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No banco da majestade

Edson Arantes do Nascimento comemora 70 anos em 2010. Nascido no dia 23 de outubro de 1940 (data confirmada pelo Rei, mas desmentida pelo cartório de Três Corações, que registra o nascimento dois dias antes), Pelé dedicou grande parte dos seus 70 anos de vida ao futebol. O camisa 10 do Santos e da Seleção Brasileira estreou profissionalmente no dia 7 de setembro de 1956 em um jogo do Santos contra o Corinthians de Santo André. A sua última partida foi no dia 1º de outubro de 1977, em uma partida entre o New York Cosmos e o Santos. Pelé atuou pelos dois times em cada tempo.

Na carreira, marcou 1279 gols em 1367 jogos, o que dá uma média de 0,93 gol por partida. Entre as principais conquistas, destacam-se as Copas do Mundo de 58, 62 e 70, as Libertadores de 62 e 63, além dos Mundiais de 62 e 63. Pelé sempre foi o títular absoluto da 10 em todos as equipes que passou. O que significou que alguns jogadores tiveram que ceder o seu lugar para o Rei.

Mas afinal, quem foram os reservas de Pelé? Obviamente não há uma lista específica com nomes, mas é possível citar alguns que, no mínimo, poderiam ter ido muito mais longe na carreira. Algumas histórias de vida.

Um desses casos é Almir Pernambuquinho. Conhecido como Pelé Branco, Almir jogou no Santos de 1963 a 64 e, consequentemente, foi banco do Rei. No entanto, conseguiu um feito: substituiu Pelé no segundo e no terceiro jogo da final do Mundial de 63 entre Santos e Milan. Ele, inclusive, marcou um dos gols na vitória por 4 a 2 na segunda partida da decisão.

Antes de chegar ao Santos, Almir Pernambuquinho já tinha se destacado em alguns clubes. Revelado pelo Sport, time de sua cidade natal, ele se transferiu para o Vasco com 20 anos. No clube carioca, onde ficou de 1957 a 59, conquistou o Campeonato Carioca em 58. Suas atuações chamaram a atenção do Corinthians e Almir foi contratado pelo Timão a peso de ouro: 8 milhões de cruzeiros. Os jornais noticiaram: “O Corinthians recebeu Almir como Pelé Branco”.

A expectativa sobre ele com a camisa do Corinthians era grande. No entanto, jogou no clube entre 1960 e 61 e vestiu apenas 29 vezes a camisa do Parque São Jorge. Com ciúmes pelo fato do Pelé Branco ter um salário maior que os outros do elenco, os jogadores teriam boicatado Almir Pernambuquinho, evitando passar a bola para ele.

Depois da passagem pelo Corinthians, foi a vez de ir para os clubes no exterior: Boca Juniors (1961/62) e Genoa (1962). Voltou ao Brasil e foi contratado pelo Santos de Pelé. Após vencer com o Peixe a Libertadores de 63 e o Mundial no mesmo ano, retornou ao Rio de Janeiro para jogar no Flamengo, time que ficou de 1965 a 1967. O último clube em que Almir Pernambuquinho jogou foi pelo América-RJ, aposentando-se do futebol em 1968.

Tendo um temperamento explosivo e se envolvendo em confusões, Almir Pernambuquinho morreu em uma briga de bar, em 6 de fevereiro de 1973, com um tiro na cabeça.

Outro bom exemplo de reserva de Pelé foi Dida. Segundo maior artilheiro da história do Flamengo com 263 gols, ídolo de Zico e titular da Seleção Brasleira no início da Copa do Mundo de 58.

Dida atuou na estreia do Mundial da Suécia contra a Áustria. Por mais que a seleção tivesse feito 3 a 0 nos europeus, Dida não fez uma boa partida e não marcou gol. Vicente Feola decidiu escalar em seu lugar Vavá no segundo jogo da Copa contra a Inglaterra. Novamente a Seleção não encantou e empatou em 0 a 0 com os britânicos.

