Não é só uma taça

Aparentemente, é só uma taça. Luxuosa, é verdade: 36,8 centímetros de altura, 6,175 quilos, feita toda em ouro sólido de 18 quilates, com duas camadas de malaquita semipreciosa na base. Mas, enfim, seria só uma taça. Seria, se não fosse justamente a taça da Copa do Mundo. Que passou pelo Brasil, entre os dias 6 e 9 de fevereiro, sendo dois dias no Rio de Janeiro (Forte de Copacabana) e dois em São Paulo (Memorial da América Latina).
A iniciativa, como não poderia deixar de ser, foi da Fifa, em parceria com a Coca-Cola, uma de suas colaboradoras e patrocinadoras históricas. A rigor, a iniciativa de organizar uma turnê do troféu criado pelo italiano Silvio Gazzaniga já teve uma primeira passagem pelo Brasil, em 2006. No entanto, a expectativa era de crescimento, conforme afirmou o presidente da unidade brasileira da Coca-Cola, Xiemar Zarazúa: “Sem dúvida, nossa expectativa é alta. Pensamos o evento para ser algo muito grande, e esperamos a visita de 20 mil pessoas.”
Tal frase foi dita na recepção à imprensa para a visita da taça, realizada no último dia 8, com a visita de gente como os secretários de esportes de São Paulo – tanto o municipal, Walter Feldman, como o estadual, Claury Alves da Silva. Além, obviamente, do ministro dos Esportes, Orlando Silva. E de Leslie Dickens, representante da FIFA. Tudo culminando na mostra da taça, levantada por Carlos Alberto Torres, num evento que também contou com a presença de mais quatro campeões mundiais pelo Brasil, em 1970: Rivellino, Edu, Clodoaldo e Félix.
Já pela visita especial podia-se ver como o evento foi preparado para aproveitar o interesse por aquela que é “apenas” uma taça: uma estrutura de três mil metros quadrados, com uma sala de entretenimento, contendo coisas como o “soccer cage”, uma pequena gaiola onde se disputava o bom e velho “gol a gol”; um questionário sobre a história das Copas; um espaço com jogos de videogame; outro, com vídeos interativos.
Passando, havia talvez a sala mais interessante, ainda que um tanto semelhante demais com os totens do Museu do Futebol: telas exibindo os filmes oficiais das Copas do Mundo, junto de campanhas publicitárias da Coca-Cola, aliadas às bolas oficiais de cada Mundial e capas históricas de jornais (preferencialmente, O Globo), para exposição. Depois, mais uma sala, a Sala África, apresentando o continente que sedia a Copa de 2010. Mais um filme, de oito minutos, preparando o espírito para, enfim, o grande momento: a exibição da taça.
Preparação satisfatória, sem dúvida. Porém, havia um defeito: a rapidez com que a passagem das pessoas era feita, impedindo o desfrute profundo. Não que isso impedisse a vinda das pessoas. Na maioria das vezes, pessoas com prévio interesse. Afinal de contas, a melhor descrição do evento talvez tenha sido feita por Mariana Bonatti, visitante, enquanto passava pela Sala África: “É um evento que está sendo muito legal. Além do mais, não é algo que acontece todo dia.”
Evidentemente, não faltavam os amantes de futebol, devidamente vestidos com camisas de times. Camisas do Santos, como a de Gabriel, filho de Odair Alvarenga, entrevistado na sala de entretenimento: “O começo está sendo bacana, com os videogames, dos quais o Gabriel gosta muito, e as telas interativas.” Camisas do Palmeiras, como a de Douglas Rabelo, que assumiu, enquanto admirava a sala de exposição, com o histórico: “Gosto de futebol, por isso, o encanto de vir ver a taça. É legal.”
Camisas da seleção da Espanha, como a de Luiz Henrique Câmara, que veio com o amigo Guilherme Gonçalves – que, por sua vez, usava uma do Chelsea. Falando que só participara do questionário interativo, dizia: “A área de história está interessante.”. E até gente sem camisas de times, vestidas normalmente, como a dupla Diego Melo e Luiz Amarinho, ambos vindos de Franco da Rocha, cidade da Grande São Paulo, elogiando a interatividade e a exposição cronológica.
Enfim, houve ainda acertos a serem feitos. Mas foi satisfatório. Até pelo que disse Roberto Alves: “É tudo muito bonito, muito bem-feito e cuidadoso”. Enfim, não era só uma taça.


