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“Não tem essa de relaxar”

2008 foi um ano de mudanças, definições e incertezas para os pentacampeões mundiais. Cafu, Vampeta, Juninho, Luizão, Edílson e Ronaldo mostraram que definitivamente estão no crepúsculo de suas carreiras. Edmílson, Roque Júnior, Gilberto Silva, Ronaldinho, Rivaldo, Ricardinho e Denílson trocaram de clube, assim como Kleberson, que voltou ao Brasil para defender o Flamengo. Ontem (9) marcou o gol da vitória sobre o Botafogo que mantém o clube da Gávea com chances de faturar o Brasileiro. No seu primeiro ano de volta ao país, o meio-campista contabiliza mais de 40 jogos pelo rubro-negro carioca e avalia sua temporada. 


Retornando ao Brasil depois de quase cinco anos fora, como você avalia seu primeiro ano de volta ao país de origem e num clube de massa como o Flamengo?

Estou achando ótimo este retorno, estou contente, depois de quase um ano sem jogar regularmente, esta sendo bom atuar no Brasil, sentir a emoção de disputar um Campeonato Brasileiro e ter uma torcida como a do Flamengo ao lado é o máximo.

Muitos criticam o meio-campo do Flamengo por ser pouco criativo, é um setor que sofreu mudanças táticas ao longo do ano. Como tem sentido isso?
Com o tempo perdemos um pouco em termos de marcação forte, mas ganhamos em talento. Nosso time tem dois laterais ofensivos que vivem grande momento (Léo Moura e Juan), então temos uma grande responsabilidade de fazer a cobertura deles e isso dá a entender que o meio-campo cria pouco, mas não é verdade.

A saída do Marcinho, que vinha sendo o artilheiro do Brasileirão, e do Sousa, referência ofensiva, foi um golpe duro para uma equipe que estava no topo da tabela, não?
Com certeza, eles fazem muita falta para o grupo, fizemos uma pré-temporada perfeita, tivemos uma arrancada excelente e eles já estavam entrosados no ataque no nosso melhor momento. O Renato Augusto também é um jogador que faz falta, o Diego Tardelli machucou, enfim, sentimos falta de todos eles.

É notável que o técnico Caio Júnior não é tão próximo dos jogadores como era o Joel Santana. É natural que alguns sintam a falta do estilo mais despojado do Joel, não?
Cada treinador tem sua filosofia, sua visão e seu estilo. O Joel era um cara que conhecia o clube, ficava mais a vontade pra pedir as coisas etc. O Caio está aqui pela primeira vez e ainda está se encaixando.

Você saiu do Paraná para fazer testes no Flamengo na adolescência, porque não deu certo?
Eu tinha 15 anos, conheci o Marinho, um ex-jogador do Flamengo que me ajudou e me queria aqui. Eu era muito novo, estava assustado, preocupado e nervoso. Na época eu tinha que pegar ônibus para vir treinar, o trânsito já era complicado, acabei desistindo e voltando pro Paraná.

Com 23 anos você ganhou uma Copa do Mundo, em 2002. No ano seguinte, aos 24, o Manchester United pagou 6 milhões de libras por você. De lá pra cá, você perdeu espaço na seleção. O fato de ter ganhado tanta coisa importante e se realizado muito cedo influenciou na sua queda de rendimento? É difícil encontrar motivação?
De jeito nenhum, os títulos são conseqüência do trabalho, conquistei esses troféus porque me preparei pra isso, ganhei espaço na seleção, fiz meu melhor e deu tudo certo. A nossa carreira é muito curta, damos o máximo sempre, não tem essa de relaxar só porque ganhou isso ou aquilo.

O técnico Giovanni Trappatoni fez de tudo para tê-lo no Benfica, em 2005. Ao invés da Turquia, o futebol português não teria sido mais adequado ao seu estilo e a adaptação ao país bem menos complicada?
Cara, isso me deixou chateado na época, eu queria ir pra lá porque não estava tendo uma sequência na Inglaterra. O Trappatoni também me queria, eu estava esperando ir porque seria bom pra mim, se tivesse acertado, talvez minha carreira teria um rumo diferente.

Se readaptar ao futebol brasileiro deve ter sido penoso pra você. Conte-nos um pouco sobre as dificuldades e diferenças entre o futebol jogado no Brasil, Inglaterra e Turquia.
Senti muito, principalmente os esquemas de jogo daqui, que são muito diferentes. Aqui no Brasil sempre vemos jogadas lindas, atacante saindo na cara do gol, e lá isso é bem raro. Aqui você tem mais tempo pra pensar, é mais cadenciado e os jogadores tem uma técnica mais apurada. Lá o jogo é mais baseado na força física.

Você chegou em Manchester junto com o Cristiano Ronaldo na temporada 2003/4. Já dava pra perceber que aquele português franzino na época poderia se tornar o fora-de-série que é hoje?
Sim, ele era bem novo, mas víamos a qualidade que ele tinha e sabíamos que poderia se tornar um grande jogador, só faltava o amadurecimento. É um cara que tem uma capacidade impressionante, principalmente pela força e velocidade que coloca pra executar sua técnica, alto nível mesmo.

Mascarado?
Não, ele é tranqüilo, um sujeito educado, fazíamos churrascos juntos, conheci a família dele. Ele merece estar sendo cotado para ser o melhor jogador do mundo este ano porque trabalhou pra isso e é boa pessoa.

É evidente que muitos gostariam de saber como é trabalhar com o manager Alex Ferguson, 22 anos a frente do Manchester United, o treinador mais bem sucedido na história do futebol inglês.
É um cara que gosta muito de brasileiro, ele não queria que eu saísse, me ajudou muito e conversava bastante comigo antes dos jogos, inclusive ele fala um pouco de português (risos). O meu problema em Manchester foram as lesões, quando eu estava tendo uma seqüência, eu me machucava. É um futebol de alto nível, de muita força, rapidez e contato físico, tem que estar muito bem fisicamente pra jogar.
 

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