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Não foi a tática

O jogador entra em campo com uma série de informações. Nos dias anteriores, o técnico e até a imprensa falaram sobre como cada uma das equipes atua, quais as virtudes, quais, quais os caminhos para a vitória. Na preleção pré-jogo, a comissão técnica reforça as orientações, para nada ficar de fora. A partir do apito inicial, é hora de aplicar tudo isso. Quer dizer, isso se a razão dominar a mente de cada um.

No Real Madrid x Barcelona desta quarta, não aconteceu isso. A tensão foi predominante nos dois lados, de jogadores à comissão técnica. As orientações, as estratégias perderam força. No embate interno de cada um, entre razão e emoção, a lógica da organização tática ficou menos nítida, menos marcante. Ações individuais acabaram se destacando e tornaram o jogo menos bonito, ainda que mais aguerrido.

O Real Madrid seguiu com a estratégia que se mostrou defensivamente bem sucedida, de colocar Pepe como volante para marcar Messi de perto e tirar espaço da troca de passes do Barcelona. Os catalães entraram com Keita no lugar de Iniesta e Puyol na lateral esquerda (já que Abidal, Maxwell e Adriano estão sem condições de jogo), deixando uma vaga na zaga para um improvisado Mascherano.

O problema é que nenhuma das estratégias funcionou. O Real Madrid marcou, mas não teve saída ofensiva. Seus melhores jogadores de frente – Özil, Di María e Cristiano Ronaldo – sumiram e o time não tinha poder ofensivo. O Barcelona trocou passes, mas não como costuma fazer. Sem Iniesta, Messi e Xavi ficaram mais vulneráveis à marcação. O toque de bola era estéril, sem profundidade, feito quase sempre na intermediária, à frente da linha de marcação madridista.

Com dois times incapazes de executarem seus planos de jogo, o nível de irritação em campo subiu. As divididas se tornavam cada vez mais duras, e a cara de dor das vítimas era cada vez mais exagerada. Era um jogo equilibrado como no 1 x 1 do Campeonato Espanhol e no 1 x 0 Real da Copa do Rei, mas muito mais pobre técnica e taticamente.

Quando o talento está de lado e as ordens dos técnicos não fazem efeito, as ações individuais é que pautam o andamento da partida. Aí o Barcelona venceu por ser mais sólido como um todo. Pepe perdeu a cabeça e foi expulso por uma entrada desnecessariamente violenta (ainda que seja aceitável discutir se não era o caso apenas de um amarelo). Sem marcador pessoal, Messi ficou mais livre para agir. E o jogo começou a virar.

Dizer que o Barcelona pôde impor seu jogo a partir da saída do zagueiro-volante madridista é um equívoco. A equipe catalã seguiu mal como um todo. O meio-campo não era compacto, as tabelas continuaram sem profundidade e muitas jogadas não pareciam do Barça que se acostumou a ver. As jogadas ofensivas morriam pela falta de mais gente na frente para permitir uma tabela. Parecia um time comum, cujos atacantes atacam, os meias armam e os volantes ficam mais atrás para proteger a defesa.

A vitória surgiu nesse cenário, mas por inspiração individual. No primeiro gol, na esperteza de Afellay de cortar para a ponta no momento exato em que Marcelo perdia o passo em sua marcação. O cruzamento na área foi preciso. Mesmo sozinho na área (algo raro no Barcelona de Guardiola), Messi não teve dificuldades para tocar para o gol. No segundo, Messi recebeu na intermediária e, sem Iniesta, Xavi ou Pedro para criar a jogada, tratou de fazer tudo sozinho.

O Barcelona não jogou bem, não impôs seu estilo. Mas ganhou porque, no jogo em que o racionalismo ficou de lado, teve mais controle de suas emoções. E teve um craque que se apresentou para decidir o jogo.

Torcida lotou La Rambla no centro de Barcelona para celebrar

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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