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“Não somos mais ingênuos”

Com o fim de mais uma etapa das Eliminatórias Asiáticas para a Copa do Mundo 2010, batemos um papo com o meia John Wilkinson (foto), da seleção de Cingapura. Inglês naturalizado, ele conta o que os cingapurianos aprenderam na competição onde foram eliminados no Grupo 4 que tinha Arábia Saudita, Uzbequistão e Líbano. O jogador do Singapore Armed Forces também relata experiências inusitadas vividas no Tadjiquistão. E claro, também não poderia faltar o Brasil na conversa…

Qual a lição mais importante que Cingapura aprendeu nessas Eliminatórias Asiáticas para Copa de 2010, onde vocês foram eliminados num grupo que classificou Arábia Saudita e Uzbequistão para a fase seguinte?
Nós aprendemos a não ser ingênuos. Diria que aprendemos isso depois da goleada que sofremos do Uzbequistão em casa (7 a 3). Nós estávamos longe de ser o melhor time no 1º tempo e depois criamos boas chances de gol, mas quando você pensa que está no controle do jogo e pára de fazer o básico na defesa, se paga um preço muito caro em partidas de nível internacional.

Uzbequistão está emergindo na Ásia. Você esteve em campo nos dois jogos contra eles nessas Eliminatórias (7 a 3 e 1 a 0 para os uzbeques), o que você observou de relevante no futebol deles?
Eles têm alguns jogadores de qualidade que tem sido bem treinados desde cedo em uma boa cultura de futebol. São muito fortes fisicamente e isso é importante no jogo moderno. O estilo deles é mais europeu que asiático, mas eu ficarei surpreso se eles se classificarem para etapas mais avançadas de uma Copa do Mundo se conseguirem se classificar.

Cingapura, na 2ª fase das Eliminatórias, bateu o Tadjiquistão para entrar na fase de grupos posteriormente. Como foi jogar lá?
Foi pura loucura! (risos). Tivemos que jogar com meio time sofrendo com a ‘comida envenenada’ (os jogadores passaram mal na véspera). O ar muito seco, gramado duro e cheio de ondulações. A parte boa foi que as pessoas lá são extremamente amigáveis e eu tenho certeza que eu nunca jogarei num lugar como aquele de novo (mais risos).

Muitos enxergam que está surgindo uma boa rivalidade entre clubes e seleções do Sudeste Asiático e do Oriente Médio. É muito comum tensões e provocações em campo nessas situações?
Quanto mais nós jogarmos contra eles, mais a rivalidade irá se inflamar, agora eu sinto que os times do Oriente Médio nos enxergam como um incômodo que eles tem que derrotar para seguir numa competição. Isso mudará num futuro breve, mas precisamos conseguir resultados positivos contra eles. As equipes de lá jogam um futebol atraente, são bons tecnicamente e todos tocam na bola constantemente. Nós de Cingapura oferecemos problemas a eles quando estamos mais agressivos.

O Exeter City, onde você foi revelado, foi o primeiro time a jogar contra o Brasil em 1914 no estádio das Laranjeiras no Rio de Janeiro. Já ouviu falar dessa partida quando estava no clube inglês?
Claro, ouvi sobre esse jogo. Esse fato é muito histórico para o nosso clube e o Exeter sempre teve muito orgulho disso, de jogar contra o Brasil antes de qualquer outro.

Existe algum jogador da seleção de Cingapura que teria condições de jogar em divisões inferiores da Inglaterra como você jogou?
O estilo de jogo na Inglaterra seria um problema para eles independente da divisão. Não acho que conseguiriam produzir o melhor deles na Inglaterra, talvez numa liga menos competitiva como nos Estados Unidos ou na Austrália.

O fato da seleção de Cingapura ter muitos estrangeiros naturalizados como você, incomoda o povo? Outros jogadores locais se sentem como se tivessem perdendo espaço?
Tem tido algumas criticas sobre isso, mas se o país quiser competir com as melhores seleções da Ásia precisa continuar apostando no talento estrangeiro. Não existem muitos jogadores locais de qualidade suficiente para serem convocados. Sem nós estrangeiros, Cingapura ainda estaria perdendo para Malásia e Tailândia.

Quais foram as dificuldades de adaptação em Cingapura?
Profissionalmente foi difícil porque os jogadores cingapurianos são um tanto calados e sensivelmente agrupados, e conseguir falar o que fazer ou gritar em campo durante os treinos e jogos é desconfortável. Jogar sem qualquer informação sobre seus companheiros é frustrante também. Mas com o passar do tempo mais estrangeiros entraram na liga, e com os jogadores locais ganhando experiência nos treinos e jogos fora do país, se tornou mais fácil para os estrangeiros se adaptarem.

É verdade que conheceu sua esposa no primeiro dia que chegou a Cingapura?
Sim, mas ela não me agradou em tudo. É uma longa história, demorou um bom tempo para eu sair e namorar com ela, pois não é o tipo de pessoa que se entusiasma com jogadores de futebol (risos).

Peres e Egmar são os brasileiros de maior sucesso no futebol de Cingapura desde a introdução do profissionalismo em 1996. Eles são seus amigos?
Conheço os dois, saí com eles um par de vezes, mas como estou quase sempre ocupado é difícil encontrar tempo para entrar em contato. Eu e Peres rimos muito quando nos vemos.

O que sabe sobre o Brasil?
Eu sei coisas básicas, as garotas, por exemplo, são fascinantes, o futebol, a praia de Copacabana, o Carnaval, os caras também produziram um dos meus filmes favoritos, Cidade de Deus, que é espantoso! Eu adoraria ir aí algum dia…

Lampard ou Gerrard?
Eu prefiro Gerrard porque ele é um meio-campista mais completo, pode chutar, passar, cabecear, marcar, é rápido, tem elevado nivel atlético além de ser um fantástico líder para o Liverpool.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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