“Nos sentimos culpados”

Eduardo Costa não é um meia armador, mas, no elenco gremista de 2008, poucos pensam tanto quanto ele. Após sair do Brasil sendo taxado de violento, o volante gaúcho passou seis longos anos na Europa, retornou mais maduro e lidera o Grêmio na atual temporada. Na entrevista dada à Trivela há duas semanas, o jogador revelou que foi contrário à saída de Vágner Mancini
“Nos sentimos um pouco culpados por essa demissão. Estávamos oscilando muito e a direção achou que precisava mudar algo”, conta. Ainda assim, Costa defende uma maior participação dos jogadores em decisões como essa. Além de comentar o atual momento gremista, o volante falou sobre sua passagem na Europa e como, desde que retornou ao Olímpico, mudou a imagem que tinha de jogador violento.
Fora do Rio Grande do Sul, você tinha fama de violento quando começou a carreira. No ano passado, você retornou e mudou a opinião de muita gente. Seu futebol mudou?
Essas críticas me prejudicaram na época, especialmente porque as pessoas se basearam nos jogos da Seleção, que vinha mal há muito tempo e tinha trocado duas vezes de técnico. O Felipão me conhecia, sabia como eu jogava e colheu informações sobre minhas passagens pelas seleções de base. Muita gente também me conhecia, mas preferiu ir na onda dos demais. A verdade é que o Brasil não estava bem e, pela minha idade, pela ansiedade de que as coisas fossem bem, eu cometia erros infantis. Hoje, estou tranqüilo para voltar.
Essa tranqüilidade tem a ver também com o futebol que você tem apresentado no Grêmio?
Estou certamente mais tranqüilo. Tudo para mim foi bem precoce. Vim para o profissional com 17 anos e em um momento bem difícil, pois o clube tinha contratado jogadores de nome e não havia dado muito certo. No começo foi complicado, mas me firmei e, até pelo sucesso que havia tido nas seleções de base, fui rapidamente vendido para a França.
Para 2008, o Grêmio perdeu o técnico e vários jogadores importantes. Mesmo com a base nova e uma troca prematura de técnico, o time embalou rápido. O que fez o Celso Roth para ter resultados tão rápido?
Ele é experiente e conseguiu impor algumas idéias novas, mas sabendo dar continuidade ao que vinha fazendo o Vágner Mancini.
Como o elenco encarou a demissão do Vágner?
Foi algo muito triste. Ele é um treinador com quem nos dávamos muito bem. Ficamos chateados porque nos sentimos um pouco culpados por essa demissão. Realmente, estávamos oscilando muito e a direção achou que precisava mesmo dessa mudança. Nós jogadores, infelizmente, ainda não somos ouvidos para saber se concordamos ou não. Acho que deveríamos participar mais. Na Europa, onde joguei seis anos, o elenco tem mais influência dentro do clube.
No elenco gremista, uma série de jovens jogadores tem despontado. Em que jogadores experientes como você podem ajudá-los?
A melhor maneira de ajudar é dar o melhor dentro de campo, jogar bem e ser profissional em todos os momentos. Quando você é mais velho, está sendo visto em suas atitudes, vira um espelho para os garotos. Claro, se for necessário, a gente pode aconselhar e mostrar o melhor caminho aos mais novos.
Isso vale para o Roger também?
O Roger é um cara experiente e que sabe, melhor do que ninguém, o que essa temporada e essa oportunidade representam para a carreira dele. Todos sabem que ele tem qualidades e que pode aportar muito ao nosso time. Por isso, ele tem se empenhado bastante aqui no Grêmio.
Você se adaptou rapidamente ao Grêmio, mas vinha em um mau momento no Espanyol. O que aconteceu por lá?
No primeiro ano na Espanha eu fui feliz, mas depois foi piorando. Tive diversos problemas, coisas que prefiro não comentar, pois me desanimaram bastante. O principal fator de eu ter ficado jogos fora foi porque eu estava triste e isso só fazia mal a mim mesmo. Não foi como na França, onde joguei quase todos os jogos e só saí porque achei que era o momento de ir para a Espanha.
Na época, houve outras propostas para voltar ao Brasil?
O próprio Internacional me cogitou, mas o primeiro clube que realmente mostrou interesse foi o São Paulo, mas depois não houve acerto. Contudo, quando o Grêmio se dispôs a me trazer, não hesitei, pois não estava feliz profissionalmente. Pude voltar pra casa, rever as pessoas com quem eu cresci no clube que me revelou. Tenho uma história bonita aqui e graças a Deus tem sido muito bom ter voltado.
Você pensa em voltar à Europa?
No momento, as coisas estão muito bem e só penso em conquistar os títulos que temos pela frente. Jogador só é reconhecido e respeitado quando ganha títulos. As outras coisas eu deixo acontecer naturalmente.