Os jogadores estavam insatisfeitos com o desempenho da equipe e decidiram se reunir com Feola. O pedido era que o treinador colocasse em campo Garrincha e Pelé. O técnico seguiu o conselho e escalou os dois na terceira partida da Copa contra a União Soviética. Pelé entrou no lugar de Dida, e este não jogou mais na Copa de 58. A partir daí, Pelé passou a ser dono da posição na Seleção Brasileira.

Dida, o jogador que quase barrou Pelé da Copa do Mundo de 1958, nasceu em Maceió e começou a carreira no CSA. No clube de Alagoas, ficou de 1950 a 54. Aos 21 anos, se transferiu para o Flamengo. Os cariocas tiveram contato pela primeira vez com Dida quando o time de vôlei do Mengão foi para Maceió fazer uma excursão e assistiu um jogo entre a seleção de Maceió e o combinado de Paraíba. Depois de um tempo, o ponta-de-lança recebeu uma proposta do Rubro-Negro e se transferiu para o time do Rio, onde ficou de 1954 a 64.

No Flamengo, ele foi decisivo na final do Campeonato Carioca de 55, ao marcar três gols na vitória por 4 a 1 sobre o América. Também conquistou o carioca de 63. Depois da história que construiu no Flamengo, Dida foi para a Portuguesa (1963 a 65). Ainda jogaria no Atlético Juniors, da Colombia, onde atuou de 1966 a 1968 e encerrou a carreira. Faleceu em 7 de setembro de 2002.

O Possesso

Dos reservas, porém, um brilhou demais. Apelidado de “Possesso” por Nelson Rodrigues, Amarildo foi para a Copa do Mundo de 1962 como reserva de Pelé. Mas o Rei se contundiu no segundo jogo da Seleção na Copa do Chile, no empate sem gols com a Tchecoslováquia. O Possesso jogou no lugar do camisa 10, nos outros jogos do Mundial.

O grande destaque da conquista do Mundial de 62 foi Garrincha. Mas deve-se destacar a importância de Amarildo, que marcou um dos gols da vitória por 3 a 1 na final contra a Tchecoslováquia.

Fluminense de Campos, Amarildo começou a carreira no Goytacaz em 1958 e teve oportunidade de jogar em grandes clubes do Rio de Janeiro e da Itália. Foi para o Flamengo em 1959 e, no ano seguinte, já estava no Botafogo. No Alvinegro, clube em que defendeu até 1962, conquistou o Campeonato Carioca de 61 e 62.

Depois foi para a Itália, onde ficou dez anos e se tornou ídolo. Possesso jogou no Milan de 1962 a 67 e foi o titular nos três jogos da final do Mundial Interclubes de 63 contra o Santos de Pelé. No primeiro jogo da decisão, os rossonero venceram por 4 a 2 e Amarildo foi o responsável por marcar dois gols para os italianos. Outro clube que ele se destacou foi na Fiorentina (1967 a 71), tendo conquistado o Campeonato Italiano em 1969. Antes de voltar para o Brasil, jogou na Roma de 1971 a 72. O último time que ele defendeu na carreira foi o Vasco. E se aposentou em 1974.

Já Roberto Miranda não teve a concorrência somente de Pelé. Roberto Lopes de Miranda, nascido em 31 de julho de 1943, foi convocado para a Copa de 1970. Jogaram como titulares no Mundial do México Tostão, Rivelino, Jairzinho, Gérson e, claro, Pelé. Consequentemente, Miranda foi banco do Rei. No entanto ele entrou nas partidas contra a Inglaterra e Peru, substituindo Tostão e Jairzinho, respectivamente, durante o jogo.

Tendo iniciado a sua carreira no Botafogo em 1962, Roberto Miranda conquistou três Campeonatos Cariocas (1962/67/68) e um Torneio Rio-São Paulo (1964/65) pelo Fogão. Em seguida, se transferiu para o Flamengo em 1972 e ficou no Rubro-Negro até o ano seguinte. Roberto Miranda ainda jogaria pelo Corinthians entre 73 e 76. Devido às contusão, teve que encerrar a carreira prematuramente.

Enquanto muitos jogadores celebram o fato de terem enfrentado Pelé, outros podem lamentar o fato de terem sido companheiros do Rei.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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