“Na quinta divisão italiana a marcação é muito forte”

Roberto Rivelino, Diego Maradona e Michel Platini, todos irmãos. Calma, não é um sonho, e sim a realidade da família Petriaggi. Por um certo momento na carreira, todos atuaram juntos, mas hoje alguns percorrem caminhos diferentes.
Maradona Petriaggi está no Chiari desde agosto, clube italiano da cidade de Brescia, e em dezembro seu irmão, Rivelino, acertou com o clube. O atleta teve rápida participação com a Seleção Brasileira sub-20, em amistosos na Coréia do Sul, na Alemanha e no Torneio Internacional de Omã, onde sagrou-se campeão em 2002.
Nesta entrevista, Roberto Rivelino falou sobre o clube que disputa a quinta divisão do futebol italiano e a família.
Seus outros irmãos também são jogadores e um deles atua com você. Como é essa situação?
Está sendo bem legal. Já tivemos a oportunidade de treinar juntos outras vezes, mas será a primeira vez que vamos atuar juntos numa competição eu e o Maradona. A diretoria do clube tinha interesse em trazer tambem meu outro irmão, Michel Platini, agora no mercado de inverno, mas infelizmente o seu clube nao quis liberá-lo nesse momento. Mas temos esperança que no futuro poderemos atuar os três juntos, pois seria perfeito.
Curiosamente, os nomes dos três são em homenagem a ex-jogadores. Gostou dessa homenagem?
Gostei, as pessoas acham interessante e sempre querem saber mais detalhes sobre nós e levamos isso numa boa, pois já estamos acostumados.
Você foi formado nas divisões de base do São Paulo, mas não chegou a jogar no profissional. O que faltou para jogar pelo time principal?
Joguei quatro anos nas categorias de base do São Paulo e quando completei 15 anos um empresário propôs me trazer para a Europa. Naquele momento achei que fosse o melhor caminho e por isso aceitei. Mas ainda hoje tenho um carinho muito grande pelo clube, aonde deixei muitos amigos.
Recentemente você foi liberado para poder jogar pelo Chiari, seu atual clube. Quais são suas expectativas já que o time está mal na competição?
Minhas expectativas são boas. Apesar do time não ter iniciado bem a competição, esse campeonato é bem equilibrado e nao vejo equipes superiores a nossa. Além de mim, o clube contratou um outro atacante de qualidade e creio que com a nossa chegada poderemos ajudar a equipe a subir na tabela
O que você pode falar da quinta divisão italiana?
É um campeonato difícil. Apesar do nível técnico não ser dos melhores, as equipes se preparam bem fisicamente e a marcação é muito forte.
É uma divisão semi-profissional, e como é o clube? Tem investimentos, estruturas, salário etc?
Apesar de ser um clube semi-profissional, nós jogadores podemos usufruir de uma boa estrutura, pois temos bons materiais para trabalhar, temos à disposição bons campos para treinar e jogar, além de receber os salários em dia.
O Chiari é um pouco conhecido, pois jogadores como Dario Hubner e Giovanni Stroppa, atletas que fizeram sucesso na Itália, passaram por lá. O que pode falar sobre este time em termos de história?
Na realidade, Dario Hubner e Giovanni Stroppa jogaram no Chiari, mas quando já estavam no final da carreira. Porém outros jogadores se revelaram no clube, como, por exemplo, Battista Festa que saiu das categorias de base do Chiari e depois atuou em clubes como Cesena e Atalanta.
Tem vontade em voltar a atuar no Brasil?
No momento estou bem aqui. Estou perto da minha família, pois minha mãe e meus irmãos vivem na Italia há quase dez anos, mas caso eu receba uma boa proposta de um clube brasileiro eu poderia pensar.
Além do Brescia, você atuou também pela Udinese. Como foi essa experiência?
A Udinese foi minha primeira equipe na Itália. Eu tinha apenas 15 anos quando cheguei no clube junto com o Felipe Dalbelo, que hoje joga na Fiorentina. Morei um ano em Údine e foi muito importante para minha adaptação na Itália. Nessa época aprendi bem a língua, pude me adaptar ao estilo de jogo italiano e tinha contato diariamente com jogadores consagrados. Isso me fez amadurecer mais rápido.
A diferença destes clubes para o Chiari é muito grande?
Com certeza existe diferença. Pois um clube da Serie A, como Udinese e Brescia, investe bem mais, e até mesmo por isso a cobrança é bem maior.


