Sem categoria

“Não ganhamos nada aqui”

A Nigéria está na final olímpica contra a Argentina e a maioria dos comandados do técnico Samson Siasia atuam na Europa. É inegável a presença maciça de futebolistas nigerianos pelo mundo, mas para contar a realidade local do país, batemos um papo com o atacante Joachim Odinaka. Revelado no Enyimba FC, um dos clubes mais expressivos do continente, ele relata as agruras que um jogador vive e também casos curiosos:

“No Togo, os jogadores praticam “Juju” antes dos jogos” afirma.

O que é “Juju”? Confira a entrevista e descubra!

A Nigéria está na final do futebol masculino nas Olimpíadas, gostaríamos de saber se você já jogou com alguns desses jogadores que estão na seleção olímpica do seu país?
Joguei com alguns dos que estiveram no Mundial Sub-20 da Holanda, em 2005. Foi antes deles embarcarem para a disputa daquele torneio. Eu conheço todos os que estiveram naquele time, mas agora é uma equipe um pouco diferente, tem outros que entraram e não sei muito sobre eles.

O que está achando do time? Dá pra bater a Argentina e ganhar o ouro?
Temos muitos talentos aqui. Esses aí são apenas alguns dos talentos que possuímos, tanto aqui quanto fora do país. Uma coisa eu sei: Se você
deseja vencer, deve estar pronto para encarar desafios, isso é natural na vida. Todos nós sabemos que existem muitos talentos aqui, e quando a oportunidade aparece, devemos fazer o melhor.

É uma questão de chance, não é?
Claro, muitos não conseguiram estar lá, como eu, mas certamente esse feito pavimenta o caminho para muitos outros mostrarem o que nós podemos fazer e eu agradeço a Deus por estarmos nesta final olímpica.

O mundo conhece as estrelas nigerianas que circulam pelos campos da Europa, mas qual a realidade do futebol no território nigeriano?
Devo te dizer que o futebol na Nigéria não é bem organizado, e não apenas pelas pessoas que dirigem. Não temos motivação aqui, eu estou negociando com um clube de fora, mas não posso dizer o nome porque não está nada certo ainda.

Seu último clube foi o Bussdor United, cujo dono é um empresário, Oscar Igbokwe. Ele interfere e quer saber o que se passa no time?
Sim, ele é proprietário da Companhia Bussdor. A idéia de formar a equipe partiu de pessoas interessadas em trabalhar com jovens. Ele nunca foi de falar diretamente conosco.

O clube está na Segunda Divisão da Nigéria, pra subir é complicado?
Qualquer time pode conseguir, não perdendo em casa e tentando vencer fora. É assim que jogamos aqui. Quando um time perde muito em casa, isso significa que virão grandes problemas para conseguir a promoção.

Como é jogar nas cidades do interior do país? Existem muitas diferenças entre os lugares?
Sim, existem muitas diferenças por causa do dinheiro. Em certos lugares um jogador assina um contrato de um ano, mas não recebe o que foi prometido. Também não se tem uma boa comida em certas regiões do país.

Quanto ao salário?
Alguns recebem certo, outros não. O dinheiro que conseguimos aqui não é nada. Temos que sair do país para ganhar a vida.

É consenso que a Nigéria é um dos maiores centros de formação de jogadores na África. Qual a dificuldade para se conseguir um agente?
Nós não temos bons agentes aqui. Quando um agente te quer levar pra fora, ele te pede para pagar a passagem e também o passaporte. São poucos os que são bons.

Você jogou no Togo, um país próximo, qual a realidade lá?
O futebol lá está crescendo e tem poucos clubes em relação a Nigéria. Eu joguei lá porque estava sem clube, mas a situação do futebol lá é mais difícil do que na Nigéria. Os jogadores lá acreditam muito em “Juju” (crença em um poder sobrenatural sobre um objeto, de prática comum no oeste da África), acham que não podem vencer uma partida sem isso. Antes dos jogos, eles fazem essa prática para ganhar.

A cidade de Port Harcourt, onde você vive, é um grande centro industrial na Nigéria com mais de 1 milhão de habitantes. Quais são os principais problemas sociais aí?
É um lugar muito legal para viver quando você tem dinheiro, o único problema são os bandidos…

O que você sabe sobre o Brasil?
Eu amo muito o país de vocês! Não só pelas riquezas que vocês têm, mas Deus abençoou vocês com um futebol brilhante. Se pudesse, iria para o Brasil aprender mais e crescer como jogador.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo