Mudanças no calendário

Há muito tempo, uma das grandes bizarrices no calendário do futebol brasileiro é não permitir que os campeões da Copa do Brasil defendam seu próprio título. Afinal, o vencedor vai para a Libertadores e fica excluído de participar da edição seguinte.
Falta de planejamento ou escassez de datas?
Seja lá o que for, só acontecerá mais uma vez. Ao menos é o que a CBF anunciou. A partir de 2013, quem disputar a principal competição continental entrará nas fases posteriores da Copa do Brasil, que será de Março à Novembro.
Óbvio, não é? Do ponto de vista dos negócios esportivos é ótimo para o torneio (que é patrocinado pela Kia, alguém sabia?). Maior duração, visibilidade e número de clubes. Agora, com os melhores classificados do ano anterior – e na teoria, melhores em campo – a competição ganha valorização.
A vantagem dada às equipes, entretanto, é discutível. Começando com oitenta clubes, o mata-mata segue até que sobrem dez (três rodadas). E aí, nas oitavas de final, chegam os participantes da Libertadores. Um ganho considerável para os grandes. A dúvida é dos menores: ficará mais difícil para eles aprontarem na competição, como invariavelmente fazem?
Com esse número gigantesco de clubes, a imagem da Copa do Brasil precisa ser melhor trabalhada. O que deveria ser a competição mais nacional de todas, promovendo ações futebolísticas por todos os cantos do país, muitas vezes é resumida ao “caminho mais curto para a Libertadores”. Parece pouco.
Sul-americana
E se as mudanças na Copa nacional parecem óbvias, as da Sul-americana causam estranheza e confusão. Vou resumir de forma rápida e indolor: dos oito eliminados nas oitavas da Copa-BR, os quatro melhores no Brasileirão anterior ganham vaga na Sul-americana. Entendeu?
Mais complicado que entender o critério é entender por que ele foi escolhido. Qual era o problema em dar a vaga apenas pela classificação no Brasileirão? Assim, a vaga teria um gosto de mérito, e não esse ar de 'prêmio para perdedor'. As datas, sempre elas, poderiam vir de uma redução dos estaduais. Vai saber.
Ao menos terminou a chatíssima fase nacional, que servia de prelúdio à competição internacional. Pode ser a chance de equipes menos viajadas disputarem jogos pelos estádios do continente.
Em tempo: a Bridgestone patrocina a Copa Sul-americana. Você sabia? Já viu alguma ação de promoção do torneio promovido por Bridgestone ou Conmebol? Ah tá.
Em tempo nº 2: os clubes começam o ano sem saber exatamente quais torneios vão jogar. Como planejar ações assim? E se nem eles reclamam, quem palpitará sobre o regulamento?
Em tempo nº 3: talvez essas mudanças deixem a Copa do Brasil menos democrática. Talvez a vaga na Sul-americana seja vista com desdém. Mas dentre as dúvidas, há uma certeza. O calendário da CBF continua confuso.
Siga o colunista no Twitter
Curta a página no Facebook


