas ter uma sequência de jogos e fazer gols. Estar na Ucrânia não é demérito para o jogador, nem empecilho para ser convocado para a seleção. Podemos listar os exemplos de Elano e Vagner Love. Este último joga na Rússia e, coincidentemente, era treinado pelo nosso técnico atual. Eles foram vencedores lá. Espero que também consigamos vários títulos com o Dynamo e que o Valery me dê a mesma sorte que deu para o Vagner Love. Vou lutar para que comecemos uma nova parceria de sucesso aqui em Kiev.

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Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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